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DeFi salta e soma US$ 300 bi em investimentos no mundo em 2021

No período, os brasileiros tiveram, ao todo R$ 270 bilhões em criptomoedas presentes em suas carteiras

Data de publicação:26/07/2022 às 15:40 -
Atualizado 22 dias atrás
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As chamadas Finanças Descentralizadas – ou DeFi – vem crescendo exponencialmente no mundo e desafia alguns modelos de negócio da indústria financeira. Em 2021, US$ 300 bilhões foram investidos nesses protocolos, cujo ecossistema tem atualmente 1.599 deles, dAPPs (aplicativos descentralizados) e plataformas.

Somente no Brasil foi registrado um aumento de 300% no volume de transações com stablecoins em 2021, de acordo com o levantamento da consultoria Accenture Como as finanças podem transformar o mercado financeiro, divulgado recentemente.

DeFi
Volume de finanças descentralizadas salta em 2021 e soma quase US$ 300 bi no mundo. No Brasil, a expansão desse mercado também é expressiva - Foto: Envato

DeFi é um termo abrangente para produtos, serviços e soluções financeiras emergentes que são habilitadas por blockchain e utilizam criptoativos. Essas finanças descentralizadas nasceram da ideia de ampliar acesso aos participantes do ecossistema financeiro nessas frentes.

Outros dados chamam ainda mais a atenção, como a soma de R$ 270 bilhões, valor em criptomoedas presente em carteiras de investimentos dos brasileiros no ano passado, o que corresponde a 3% do PIB.

Esse cenário deve ser ainda mais significativo em 2022, já que, conforme dados da pesquisa, 59% dos brasileiros pretendem investir em criptomoedas pela primeira vez em 2022.

Para os especialistas da Accenture, 10% do PIB global deve estar tokenizado até 2027.

Desafios

Para a consultoria, há a perspectiva de grande expansão de soluções e ativos embasados em tecnologia DeFi, o que o torna relevante para o mercado financeiro, que vem sendo desafiado por evoluções dos sistemas atuais.

Entre elas estão o Pix – que hoje já é usado por 50% da população brasileira e em 70% das transações realizadas – a duplicata digital, além das novas agendas de mercado, como o open finance e real digital.

“O desenvolvimento da tokenização, do blockchain e smart contracts foi essencial para viabilizar um ecossistema financeiro descentralizado e mais automatizado. São essas três tecnologias de código aberto que permitem o controle e validação das transações de forma segura”, aponta a consultoria.

Accenture, em pesquisa sobre DeFi

Com uma estrutura baseada em blockchain, as DeFi dispensam intermediações ou controles centrais, conectando diretamente partes envolvidas nas transações, ao permitir que atores, pessoas ou empresas, desconhecidos estabeleçam relacionamentos financeiros entre si, confiando no código de programação (smart contract) que gerencia e executa os contratos e suas condições.

Oportunidades e riscos

Segundo a Accenture, a crescente relevância do ambiente DeFi estimula as empresas que atuam nesse mercado a monitorar as oportunidades para se integrar ao novo ecossistema, com diferentes potenciais de risco, que incluem desde exchanges, corretoras, gestoras, bancos e seguradoras.

Para estarem prontas para atuar nesse mercado, o estudo destaca que as instituições precisam reavaliar suas estratégias atuais para capturar os benefícios desse novo modelo e mitigar riscos trazidos pela DeFi.

“Para isso, é preciso levantar a visão e estratégia do negócio com o mapeamento das principais áreas impactadas, riscos de substituições, impactos na estratégia atual, além de acompanhar o contexto regulatório. Com isso, eles estarão aptos a traçarem um roadmap para o modelo do futuro”, aponta a pesquisa.

Accenture

Próximos passos

O estudo da Accenture aponta alguns passos que devem ser dados pelas empresas que querem um espaço nesse mercado. Uma delas é o questionamento sobre como evoluir do “ser digital” para o “ser token”, como explorar e incorporar a riqueza, entender os principais casos de uso para os negócios do atacado e varejo, entre outros.

“Os maiores desafios estão no aspecto humano e gerencial da relação entre as diversas esferas da empresa que precisam estar em sintonia para que o modelo operacional funcione”.

Para responder essas perguntas, a Accenture aponta alguns pontos-chave que devem ser considerados, como a regulamentação do mercado.

“Isso implica no monitoramento de como progridem as regulamentações no Brasil e o posicionamento dos reguladores no mercado internacional, considerando que DeFi não tem limites geográficos e que isso impacta diretamente na escalabilidade desse ecossistema”.

Accenture

Soma-se a isso ainda a organização de equipes para acompanhar o tema, fazer parcerias estratégicas e criar políticas de segurança, “considerando adesão a um ecossistema ainda em desenvolvimento e suscetível a diversas falhas”.

Opções para quem quer investir no tema

Para os investidores que querem investir no tema, além das próprias criptomoedas, já existem fundos de investimentos atrelados a DeFi.

Na Bolsa estão disponíveis os ETFs (Exchange Traded Funds, ou fundo de índice) DEFI11, da Hashdex, e o QDFI11, da QR Asset.

Desenvolvido em parceria com a CF Benchmarks, provedora global de índices cripto, o DEFI11 espelha o CF DeFi Modified Composite Index, que, segundo a Hashdex, segue rigorosos critérios de elegibilidade para obter a melhor representação do mercado de DeFi.

Sobre o autor
Julia Zillig
Repórter do Portal Mais Retorno.