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Mercado Financeiro

Com baixo volume, Bolsa sobe 1,24% puxada pela valorização da Petrobras; dólar cai a R$ 5,56

Dados econômicos e cenário fiscal também estiveram no radar dos investidores

Data de publicação:25/11/2021 às 18:37 -
Atualizado 2 meses atrás
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Em dia de liquidez bastante reduzida nos mercados financeiros globais, devido ao feriado de Ações de Graça nos Estados Unidos, em que bolsas de Nova York ficaram fechadas, a B3, Bolsa de Valores brasileira, viveu o terceiro pregão consecutivo de valorização e fechou em alta de 1,24%, aos 105.811 pontos. Ações de diversos setores subiram ao longo do dia, mas foi a Petrobras a principal responsável por puxar o Ibovespa para cima.

Na véspera, a petroleira anunciou um aumento de 24% em seu plano de investimento para o período entre 2022 e 2026, chegando ao valor de US$ 68 bilhões. Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, explica que a notícia que mais animou o mercado referiu-se aos proventos: a estatal estima que a distribuição de dividendos aos acionistas poderá chegar a US$ 70 bilhões até 2026, sendo que parte desse valor, até US$ 25 bilhões, destinados à União.

ações da petrobras bolsa
Ações da Petrobras empurram Bolsa para cima no pregão desta quinta-feira | Imagem: REUTERS/Paulo Whitaker

"O diretor financeiro da Petrobras, Rodrigo Araújo, disse que a antecipação da meta para o endividamento abre uma nova fase para a companhia, que a partir de 2022 deve conseguir distribuir dividendos equivalentes a cerca de 60% do fluxo de caixa operacional após investimentos", destaca Ribeiro. Repercutindo o anúncio, os papéis da companhia, que corresponde a cerca de 9% da carteira teórica da B3, avançaram 4,69% neste pregão.

Cenário doméstico

Ainda na agenda interna, mais cedo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados do IPCA-15 de novembro, considerado a prévia oficial da inflação. No mês, o indicador econômico registrou alta de 1,17%, o que equivale a uma desaceleração de 0,03 ponto porcentual em relação à taxa registrada em outubro.

A mediana das expectativas dos analistas do mercado era de uma alta de 1,13% para o IPCA-15 em novembro. No entanto, mesmo vindo um pouco acima das projeções, a leve desaceleração da inflação na comparação mês a mês não chegou a comprometer o humor dos investidores ao longo do dia.

Com esse resultado, que não apresentou grandes surpresas ao mercado e é o último dado da economia a ser divulgado antes da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a expectativa dos especialistas é que o Banco Central (BC) não deve elevar a Selic, taxa básica de juros que hoje está em 7,75% ao ano, muito acima daquilo que já foi precificado pelo mercado - uma alta em torno de 1,5 ponto percentual.

Vale lembrar que, nesta quarta-feira, 24, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, chegou afirmar que talvez segure um pouco mais a alta da taxa dos juros na próxima reunião e nos próximos meses para fazer frente a esse momento turbulento da economia brasileira, com indicadores econômicos fracos.

O dólar, acompanhando o cenário interno mais positivo e sem muitas influências vindas dos mercados internacionais, fechou em queda de 0,78% neste pregão, cotado a R$ 5,56.

No cenário fiscal, a atenção permanece com a PEC dos Precatórios, que não apresentou grandes novidades ao longo do dia. O texto da proposta foi lido na véspera pelo relator, Fernando Bezerra Coelho, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, trazendo mudanças em relação à proposta aprovada na Câmara.

Porém, a partir daí o tema não avançou. Não houve votação em plenário, porque parlamentares de quatro partidos pediram vistas ao texto preparado pelo relator. A análise e votação em primeiro turno pelo plenário do Senado, está prevista para a próxima terça-feira, 30.

No fim da tarde, no entanto, a notícia não foi nada animadora: em coletiva, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, não deu garantias de votação da PEC na próxima terça-feira, devido a ajustes que devem ser promovidos no texto.

O dia na Bolsa

Os sinais de uma possível desaceleração na escalada dos preços, a partir de análise sobre os números do IPCA-15, contribuíram para que os juros futuros fechassem majoritariamente em baixa neste pregão. Uma pressão menor sobre a inflação também retira a pressão sobre os juros.

Nesse contexto, diversas ações ligadas ao consumo doméstico, como empresas de construção civil, companhias aéreas e de turismo e as varejistas, fecharam no azul no pregão da Bolsa desta quinta-feira. Essas companhias vêm sendo bastante prejudicadas pela deterioração do cenário macroeconômico e estão sendo negociadas a um valuation bastante atrativo para os investidores.

Os papéis da Cyrela, Eztec, Lojas Americanas e Via, por exemplo, registraram alta de 5,24%, 5,30%, 2,11% e 1,19%, na sequência. Já a companhia aérea Gol e a CVC, companhia de turismo, estiveram entre as altas mais expressivas do dia e dispararam 8,47% e 6,80%, respectivamente. A Azul subiu 2,18%. O setor ainda pode sentir o impacto da greve dos pilotos de companhias aéreas nos próximos dias.

Na mesma esteira de altas, os bancos, que têm um peso de cerca de 17% na composição do Ibovespa, também se beneficiaram com os dados divulgados hoje. Bradesco, Itaú e Santander subiram 0,90%, 0,95% e 1,15%, nesta ordem. Enquanto isso, Banco do Brasil e BTG Pactual registraram avanços ainda mais expressivos na Bolsa, de 4,83% e 5,55%.

No campo das commodities, o minério de ferro registrou mais um dia de alta no exterior, contribuindo para alta de empresas siderúrgicas aqui no Brasil. Usiminas, Gerdau e CSN reportaram variação positiva de 0,66%, 1,31% e 2,75% em seus papéis, respectivamente. Em contrapartida, a Vale, que viveu alguns pregões consecutivos de alta, teve um movimento de realização de lucro nesta quinta-feira e caiu 0,75%.

Sobre o autor
Bruna Miato
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