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Commodities vão continuar caindo nesses próximos meses? Confira opinião de especialistas

Guerra na Ucrânia, covid-19 na China, inflação global, temores de recessão no mundo contribuem para um novo período de desafios para os produtos

Data de publicação:01/08/2022 às 05:00 -
Atualizado 2 meses atrás
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O mês de agosto tem início com o mercado atento ao movimento das commodities nesses próximos meses.

Fatores como a guerra na Ucrânia, política de tolerância zero à covid-19 na China, demanda apertada, inflação global nas alturas e temores de recessão no mundo, contribuem para que produtos como petróleo, minério de ferro, trigo, milho e soja sigam enfrentando um período desafiador.

commodities
Preço do minério de ferro caiu nos últimos meses com lockdowns na China - Foto: Reprodução

Rodrigo Moliterno, head da Veedha Investimentos, as commodities metálicas, como minério de ferro e petróleo, vem recuando nos últimos meses, refletindo os fatores mencionados acima.

No segundo trimestre, o preço médio do minério de ferro caiu 3%, para US$138 a tonelada.

“Um dos pontos principais foi o aumento da taxa de juros nos Estados Unidos, que está desacelerando a economia e colocando o país em uma possível recessão, influenciando na queda das commodities, principalmente metálicas”, ressalta.

Rodrigo Moliterno, da Veedha

Os lockdowns em grandes cidades da China fez com que os mercados de minério de ferro e aço sofressem perdas no segundo trimestre, com a redução da demanda do produto no maior produtor e consumidor dessas commodities no mundo.

De acordo com notícias da própria China, o país não deve abrir mão dessa política de combate ferrenho contra o vírus tão cedo, somente com uma queda forte no número de casos de contaminação.

Moliterno acredita que é possível que o preço da tonelada do minério de ferro volte ao patamar de US$ 100,00.

Tudo depende da China

No entanto, o head da Veedha aponta que o país do dragão vermelho vem sinalizando movimentos para reaquecer a economia, principalmente com o fornecimento de estímulos – estima-se, na casa dos US$ 40 bilhões – para dar uma injeção de ânimo ao setor imobiliário, que voltou a correr um novo risco de colapso.

“Se o setor imobiliário chinês voltar a respirar, a tendência é que o preço do minério de ferro volte a subir, mas não chegará perto do pico. Vale lembrar que temos uma economia global em retração”, destaca.

Petróleo

Com o preço do barril oscilando próximo de US$ 100, a commodity não deve sofrer um forte revés, na visão de Moliterno. “Apesar de termos problemas de demanda menor, ainda há um certo equilíbrio entre oferta e demanda. Os problemas no Oriente e a guerra na Ucrânia limitaram a oferta”.

Segundo uma pesquisa feita pela Reuters e publicada pela Forbes, a alta nos preços do petróleo pode ser freada com os temores de recessão e surtos de covid-19 reduzirem a demanda.

Além disso, de acordo com o levantamento, diminuem os riscos de problemas no fornecimento por conta da guerra da Ucrânia e das restrições de produção da Opep+.

Especialistas projetam que o petróleo Brent chegaria a uma média de US$ 105,75 o barril neste ano, alinhado com o benchmark global de US$ 105.

A previsão de crescimento da demanda para este ano também foi reduzida para uma faixa de 1,4 a 2,5 milhões de barris por dia (bpd).

Além disso, os analistas apontam que os aumentos das taxas de juros dos principais BCs do mundo e as restrições na China azedaram as perspectivas de aumento da demanda.

No entanto, as sanções ocidentais aos produtores russos de petróleo e da Opep+, que mantêm um controle sobre a oferta, colocarão um freio nos preços, observaram analistas.

Para muitos deles, o preço do petróleo Brent deve continuar sendo negociado na faixa dos US$ 100 a US$ 120 o barril até o fim deste ano.

A próxima reunião da Opep+ ocorre nessa semana e deve ser acompanhada de perto pelo mercado, pois seu atual acordo de produção termina em setembro.

Gás natural

Em relação ao gás natural, as perspectivas dos especialistas são de que os preços sigam pressionados, principalmente na Europa, com a proximidade do inverno, além do fato de que a Rússia reduziu a oferta do produto, na visão de Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos.

Commodities agrícolas

Com os efeitos do fenômeno climático La Niña reduzido e maior risco de recessão global, o preço das commodities agrícolas devem cair como um todo, aponta Crespi.

“A ascensão da Índia como grande produtora de commodities como trigo, arroz, cana de açúcar e tentando dominar a produção de algodão tira um pouco a pressão dos preços dos produtos, que foram afetados pela guerra na Ucrânia”.

Rodrigo Crespi, da Guide Investimentos

Outro aspecto diz respeito ao acordo entre Rússia e Ucrânia que envolve a liberação do escoamento de grãos, o que, de acordo com Moliterno, “fez com que o preço do trigo e milho, commodities nas quais ambos os países são grandes produtores, recuarem no preço”.

Efeitos nas empresas

A queda nos preços das commodities – no caso do minério de ferro - já está sendo sentida principalmente pelas mineradoras e siderúrgicas no Brasil. Prova disso é o impacto desse movimento nos lucros das gigantes do setor no segundo trimestre de 2022.

O lucro da Vale caiu mais de 50% no período, somando US$ 4,093 bilhões entre abril e junho deste ano, ante US$ 8,147 bilhões na mesma base comparativa de 2021. No entanto, anunciou o pagamento de US$ 3 bilhões em dividendos.

Já o efeito da desvalorização da commodity foi ainda mais intenso na Usiminas, que reportou baixa de 70% (R$ 1,060 bilhão) na comparação do lucro líquido obtido nos meses de abril, maio e junho deste ano ante o mesmo período de 2021.

Nas petroleiras, os reflexos foram mais amenos. A Petrobras, por exemplo, registrou um lucro de R$ 51,3 bilhões, anta de 26,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

A receita da petroleira subiu mais de 50% e a companhia anunciou o pagamento de dividendos recordes no valor de R$ 87,8 bilhões, montante que surpreendeu o mercado.

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