Fundos de Investimentos

Você já ouviu falar sobre uma carteira administrada? E sobre fundos de investimentos? Essas são duas formas que você tem para terceirizar as decisões sobre investimentos, obtendo assim uma maior tranquilidade para a sua rotina.

No entanto, quais são as diferenças entre esses dois formatos? Será que existe algum deles que seja mais recomendado para o seu perfil de investidor? Para responder a todas essas dúvidas, no artigo de hoje vamos abordar essas metodologias, assim como as suas principais características.

O que são fundos de investimentos?

Vamos começar pelo modelo que é mais conhecido inclusive por aquelas pessoas que não são tão próximas do mercado financeiro. Os fundos de investimentos são uma espécie de "condomínio de investimentos", uma analogia muito empregada no universo das finanças.

O que acontece é que muitas pessoas se interessam por terceirizar a tomada de decisão dos seus investimentos. Desta forma, elas podem procurar por um fundo que se responsabiliza por receber o capital de diversos investidores e dar a um time de especialistas a missão de investir esse dinheiro.

É claro que, dentro de uma determinada classificação, os gestores possuem suas regras para atuação. Um fundo de renda fixa com mandato de títulos públicos, por exemplo, não pode alocar metade do seu patrimônio em fundo de ações, onde o risco é muito maior.

No entanto, ainda que o investidor conheça a categoria do seu fundo de investimentos, ele não tem qualquer voz para escolher os ativos ou mesmo a estratégia. A decisão é toda da gestão que, posteriormente, compartilha os lucros de acordo com a participação de cada cotista.

E o que é uma carteira administrada?

Já uma carteira administrada oferece também essa possibilidade de terceirização da tomada de decisão sobre os investimentos, mas de uma forma um pouco mais personalizada.

Aqui, o dinheiro permanece em uma conta em seu nome, mas quem toma as decisões por você é um gestor responsável pelo serviço. Ele será responsável por investir o capital de acordo com as suas determinações.

Você pode, por exemplo, determinar a seguinte alocação:

Veja, portanto, que é você quem cria e determina a política de investimentos para a carteira. Assim, cabe ao gestor dessa carteira seguir com a alocação respeitando os critérios estabelecidos.

Carteira administrada vs. fundos de investimentos: quais são as diferenças?

Agora que você já entendeu o que faz o gestor de um fundo de investimentos e de uma carteira administrada, podemos voltar nossos esforços para a pergunta mais importante: quais as principais diferenças entre esses dois formatos?

Vamos comparar alguns pontos essenciais na sua tomada de decisão entre investir em um fundo de investimentos e em uma carteira administrada.

Constituição jurídica

A primeira diferença entre os dois tipos de investimentos está na sua natureza jurídica. Não se preocupe: vamos passar longe do "juridiquês", pois o que você precisa saber é bem simples.

Um fundo de investimentos é composto por um CNPJ próprio, como se fosse uma empresa. É assim que ele pode receber investimentos de tantos investidores diferentes e centralizar a tomada de decisão. Os ativos comprados com esse dinheiro também ficam em nome do fundo (e não no seu).

Já uma carteira administrada é como se fosse uma conta específica dentro da sua instituição financeira. Isso significa que ela permanece em seu nome, apenas concedendo a um profissional a gestão do capital. Trata-se, portanto, de um serviço adicional oferecido ao cliente.

Em outras palavras, podemos resumir os efeitos da constituição jurídica da seguinte maneira:

Tomada de decisão

Em termos de tomada de decisão, os dois formatos atuam de forma muito similar. Ou seja, você vai terceirizar os investimentos para um gestor especializado. A grande diferença aqui está na personalização.

Enquanto o gestor de um fundo de investimentos vai seguir estratégias próprias de acordo com as oportunidades de mercado, um gestor de uma carteira administrada deve obedecer a sua política de investimentos determinada.

Em outras palavras, na carteira administrada você não escolhe os ativos que farão a composição da carteira, mas tem influência sobre as categorias e estratégias utilizadas. Já no fundo de investimentos, a sua participação é completamente passiva, entrando apenas com o investimento financeiro.

Benefícios fiscais

Quando o assunto é tributação, temos uma enorme vantagem para a carteira administrada que se origina da natureza jurídica que vimos anteriormente. A conta, afinal, é mantida no seu CPF. Já nos fundos de investimentos, o dinheiro é investido por uma empresa com CNPJ.

No Brasil, existem alguns benefícios fiscais que são exclusivos para a Pessoa Física. É o caso dos rendimentos mensais dos fundos imobiliários (isentos de Imposto de Renda) ou então da isenção de tributação sobre vendas de ações com lucro até o montante mensal de R$20 mil. Essas vantagens são perdidas ao usar dos fundos de investimentos.

Imagine que, por exemplo, uma situação em que você investiu R$10.000 em um conjunto de ações e obteve um lucro de R$2.000 com elas. Ao investir por uma carteira administrada, não há tributação na medida em que você é uma Pessoa Física. Já essa mesma operação feita por um fundo de investimentos te obriga a pagar o Imposto de Renda de 15% sobre o lucro conquistado.

Aplicação mínima e taxas

Em termos de custos, os dois formatos novamente são parecidos. Ambos praticam taxas sobre o patrimônio do investidor de modo que o mais importante é estar atento a quais são os percentuais aplicados.

Uma vantagem que os fundos de investimentos podem ter está na aplicação mínima. Existem inúmeros produtos que aceitam cotistas com baixos valores como R$100, R$250 ou R$500.

No caso de uma carteira administrada, até em função da personalização do serviço, algumas instituições financeiras exigem um patrimônio maior. Apesar disso, vale mencionar que cada vez mais bancos e corretoras vêm aumentando a flexibilização dessa gestão personalizada.

Afinal, qual é melhor: carteira administrada ou fundo de investimentos?

Diante de tudo que vimos ao longo do artigo, imagino que ainda reste alguma dúvida de qual é a melhor escolha para o investidor. A resposta depende diretamente dos seus objetivos financeiros.

A carteira administrada pode ser um caminho interessante para aquele investidor que gosta de terceirizar a tomada de decisão para um especialista, mas se incomoda de não ter um acesso próximo ao que será feito com o seu capital. Os benefícios fiscais também são atrativos.

Por outro lado, a depender da sua instituição financeira, pode ser que você sequer tenha acesso ao serviço em função de uma exigência patrimonial. Além disso, a política de investimentos é definida pelo investidor, o que exige um maior conhecimento do mercado financeiro e das oportunidades de alocação.

De qualquer forma, tanto a carteira administrada como o fundo de investimentos podem atender bem aquela pessoa que não deseja acompanhar de perto o mercado financeiro. Assim, contar com a ajuda de um gestor especializado pode ser um bom caminho.

Imagem do autor

Formado em Administração pela PUC-SP. Trabalhou em empresas do segmento financeiro (Itaú BBA) e varejo (BRMALLS) até 2016, quando iniciou a jornada de produção de conteúdo para a internet com foco em finanças.

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