Empresa

Os critérios de conduta ESG (da sigla em inglês Environmental, Social e Governance), que representam a preocupação com o meio ambiente, aspectos sociais e éticos, estão chegando cada vez mais no centro das políticas de atuação das empresas. Desta vez, a iniciativa partiu da maior fabricante de joias do mundo, a Pandora S/A.

A companhia substituirá os diamantes retirados de minas por pedras similares fabricadas em laboratório, devido à nova diretriz de sustentabilidade da marca, conhecida por produzir itens acessíveis. Em 2020, somente 50 mil das 85 milhões de peças fabricadas continham versões naturais do mineral, cuja extração é alvo de denúncias de violação de direitos humanos.  Um prática que arranha o S do ESG.    

pandora esg
Empresa vai usar pedras fabricadas em laboratório e metais preciosos de reciclagem - Foto: Divulgação

Para demonstrar os cuidados com o meio ambiente, a companhia decidiu eliminar a dependência de ouro e prata recém-extraídos, estabelecendo como meta utilizar apenas metais preciosos de origem de reciclagem até 2025, meta que faz parte de um plano para neutralizar emissões de carbono da companhia em quatro anos.

Em comunicado ao mercado, a empresa ressaltou a redução potencial e um terço do preço como resultado da implementação destas mudanças. Enfatizou também a mudança do perfil de consumidores jovens, que prezam mais por padrões de sustentabilidade e responsabilidade social.  

Sediada em Copenhagen, capital da Dinamarca, a empresa anunciou nesta terça-feira, 4, nova coleção de produtos confeccionados com pedras produzidas em um laboratório do Reino Unido. Informou ainda que deve se concentrar em novos mercados a partir de 2022. 

As pedras são cultivadas a partir de carbono com mais de 60% de energia renovável em média, proporção que deve aumentar para 100% no próximo ano.

Os danos causados ao mercado de jóias como consequência das violações a direitos associadas à extração de matérias primas não é um problema novo.

Outras iniciativas no setor

Há décadas o setor busca construir mecanismos para resolvê-los. No ano passado, a Tiffany & Co. passou a informar aos clientes a origem dos diamantes adquiridos, que eram registrados individualmente. A demanda por mais transparência e comprometimento ético das companhias fez brotar do chão fabricantes de versões artificiais do mineral.   

As restrições de viagens e demais incertezas econômicas provocadas pela pandemia do novo coronavírus reduziram em 15% as vendas de diamantes em 2020, de acordo com a pesquisa do Antwerp World Diamond Center e da Bain & Co. A produção e o preço caíram 20% e 11%, respectivamente, neste mesmo período. 

Em 2021, houve recuperação vigorosa. A De Beers vendeu mais US $ 1,6 bilhão em diamantes brutos, maior resultado desde 2018. 

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Veja mais Ver mais