Economia

As contas do governo central (que reúne Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social) obtiveram um superávit primário, sem incluir os gastos com juros da dívida pública, de R$ 16,5 bilhões em abril, de acordo com dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quinta-feira, 27. O saldo leva o acumulado em 12 meses para 7,9% do PIB (9,5% em março).

O resultado, R$ 7,1 bilhões acima do consenso, surpreendeu positivamente o mercado mais uma vez. O desvio médio entre as projeções do resultado primário e os valores reais de junho do ano passado é, até agora, de R$ 20,8 bilhões, de acordo com Rachel de Sá, analista de macroeconomia da XP.

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Fachada do Ministério da economia na Esplanada dos Ministérios - Foto: Agência Brasil

Os resultados das contas do governo em abril continuam refletindo a tendência observada nos meses anteriores. Pelo lado dos gastos, os números mostram despesas reduzidas devido ao orçamento ainda pendente (a peça orçamentária foi aprovada pelo Congresso no fim de abril), principalmente nos gastos discricionários – que caíram 38,4% na comparação anual.

Pelo lado das despesas obrigatórias, a primeira parcela do novo auxílio emergencial elevou R$ 9,7 bilhões os gastos, a compra de vacinas, R$ 4,6 bilhões e as despesas adicionais do Ministério da Saúde relacionadas à covid-19, R$ 4,8 bilhões.

Importa notar também a redução substancial das despesas totais do goverrno na comparação com o mesmo mês do ano passado, o que se explica pelo aumento dos gastos com programas para o combate à covid-19, como o auxílio emergencial, mas também pela antecipação de gastos para o mesmo fim, como com o 13º salário. Isso explica, de acordo com a analista da XP, a queda de 10% observada em abril deste ano nos gastos com previdência em relação ao igual mês de 2020.

Do lado da receita, a arrecadação de impostos continua reforçando o caixa do governo. O aumento ocorre na esteira da atividade econômica mais forte que o esperado no primeiro trimestre, uma moeda desvalorizada que pressiona os impostos de importação e preços ao produtor favorecidos pela alta das commodities e desequilíbrios na cadeia de produção.

A expectativa da equipe de analistas da XP é que os gastos se normalizem com a aprovação do orçamento, o que, na prática, tende a reduzir as surpresas positivas. Observam, contudo, que o lado das receitas deve continuar fortalecendo a arrecadação de tributos.

A arrecadação relacionada especialmente à produção industrial deve permanecer positiva, dada a recuperação da margem de lucro e a diferença entre a inflação de preços ao consumidor e os custos de insumos refletidos em indicadores ao produtor (IGPs).

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