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As empresas que mais tendem a sofrer com as medidas propostas na reforma tributária, que foram encaminhadas pelo governo ao Congresso na última sexta-feira, são as do setor bancário, de telecomunicações e a Ambev.

Essa foi a conclusão a que chegou o time de análise do banco BTG Pactual ao fazer uma simulação de resultados de 150 empresas brasileiras acompanhadas pelo banco, considerando a vigência de novas regras de cobrança de imposto.

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Com as mudanças no imposto, ganhos do setor bancário podem cair cerca de 5% em 2023 pelas projeções

No exercício, os analistas levaram em conta a redução do imposto para as empresas de 25% para 22,5% em 2022, e para 20%, a partir de 2023; fim do benefício fiscal gerado pelo pagamento de juros sobre o capital próprio; e a cobrança de imposto de 20% sobre os dividendos, que hoje são isentos.

Eles também partiram do princípio de que as empresas não vão alterar seu atual sistema de pagamento de dividendos nem sua estrutura de capital. E a sinalização é de que o impacto sobre as companhias e seus acionistas pode ser relevante.

As empresas que costumam distribuir seus lucros aos acionistas por meio de juros sobre o capital próprio serão as mais afetadas, afirmam eles. A estimativa do BTG Pactual é a de que os ganhos das empresas do setor bancário e de telecomunicação caiam em cerca de 5% e 9%, respectivamente em 2023, com as novas medidas.

A Ambev, segundo eles, é outra pagadora de juros sobre o capital próprio e, por isso, também seria afetada pela nova legislação, se aprovada no Congresso.

Ao mesmo tempo, os especialistas do BTG Pactual afirmam que os ganhos vão crescer para as empresas que não pagam juros sobre o capital próprio, devido à redução da alíquota de imposto. Eles ressaltam, no entanto, que os dividendos líquidos de imposto vão cair.

Entre os setores beneficiados estariam os de infraestrutura, aluguel de automóveis, bens de capital. O lucro de companhias de óleo e gás e do agronegócio deve aumentar entre 6% e 8% em 2023, pelas projeções do banco.

“Ainda assim, mesmo que algumas empresas vejam seus ganhos aumentarem, seus acionistas, provavelmente, vão receber menos dividendos”, dizem os analistas em relatório.

Entre outras consequências, eles apontam para um aumento das recompras de ações e alavancagem; e mais lucros reinvestidos. “Um possível efeito colateral da nova legislação é que as empresas podem optar por priorizar recompras de ações em vez de distribuição em dinheiro, o que em tese produziria o mesmo efeito dos dividendos para os acionistas”.

Com a reforma tributária, a tendência é a de que as empresas, especialmente as com dificuldades financeiras, passem a alavancar seus balanços de modo a reduzir o lucro tributável.

Ainda no campo das estimativas, os profissionais entendem que o imposto sobre os dividendos pode levar as empresas a reduzir a distribuição dos proventos e a reinvestir uma parte de seus ganhos, ou, ainda, aumentar seu apetite para transações de fusões e aquisições.

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Editora do Portal Mais Retorno.

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