Fundos de Investimentos

Conheça os 8 fundos DI que cobram a maior taxa de administração; eles rendem menos que o benchmark em qualquer período

São fundos do Itaú, Santander e Banco do Brasil

Data de publicação:12/09/2022 às 05:00 - Atualizado 2 anos atrás
Compartilhe:

A Selic está alta, em 13,75% ao ano, o rendimento na renda fixa está mais robusto, mas isso não é tudo para quem aplica em fundos de renda fixa. Sobretudo nos fundos DI.

Nessa classe de ativos, principalmente, o investidor precisa saber quanto está pagando de taxa de administração. Ou quanto de seu rendimento fica com a gestora que cobra taxa alta para cuidar do fundo onde aplica. Especialmente quando vários desses fundos zeraram esse custo.

Com taxa de administração mais alta, rendimento do cotista é menor - Foto: Jenifer Corrêa

A taxa de administração exigida ao ano, aparentemente irrisória, faz enorme diferença no ganho que pinga na conta do investidor. Principalmente em períodos mais longos.

O pedágio que em geral passa imperceptível ao investidor, porque é diluído no dia a dia, tira a competitividade dos fundos DI que têm taxas mais elevadas.

O impacto aparece nos resultados entregues aos cotistas, como mostram os dados de fundos DI mais caros selecionados pelo levantamento da Mais Retorno. Oito dos que cobram taxas de administração mais elevadas, de 1,75% ao ano, rendem menos que o benchmark, o CDI. Seja no ano, seja em outros períodos mais elásticos.

Os 8 fundos DI mais caros do mercado

FundoRend. 12 mesesRend.2022
Itaú RF Ref. DI Super9,26%7,20%
Itaú Prêmio RF Ref.9,18%7,15%
Santander RF Ref. Centrum9,07%7,00%
Itaú Max RF Ref.9,25%7,20%
Itaú RF A Ref.9,25%7,19%
BB RF Ref. DI Ágil8,43%6,59%
Santander Extra Ref.8,87%6,91%
Santander Supremo RF Ref.9,16%7,02%
Fonte: Mais Retorno

Os dois fundos mais rentáveis no ano, já no período de juros mais altos, o Itaú RF Referenciado DI Super FIC FI e o Itaú Max RF Referenciado DI FIC FI, ambos com rendimento de 7,20%, entregaram aos cotistas um ganho 0,38% abaixo do CDI de 7,61% acumulado até agosto.

O impacto da taxa de administração, que distancia o rendimento do benchmark, fica mais pesado em prazos mais longos. Em 13 anos, o Itaú Max RF Referenciado DI Super FIC FI, o mais bem posicionado da lista, entregou um rendimento de 148,83%. Ou 23,06% menos que a variação acumulada de 206,21% no período.

Especialistas afirmam que a gestão simples do fundo DI, em que a carteira é formada basicamente por Letras Financeiras do Tesouro (LFT), que segue a Selic, não combina com taxas de administração elevadas.

Gestão mais simples não justifica taxa alta

A legislação define que fundos de renda fixa referenciados DI, os fundos DI, devem alocar no mínimo 95% de seu patrimônio em títulos públicos atrelado à Selic, o juro básico da economia.

César Pallone, especialista em investimentos na SVN, diz que cada fundo pode ter sua política de taxa de administração, mas concorda que “alguns fundos DI cobram uma taxa elevada para uma gestão simples de carteira”.

Ele comenta também que é grande o impacto da taxa sobre o rendimento. Pallone calcula que em um fundo que cobra taxa de administração de 1,75% ao ano, comparado com outro que concede isenção de taxa, o investidor deixa de ganhar 9,06% em cinco anos e 18,94% em dez anos. Uma parcela do rendimento que escapa pelos vãos dos dedos, afirma.

A diferença é expressiva em períodos mais longos. Veja no gráfico abaixo: o Santander FIC FI Extra, com rendimento de 92,53% em 13 anos, desde julho de 2009, perde feio para o CDI com variação acumulada de 206,83% no mesmo período.

O fato é que o rendimento de todos os 8 fundos ficam abaixo do benchmark em função da beliscada mais forte da taxa de administração. No outro extremo, dos mais rentáveis, estão os fundos de renda fixa que superaram com muita folga o CDI, o campeão deles rendeu o dobro desse referencial.

Fonte: 'Comparador de Ativos'

O custo com a taxa de administração costuma crescer em fundos (FICs) que investem em cotas de outros fundos. O especialista explica que, em geral, “cada fundo cobra uma taxa de administração”, um custo que aumenta à medida que se amplia o processo de repetição. “Cada fundo espelho cobra separadamente os custos.” 

Ele aponta duas opções para o investidor que quer evitar que uma fatia de seu rendimento fique com o gestor, na forma de taxa de administração. A primeira é procurar os fundos DI que não cobram taxa de gestão ou exigem taxas mais baixas.

Existem vários no mercado, e uma pesquisa vai ajudar a encontrar um deles. Sem taxa ou com custo menor. O Trend DI Simples FI RF, por exemplo, é um dos que não cobram taxa de administração nem performance.

Outra é a compra direta de LFT, título que forma a carteira desses fundos, no Tesouro Direto.  Desde agosto de 2020, o Tesouro Selic, nome da LFT na plataforma do Tesouro, ficou isento da taxa de custódia até o estoque de R$ 10 mil por investidor (CPF). É possível investir nesse título pelo Tesouro Direto a partir de R$ 30.

O que os bancos falam

A Santander Asset esclarece que “os fundos em questão (caso do Santander FIC FI Supremo RF Referenciado DI) não fazem parte da oferta ativa e nesta classe de fundos temos produtos competitivos e eficientes para ofertar aos nossos clientes em todos os segmentos”.

Em relação ao BB RF Simples Ágil, o Banco do Brasil explica que os produtos de movimentação automática são utilizados como ferramenta de apoio à gestão de fluxo de caixa para rentabilização de recursos de curtíssimo prazo.

Dessa forma, o produto automático o BB Simples Ágil não faz parte de recomendação de investimento na composição de carteira sugerida para o investidor, não devendo, assim, ser considerado um produto de investimento.

"Ainda, informamos que o referido produto automático possui rentabilização diária, não dependendo de datas específicas, a exemplo da poupança, cuja rentabilidade só acontece nos dias de aniversário do investimento", diz o banco.

O Itaú não respondeu aos questionamentos.

Leia mais:

Sobre o autor
Tom MorookaColaborador do Portal Mais Retorno.