A queda da taxa básica de juros parece que chegou ao fim. Mesmo assim estamos em níveis jamais vistos em nossa história.

Isso abriu caminho para muitas coisas positivas no país, como a valorização que a bolsa experimentou por algum tempo, uma queda do custo da dívida tanto das pessoas quanto do governo, maior facilidade para tomar empréstimos. Enfim, os benefícios são diversos.

No entanto, como sempre fomos um país de juros elevados, as aplicações de Renda Fixa sempre tiveram um grande atrativo por aqui.

A questão que fica é: será que com toda essa queda da taxa Selic ainda vale a pena investir em Renda Fixa?

É sobre isso que iremos tratar hoje.

Por isso continue lendo para saber mais sobre:

  1. Afinal, ainda vale a pena investir em Renda Fixa?
  2. Perspectivas e cenários econômicos para o segundo semestre de 2018
  3. Como investir em Renda Fixa com juros subindo

Afinal, ainda vale a pena investir em Renda Fixa?

Vale a pena investir em Renda Fixa

As aplicações de Renda Fixa são conhecidas pelos poucos sustos que se passam ao se investir nesse tipo de aplicação. Em resumo, são aplicações que têm um risco notavelmente menor em comparação com alternativas de Renda Variável.

Consequentemente, investimentos em Renda Fixa têm um potencial retorno significativamente menor do que o da Renda Variável em condições normais, é claro. Lembre-se da relação inversa entre risco e retorno, que sempre frisamos aqui no Mais Retorno

No ambiente que vivemos, de taxa de juros historicamente baixas, isso é ainda mais verdade e a rentabilidade da Renda Fixa já não entrega mais os amados “1% ao mês” há algum tempo.

Porém, a Renda Fixa sempre será uma opção a ser considerada quando o investidor tiver objetivos e perfis de risco específicos (isso, inclusive, é algo que você sempre precisará ter em mente quando investir).

Investidores que têm um perfil conservador, isto é, aqueles que não desejam ter nenhuma surpresa com suas aplicações ou que objetivam apenas proteger seus recursos da inflação com um ganho pequeno (lembre-se da diferença entre rendimento real e nominal), são exemplos de pessoas para quem as aplicações de Renda Fixa continuam valendo.

Em outras palavras, aplicando em Renda Fixa esses investidores ainda conseguem proteger o patrimônio da corrosão da inflação e ter um rendimento satisfatório, embora menor que em outros tempos.

Investidores que pensam em investimentos como forma de poupar para a aposentadoria, também podem considerar a Renda Fixa uma alternativa viável, em especial os títulos públicos.

Mas o ambiente de taxa de juros baixos requer que mesmo esses investidores escolham com cuidado onde aplicar, ainda que seja apenas em Renda Fixa.

Explico melhor o porquê a seguir.

Perspectivas e cenários econômicos para o segundo semestre de 2018

Cenário econômico segundo semestre de 2018

Mesmo entre os investimentos de Renda Fixa podemos ter uma grande diversidade de aplicações.

Como temos duas grandes modalidades de títulos –  pré e pós fixados (além dos híbridos que são um mix desses dois) – observar o cenário atual e as expectativas em relação ao ambiente que está se desenhando para o futuro é algo fundamental para se levar em consideração na hora de escolher a melhor opção.

No Brasil atual, por exemplo, dado que estamos vivendo os menores níveis históricos da taxa básica de juros, é difícil imaginar alguma perspectiva que ela irá baixar ainda mais.

De fato, o próprio Banco Central vem enfatizando que mesmo que a inflação continue bastante baixa (algo que conquistamos com muito esforço dado nosso histórico), as taxas de juros estão abaixo do que chamamos de “taxa de juros neutra”, ou seja, a taxa de juros que não gera inflação e estabiliza o crescimento.

Ora, como estamos abaixo dessa “taxa neutra”, uma hora teremos que elevar os juros para buscarmos novamente a neutralidade. Isso é algo que, novamente, o próprio Banco Central reconhece.

