Economia

Inflação deve começar a desacelerar, mas alta dos combustíveis levou mercado a rever projeções para o IPCA

Especialistas consideram que a inflação teve o seu pico em setembro, quando registrou alta de 10,25% no acumulado em 12 meses

Data de publicação:15/10/2021 às 08:00 - Atualizado 2 meses atrás
Compartilhe:
  • Facebook
  • Linkedin
  • Twitter Mais Retorno
  • Telegram Mais Retorno
  • WhatsApp Mais Retorno
  • Email Mais Retorno

Embora tenha vindo abaixo das expectativas do mercado, a inflação teve uma alta acentuada de 1,16% em setembro, ultrapassando os dois dígitos no acumulado de 12 meses, com avanço de 10,25%.

Há um consenso entre especialistas de diferentes instituições financeiras que a inflação atingiu o seu pico no mês passado e deve começar a desacelerar nos próximos meses. Um novo ajuste no preço dos combustíveis pela Petrobras, no entanto, levou a uma revisão nas projeções por parte do mercado para o IPCA ao fim deste e do próximo ano no último Relatório Focus, publicado na última segunda-feira, 11.

inflação dos combustíveis
Imagem: REUTERS/Amanda Perobelli

No Focus, o Banco Central (BC) divulga semanalmente a mediana das expectativas de analistas do mercado financeiro para os principais indicadores da economia brasileira. Na última edição, as projeções para a inflação de 2021 subiram de 8,51%, na semana anterior, para 8,59%.

Inflação dos combustíveis

De acordo com Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos, as expectativas do mercado não foram elevadas pelos números do IPCA de setembro, mas sim pela notícia, também na última sexta-feira, de que a Petrobras reajustou em 7,2% para cima o preço da gasolina e do gás de cozinha - o que já começou a ser repassado para o consumidor final.

Camila considera que a inflação brasileira deve chegar perto do patamar dos 9% no final deste ano, mas ela destaca que, entre os analistas, há projeções "mais parcimoniosas" que já esperam um IPCA próximo de 9,5% em 2021. A economista explica que, por conta da política de preços da Petrobras, o Brasil ainda está sujeito a mais algum reajuste nos preços dos combustíveis até o final do ano, o que impacta diretamente a inflação.

Por ser definido com base nas cotações dos mercados globais, o preço do petróleo - principal fonte para a produção de combustível - não pode ser controlado por mecanismos internos de política monetária. Ou seja, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC eleva a Selic, taxa básica de juros, não há consequências sobre os preços dos combustíveis.

Já a inflação de serviços é amplamente impactada pelo avanço ou queda da Selic. A taxa de juros elevada torna o crédito mais caro para o consumidor final afetando diversos setores da economia, sobretudo o de construção civil e comércio varejista. Para não perder a demanda, a tendência é a de que esses setores segurem a alta dos preços de seus produtos ou serviços.

Conforme explica o economista da CM Capital, Alexandre Almeida, é justamente essa a intenção do BC, atingir esses segmentos, ao elevar os juros. Com base nesse cenário, ele considera que a inflação de outubro deve começar a desacelerar em comparação aos meses anteriores, com uma alta de 0,61%, chegando ao fim do ano em 8,69%.

A chefe de economia da Rico, Rachel de Sá, também espera que, nos próximos meses, o IPCA passe por um movimento de desaceleração. Ainda assim, as projeções da economista indicam que o índice deve encerrar o ano em 9%, muito acima do centro da meta de 3,75% do BC.

Projeções futuras

Para o ano que vem, Rachel afirma que um conjunto de fatores pode levar a inflação a perder força, encerrando 2022 em 3,9%.

"A normalização de cadeias de produção globais, fábricas e portos voltando ao normal, insumos industriais deixando de faltar no mercado, e de questões climáticas como a falta de chuvas, a estabilização de commodities agrícolas, o fim de estímulos fiscais elevados, e claro, uma taxa de juros em elevação – até 9,25% em março do ano que vem" são alguns dos pontos que devem contribuir para a queda do IPCA, explica a especialista.

Almeida comenta que a expectativa da CM Capital para a inflação do próximo ano é de 4%. Ele destaca que esse nível está entre o centro da meta (3,5%) e o teto da meta (5%) estabelecido pelo BC para o IPCA em 2022.

Neste cenário, o economista afirma que há uma pressão maior sobre a política monetária, a fim de que a taxa de juros possa segurar a inflação com mais vigor. Ele explica que o Copom deve manter o aumento de um porto percentual para a Selic nas reuniões de outubro e dezembro, levando a taxa de juros a finalizar 2021 em 8,25%. Simultaneamente, a Selic deve continuar subindo, em um ritmo menor, em 2022.

Camila Abdelmalack considera que, apesar das projeções, o investidor ainda deve ficar atento aos "fatores que fogem da previsibilidade" e podem impactar a economia brasileira, como os desdobramentos da crise hídrica e outras questões climáticas, por exemplo.

A chefe de economia da Rico finaliza dizendo que "o cenário segue incerto e o investidor não só pode como deve, se proteger de potenciais volatilidades trazidas pela inflação. Títulos de renda fixa atrelados a índices de inflação, como NTN-Bs, ativos reais, como as próprias commodities, e Fundos Imobiliários (atrelados a aluguéis com correção inflacionária) são boas opções neste momento."

Sobre o autor
Bruna Miato
Bruna MiatoRepórter na Mais Retorno
Mais sobre
Combination Matching

Combination Matching

O que é Combination Matching? No mercado financeiro, existem inúmeras estratégias que podem ser utilizadas visando o crescimento patrimonial. Quando duas ou mais delas são combinad...

  CONTINUAR LENDO