Mercado Financeiro

Bolsa engata em leve recuperação de 0,10% puxada por bancos e Petrobras; dólar cai a R$ 5,57

Apesar do dia positivo para a Bolsa, os investidores seguem cautelosos com o risco fiscal do País

Data de publicação:20/10/2021 às 08:44 - Atualizado um mês atrás
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No dia seguinte ao tombo de mais de 3%, a Bolsa de Valores brasileira, a B3, recuperou parte das baixas da véspera, puxada sobretudo pelos bancões e Petrobras. O Ibovespa registrou leve alta de 0,10%% no pregão desta quarta-feira, 20, marcando 110.786,43 pontos. Já o dólar seguiu pelo caminho contrário e caiu 0,28%, cotado a R$ 5,567.

Embora o dia tenha sido de valorização para o principal índice da Bolsa, o tema central que continuou preocupando os foi o rumo do Auxílio Brasil, novo programa social do governo de Jair Bolsonaro, em substituição ao Bolsa Família, e os riscos fiscais trazidos pelo projeto.

Foto: Arquivo bolsa

No começo da tarde, o presidente confirmou a notícia que ajudou a derrubar o Ibovespa no dia anterior: o valor de R$ 400 para o Auxílio Brasil. "Ontem nós decidimos, como está chegando ao fim o auxílio emergencial, dar uma majoração para o antigo programa Bolsa Família, agora chamado Auxilio Brasil, a 400 reais", afirmou Bolsonaro em evento na cidade de Russas, no Ceará.

O que gera temor aos analistas e investidores é a perspectivas de que, para custear o programa, o governo estoure o limite do teto de gastos. O problema de elevar o valor do Auxílio Brasil é que não estão previstas novas fontes de receitas, por conta da morosidade da aprovação da reforma tributária – que foi levantada como uma possível alternativa para acomodar os gastos – ou da PEC dos precatórios, que teve sua votação remarcada mais uma vez.

Bolsonaro, no entanto, declarou que não vai furar o teto de gastos, mesmo sem explicar a origem dos recursos. "Temos a responsabilidade de fazer com que recursos saiam do Orçamento da União, ninguém vai furar teto, ninguém vai fazer nenhuma estripulia no Orçamento. Mas seria extremamente injusto deixar 17 milhões de pessoas com valor tão pouco no Bolsa Família", disse o presidente.

De acordo com Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, a principal questão é, justamente, como equalizar a conta respeitando o teto de gastos e os termos de reponsabilidade fiscal. "Levando em conta a perspectiva de crescimento do Brasil e os rumos do fiscal, a tarefa é praticamente impossível, pois até agora não há indicação de qualquer membro do governo de onde virá esse dinheiro", ressalta o especialista.

Discurso do presidente impactou a Bolsa

Depois do discurso do presidente, a Bolsa chegou a ficar no negativo, mas depois reagiu, com os bancos em movimento de forte alta. O setor financeiro é a principal porta de entrada dos investidores na Bolsa pela liquidez de seus papéis. Com a desvalorização acentuada da véspera, os investidores aproveitaram para comprar as ações que estavam sendo negociadas a um valor bastante descontado - as chamadas pechinchas.

Dessa forma, o Bradesco fechou o dia com um avanço de 3,30% em seus papéis, uma das maiores altas da Bolsa no dia. Na mesma esteira, Itaú e Santander subiram 2,30% e 3,26%.

Ainda no campo das altas, destaque para as ações da Petrobras, que fecharam em alta de 1,43%, com a valorização do petróleo no exterior. Os investidores aguardam a divulgação dos dados de produção da companhia no terceiro trimestre ao fechamento do pregão desta quarta-feira.

Segurando um avanço mais acentuado da Bolsa, as ações ligadas ao minério de ferro caíram forte, acompanhando o movimento de desvalorização da commodity nos mercados internacionais com as medidas restritivas adotadas pelo governo chinês. A Vale, que responde a cerca de 14% da composição do Ibovespa, recuou 3,28%. Enquanto isso, CSN, Usiminas e Gerdau reportaram queda de 0,51%, 3,98% e 1,76%.

Outro setor que registrou baixa no pregão foi o varejo. Ribeiro explica que, enquanto as dúvidas quanto ao cenário fiscal persistirem, "o prêmio da curva de juros, que no momento aponta Selic na faixa de 10% no ano que vem, seguirá firme e os investidores seguirão penalizando a bolsa brasileira com esse incremento de risco".

Com os juros mais altos e em um cenário de escalada da inflação, a renda do consumidor é corroída e se torna mais caro fazer financiamentos e tomar crédito. Assim, a tendência é que o consumo caía, refletindo nas empresas varejistas. Nesta quarta, Magazine Luiza, Lojas Americanas, Via e Méliuz tiveram desvalorização de 3,50%, 0,16%, 3,97% e 3,84% em seus papéis, respectivamente. / com Agência Estado

Sobre o autor
Bruna Miato
Bruna MiatoRepórter na Mais Retorno