Mercado Financeiro

Definição do Auxílio Brasil a R$ 400, com maior risco ao ajuste fiscal, derruba a Bolsa e faz dólar disparar, a R$ 5,58

A Bolsa despencou 3,28% no pregão desta terça-feira, 19, caindo aos 110.672,76 pontos, enquanto o dólar subiu 1,29%, a R$ 5,58

Data de publicação:19/10/2021 às 09:18 - Atualizado um mês atrás
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A Bolsa de Valores brasileira, a B3, derreteu aos 110.672,76 pontos nesta terça-feira, 19, com queda acentuada de 3,28%. O mesmo nível registrado em março deste ano. A queda do mercado esteve ligada diretamente à definição e anúncio do valor do Auxílio Brasil, programa assistencial para substituir o Bolsa Família, em breve.

É intenção do presidente Bolsonaro anunciar um benefício de R$ 400 em 2022, acima dos R$ 300 previstos anteriormente pela equipe econômica. O problemas é que não estão previstas novas fontes de receita, e o acréscimo dos R$ 100 seria contabilizado fora do teto de gastos do governo.

Foto: Envato bolsa
Foto: Envato

Para Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, "o fato é que o Brasil está sendo reprecificado mediante sua capacidade de solvência, a qual se reduz à medida que Lira e Bolsonaro caminham para uma ampliação do déficit fiscal".

O Ministério da Cidadania iria anunciar o lançamento do Auxílio Brasil em um evento que aconteceria hoje, às 17h. A pasta cancelou o evento, entretanto, sem uma nova previsão de data para o anúncio oficial do programa.

A notícia do cancelamento ajudou o Ibovespa a esboçar uma leve reação e fechar com uma queda menor - o índice chegou a cair para o patamar dos 109 mil pontos no meio da tarde (109.947).

De acordo com o analista da Clear Corretora, Rafael Ribeiro, o novo arranjo para ampliar os benefícios sociais "piora drasticamente a expectativa quanto ao fiscal brasileiro e beira ao que nenhum investidor quer ver mais no Brasil: irresponsabilidade fiscal".

Neste contexto, aumenta a aversão aos riscos por parte dos investidores, tanto os nacionais quanto os estrangeiros, que optam por ativos mais seguros do que os do mercado acionário, como o dólar, considerado uma moeda forte, e os títulos de renda fixa. A moeda americana subiu forte neste pregão, com alta de 1,29%, cotada aos R$ 5,583, mesmo com as intervenções do Banco Central.

A curva de juros também disparou, com alguns contratos apontando altas de mais de 60 pontos-base. A valorização dos juros futuros foi generalizada entre os diversos prazos de vencimento. No entanto, as maiores altas foram observadas nos contratos que vencem em setembro de 2024, que subiram 0,65%, a 10,9% ao ano, e naqueles com vencimento em março de 2024, com alta de 0,61%, chegando a 10,75% ao ano.

Ribeiro destaca que para os próximos dias, para a Bolsa os 114 mil pontos mais uma vez serão a principal barreira para romper. "Somente um fechamento acima deste patamar em base semanal para o índice, de fato, anular a tendência de baixa de curtíssimo prazo e justificar um repique maior", afirma o analista.

Cenário político e fiscal

Além da pauta do Auxílio Brasil, outros assuntos da cena política e fiscal ajudaram a azedar o humor dos investidores nesta terça-feira.

O senador Angelo Coronel, relator do projeto de reforma do Imposto de Renda, afirmou que “não dá para fazer um relatório sob pressão e nem na pressa que eles (lideranças políticas) querem”. A intenção do governo era acomodar os gastos do novo programa social na reforma do IR.

Além disso, o relator afirmou que irá retirar do texto a proposta de tributação de lucros e dividendos das empresas. Segundo o senador, a tributação levaria ao “maior contencioso tributário da história” e considerou o projeto como “peça eleitoreira”.

O analista da Clear destaca que, com base em informações da Receita Federal, a taxação de lucros e dividendos deverá agregar, aproximadamente, R$ 131,5 bilhões entre 2022 e 2024 em termos de receita para o governo. Ou seja, caso haja retirada da proposta haverá uma perda significativa e isso tende a gerar inúmeras dúvidas sobre o rumo do fiscal.

Outro fator que pesou no pregão desta terça-feira foram algumas falas do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira. Ele afirmou que estava prevista para esta terça-feira a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos precatórios na Casa. A votação, no entanto, foi adiada e está prevista para acontecer nesta quarta-feira, 20. Além disso, Arthur Lira, relativizou a importância do cumprimento das regras fiscais e do teto de gastos.

Étore Sanchez ressalta que o avanço dos juros futuros "passa despercebido por políticos no curto prazo, visto que é difícil para eles saberem a relação em reais". Assim, o economista explica que, apenas de ontem para hoje, as falas e pretensões da ala política, que impulsionaram os juros, já retiraram quase R$ 6 bilhões do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Bolsa em queda generalizada

Refletindo as movimentações do governo, o mercado de ações brasileiro viveu um dia de baixas generalizadas em diversos setores da economia.

As empresas que mais pesam na composição do Ibovespa também acompanharam o movimento de desvalorização. A Vale, que corresponde a cerca de 14% da carteira teórica da B3, encerrou o pregão com queda de 1,15%. As siderúrgicas seguiram a tendência. CSN, Usiminas e Gerdau caíram 2,95%, 3,05% e 1,24%, respectivamente.

Ainda no campo das commodities, as ações da Petrobras recuaram 4,89% na Bolsa.

Entre os bancões, principal porta de entrada e saída dos investidores estrangeiros na Bolsa brasileira pela alta liquidez de seus papéis, também registraram quedas acentuadas. Bradesco, Itaú e Santander caíram 3,09%, 2,37% e 4,30%, na sequência.

Com a alta na curva de juros, setores que lidam com o consumidor final também foram penalizados. Este é o caso das empresas de construção civil e varejo que dependem de melhores condições econômicas para que as pessoas possam fazer financiamentos e tomar crédito com menos risco.

Dessa forma, Cyrela e Eztec despencaram 7,19% e 6,75%. Já as varejistas Magazine Luiza, Lojas Americanas e Via recuaram 3,85%, 1,56% e 4,65%.

A única alta do dia ficou por conta das ações da Getnet, que fez sua estreia na Bolsa na véspera e disparou 17,88% neste pregão.

Bolsas americanas

Lá fora, o humor do mercado seguiu elevado nesta terça-feira, pautado por mais uma boa safra de resultados trimestrais corporativos das empresas. Nesta semana é a vez de os investidores conhecerem os números do terceiro trimestre de algumas das gigantes de tecnologia, como Netflix e Intel. 

Em Nova York, as bolsas fecharam o dia em ata. Os índices S&P 500, Dow Jones e Nasdaq 100 subiram 0,74%, 0,56% e 0,72%, respectivamente.

Segundo analistas, o mercado está prestando muita atenção à temporada de balanços para identificar com os custos mais altos de energia e matérias-primas estão afetando as margens de lucro.

Sobre o autor
Bruna Miato
Bruna MiatoRepórter na Mais Retorno
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