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Dia Internacional da Cerveja: acionistas das gigantes internacionais estão sem motivos para brindar

Grande parte das gigantes do setor seguem amargando perdas no mercado de capitais

Data de publicação:05/08/2022 às 05:00 -
Atualizado 14 dias atrás
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Na primeira sexta-feira do mês de agosto é comemorado o Dia Internacional da Cerveja, a bebida alcóolica mais popular e amada do mundo, que marca presença em qualquer ocasião. Muita gente aproveita o dia para brindar a data com aquela gelada especial, porém, esse não será o caso para os acionistas que investem em empresas do setor no mercado internacional.

De acordo com Rodrigo Lima, analistas de investimentos da Stake, plataforma de investimentos internacionais, as notícias não estão boas para quem levou essa paixão para o mercado financeiro.

cerveja
Ações da AB-InBev caíram mais de 10% no ano - Foto: Reprodução

Gigantes do setor como Anheuser-Busch InBev (AB-InBev) – dona das marcas Stella Artois e Budweiser - e Heineken amargam perdas no ano – a primeira recuou 11,54% no ano e a segunda, 13,58%, nas bolsas internacionais. A exceção é o grupo Molson Coors Brewing B, fabricante da cerveja Miller, que subiu 18,61% no período.

“Essa alta é impulsionada principalmente pela revisão do guidance do grupo para 2022 no início do ano. No entanto, a companhia chegou a ser a maior queda das companhias que compõem o S&P 500 no dia 02 de agosto, após divulgar seu balanço do segundo trimestre, com receita abaixo do esperado e graças a uma greve dos trabalhadores em Quebec que acabou impactando as vendas no Canadá”.

Rodrigo Lima, da Stake, sobre a Molson Coors

Lucro no segundo trimestre

Os grandes grupos do setor cervejeiro colecionam resultados diferentes em relação ao seu desempenho no segundo trimestre de 2022. A AB-InBev, por exemplo, registrou queda de 13,9% em seu lucro líquido no período na comparação anual – US$ 1,60 bilhão ante US$ 1,86 bilhão nos meses de abril, maio e junho de 2021.

Já na radiografia do primeiro semestre de 2022, mesmo com queda nas suas ações, a Heineken colecionou bons números.

A cervejaria holandesa fechou o período com lucro líquido de 1,27 bilhão de euros, um pouco acima do montante de 1,03 bilhão de euros obtido no mesmo período do ano passado e acima do consenso do mercado.

E de quebra foi reconhecida como a marca que mais cresceu entre as principais marcas de bebidas alcoólicas do mundo na pesquisa global Kantar BrandZ 2022.

A Molson Coors também trouxe um lucro por ação no período de US$ 1,19 que ficou em linha com as previsões dos analistas. No entanto, reportou uma receita de US$ 2,92 bilhões, abaixo da expectativa.

Consumo de cerveja x crise

Apesar da inflação global elevada, o que impacta na alta dos preços dos produtos – incluindo a cerveja – o consumo da bebida segue crescendo, tendo como seus principais mercados a China, com 27%, e os Estados Unidos, com 13%, segundo o Euromonitor. De acordo a consultoria, o setor global deve fechar o ano de 2022, com um crescimento de 8%, alcançando 15,4 bilhões de litros.

Lima, da Stake, aponta que ainda é difícil prever a elevação do consumo de cerveja, destacando que as maiores empresas do setor adotam previsões bastante conservadoras para o seu crescimento, “uma vez que se trata de um mercado com produtos extremamente consolidados”.

Produtos como cerveja sem álcool é uma das apostas dessas gigantes para crescer, “atendendo a um público com estilo de vida mais saudável, e na expansão de seus produtos de cidra e seltzers, mercados que seguem em expansão no mundo inteiro”.

Cerveja no Brasil

No Brasil, um dos países que tem a cerveja como paixão nacional, o consumo da bebida responde por 7% do montante global, de acordo com o Euromonitor. O relatório Consumer Insights, da consultoria Kantar, aponta que o mercado local nunca teve tantos consumidores da bebida.

De acordo com o documento, são 5,1 milhões de consumidores a mais nos 12 meses terminados em março deste ano, na comparação anual.

Quando a bebida vai para o mundo dos investimentos no País, os acionistas também estão provando uma cerveja mais amarga - para quem não tem esse paladar, é difícil de engolir. O BDR da AB-InBev (ABUD34) caiu 13,99% no período entre 11 de fevereiro deste ano a 04 de agosto. Já o BDR da Molson Coors (M1CB34) subiu 7,35% na mesma radiografia.

A gigante do setor no Brasil, a Ambev, também acumula resultados aquém do esperado. No período de seis meses, suas ações subiram levemente 0,76% e no prazo de 12 meses recuaram 12,69%.

Apesar disso, no segundo trimestre, a companhia registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,085 bilhões no segundo trimestre de 2022, alta de 4,2% ante o mesmo período de 2021.

No documento de resultados, a empresa destacou que, apesar do avanço da inflação, a estratégia comercial da companhia ajudou a impulsionar o desempenho da receita, com a continuidade da recuperação do volume de consumo da bebida fora de casa.

Há poucas semanas, o JPMorgan passou a recomendar a compra do papel da companhia de bebidas, algo inédito desde quando o banco americano começou a fazer a cobertura dos papeis, em 2018.

O preço-alvo das ações ABEV3 também foi elevado, passando de R$ 15 para R$ 17 em dezembro de 2023 — um potencial de valorização de 23%.

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Sobre o autor
Julia Zillig
Repórter do Portal Mais Retorno.