Mercado Financeiro

Ações de varejo e construção civil despencam com inflação e alta dos juros

Setores que dependem do financiamento para o giro de seus negócios sofrem mais com alta da inflação e juros

Data de publicação:27/10/2021 às 08:00 - Atualizado um mês atrás
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Impactada pela surpresa negativa trazida pelo IPCA-15 de outubro, que apresentou uma inflação acima das projeções do mercado, e a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) eleve a Selic, taxa básica de juros, a um nível maior do que o sinalizado na última ata, a Bolsa de Valores brasileira, a B3, caiu 2,11% nesta terça-feira, 26. Entre as maiores quedas, o destaque fica com as ações de empresas de construção civil e varejo.

O cenário de escalada nos preços e elevação dos juros, além de corroer o poder aquisitivo do consumidor, torna mais caro o crédito. O efeito é imediato e direto em setores que dependem do financiamento para suas vendas, como os de varejo e da construção.

Foto: Envato ações
Foto: Envato

Cenário macroeconômico e o impacto nas ações

De acordo com Pedro Palmezani, analista CNPI da CM Capital, o maior impacto para os papéis desses setores nesta terça-feira, no entanto, foi menos sobre se haverá uma elevação na Selic e mais sobre quanto acima dos 100 pontos-base este aumento estará. Para ele, a preocupação do mercado é que "o aumento venha acima do que já estava precificado nas ações desses setores, do que já havia sido prometido".

Na última ata do Copom, a entidade monetária do Banco Central (BC) elevou a taxa básica de juros de 5,25% para 6,25% ao ano e sinalizou que, na reunião de outubro, era prevista uma alta dentro das mesmas proporções. O ciclo de alta nos juros acontece em períodos em que a inflação mostra vigor, numa tentativa de frear o aumento dos preços.

Dessa forma, o resultado do IPCA-15 apresentado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na manhã desta terça-feira, aumentou as especulações sobre a possibilidade de uma elevação da Selic que gire entre 1,25 e 1,50 ponto porcentual. O indicador, que é uma prévia da inflação oficial do País, registrou alta de 1,20% em outubro, acima das expectativas dos analistas, de 1,00%. Este é o maior avanço para o mês desde 1995.

O dado econômico indica que, apesar das últimas elevações na taxa Selic durante 2021, a inflação segue avançando com fôlego. Neste cenário, diversas casas de investimento atualizaram para cima suas projeções para a decisão do Copom em relação a taxa básica de juros nesta quarta-feira.

Os bancos Bradesco, Safra, Goldman Sachs e Credit Suisse esperam uma alta de 1,25 ponto porcentual, o que levaria a Selic ao patamar de 7,50% ao ano. Já o Itaú, BTG Pactual Digital, BNP Paribas e as corretoras XP Investimentos e CM Capital projetam que a taxa de juros deve chegar a 7,75% ao ano nesta reunião, com uma elevação de 1,50 ponto porcentual.

Vale destacar, ainda, que as notícias da última semana em relação ao cenário fiscal do Brasil também contribuem para a perspectiva de pressão inflacionária ainda mais forte. Se, de fato, o Auxílio Brasil passar a pagar parcelas de, no mínimo, R$ 400 para os beneficiários do projeto, a quantidade de dinheiro circulando na economia aumenta, além de crescer também os gastos do governo. Combo perfeito para a aceleração da inflação

Neste contexto, as empresas que podem ter suas receitas comprometidas com a inflação alta e os juros subindo sentem um baque maior das decisões de política monetária em suas ações na Bolsa de Valores.

No pregão desta terça, algumas das maiores baixas da B3 ficaram por conta das companhias do setor de construção civil e varejo. As construtoras Eztec, Cyrela e MRV levaram um tombo de 7,63%, 5,06% e 4,40%, na sequência. Já as gigantes varejistas Magazine Luiza, Lojas Americanas e Via viram suas ações registrarem queda acentuada de 2,91%, 6,06% e 6,03%, nessa ordem.

A Méliuz e a Cielo, respectivamente, plataforma de cupons de desconto e cashback e empresa de maquininhas de cartão, ambas bastante afetadas pelos níveis de consumo no varejo, também fecharam o último pregão no vermelho, com variação negativa de 6,73% e 6,88%.

Aviação e turismo

Outro setor que viveu um dia de quedas nesta terça-feira foi o de aviação e turismo, com a Azul liderando as baixas da B3 ao despencar 8,37%. Na mesma esteira, CVC e Gol reportaram forte recuo de 6,83% e 5,93%, respectivamente.

Palmezani explica que, além do cenário macroeconômico que também castiga as companhias do setor - uma vez que boa parte de sua receita depende da renda do consumidor final -, as companhias ligadas à aviação estão refletindo a possibilidade de greve por parte dos aeronautas no Brasil a partir de dezembro.

Nesta segunda-feira, os profissionais vinculados ao Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) decidiram, em votação, que a entidade tem autorização para iniciar um "procedimento para realização de greve", caso a nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) não esteja fechada até 20 de novembro.

O SNA pede, entre outros pontos, pelo reajuste salarial com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado nos últimos 24 meses, tendo em vista que, por conta da pandemia, a categoria abriu mão do reajuste no último ano.

Simultaneamente, o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA), entidade patronal, afirma que, com o avanço da covid-19 ao longo dos dois últimos anos, o prejuízo acumulado pelas companhias aéreas é bilionário. Em nota, o SNEA se diz, ainda, surpreso que o SNA esteja "ameaçando as empresas e a população com a paralisação dos voos, principalmente em um período importante de retomada da oferta e próximo da alta temporada".

Maiores baixas da Bolsa em outubro

Refletindo o cenário macroeconômico e as perspectivas de risco fiscal que assombram o mercado, principalmente desde a última semana, a maioria das principais baixas registradas pela B3 em outubro, até aqui, são de empresas ligadas ao varejo ou à construção civil. Confira as 15 ações que mais caíram na Bolsa neste mês, até o fechamento do pregão de terça-feira, 26 de outubro.

  • Méliuz (CASH3) caiu 37,77%
  • Azul (AZUL4) caiu 26,12%
  • BRF (BRFS3) caiu 22,55%
  • Gol (GOLL4) caiu 21,87%
  • CVC (CVCB3) caiu 21,42%
  • Petz (PETZ3) caiu 19,01%
  • Cyrela (CYRE3) caiu 18,83%
  • Eztec (EZTC3) caiu 18,43%
  • Locamerica (LCAM3) caiu 17,13%
  • Alpagartas (ALPA4) caiu 16,84%
  • Localiza (RENT3) caiu 16,47%
  • Magazine Luiza (MGLU3) caiu 16,46%
  • Assaí (ASAI3) caiu 16,01%
  • MRV (MRV3) caiu 15,30%
  • Hapvida (HAPV3) caiu 15,16%
Sobre o autor
Bruna Miato
Bruna MiatoRepórter na Mais Retorno
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