Além disso, recentemente tivemos uma disparada do dólar.

Muito por motivos globais (com os Estados Unidos crescendo mais rapidamente e tendo maiores perspectivas de elevação dos juros), mas também internamente em especial pela crise fiscal que não conseguimos superar.

Como não temos um diferencial de taxa de juros tão grande, perdemos um pouco de atratividade aos olhos dos investidores estrangeiros, fazendo com que o real se desvalorize.

Em outras palavras, se os juros nos EUA sobem, se torna mais interessante investir em um país desenvolvido e mais seguro do que correr riscos em um país emergente. Com menos dólares no país, o custo dele aumenta (pura e simples lei da oferta e demanda) e, portanto, o câmbio se deprecia. Aliás, já passamos raspando do dólar a R$ 4,00 recentemente.

Por isso, para não termos uma fuga de recursos por aqui, precisamos pagar mais caro para convencer o investidor a ficar. Ou seja, aumentamos nossa taxa de juros novamente.

Existe bastante divergência nisso, mas muitos analistas acreditam que o Banco Central tem de subir os juros e aumentar novamente esse diferencial que temos em relação aos Estados Unidos para assim tornar o país mais atrativo para o investidor estrangeiro.

Portanto, temos mais um argumento em favor de uma possível elevação das taxas de juros no futuro.

Dessa forma, não sabemos quando, mas há uma grande chance de que os juros irão aumentar em alguma hora no futuro. Este é um cenário a se levar em consideração.

Uma vez que o cenário foi descrito como um provável aumento de juros no futuro, o que fazer em termos da aplicação de Renda Fixa mais adequada para escolher?

Como investir em Renda Fixa com juros subindo

Como investir em Renda Fixa com o Juros caindo

As aplicações em títulos pós fixados em cenários de expectativa de elevação dos juros são as melhores opções.

Afinal, quando aplicamos em um título pós-fixado por mais que a “renda seja fixa” (escolhemos um indicador de referência a seguir), a rentabilidade dele irá acompanhar dos juros independentemente de como ele irá se comportar no futuro e não apenas fixar uma taxa de juros no momento do contrato, como são as operações pré-fixadas.

Como o cenário é de elevação de juros, é correto pensar que ao aplicar em uma alternativa pós-fixada teremos um rendimento maior no futuro, do que simplesmente “pré-fixar” seu rendimento em uma taxa de juros baixa.

Além disso, a elevação dos juros traz um grande risco para investidores que possam precisar do dinheiro antes do vencimento de um título pré-fixado. Isso porque quando os juros sobem o preço dos títulos caem, conforme ensinei no texto recente sobre especulação no Tesouro Direto.

Consequentemente você poderia acabar resgatando um valor menor até mesmo do que aplicou, levando prejuízo o seu investimento.

Por isso fique longe de Fundos de Inflação ou pré-fixados sempre que a perspectiva for a elevação das taxas de juros no futuro.

Para se proteger da inflação, por exemplo, os títulos do tesouro híbridos que acompanham a inflação, as famosas NTN-B’s, podem ser uma ótima opção. Com esses títulos, você terá sempre uma rentabilidade real a longo prazo, já que a inflação do período sempre será paga, além dos juros do título.

Caos queira diretamente um título pós fixado em taxa de juros, o Tesouro Selic, ou as famosas LFT’s, podem ser a melhor alternativa. Com elas, o investidor irá ter um rendimento que acompanhará a taxa Selic no período que tiver a aplicação recebendo um retorno cada vez maior conforme os juros subirem.

Conclusão

A queda da taxa de juros abriu diversas possibilidades para uma diversificação maior da carteira, mas não é por isso que os investimentos em Renda Fixa deverão ser desprezados.

Esses investimentos atendem objetivos específicos e demandas de investidores que não desejam muitas turbulências.

Além disso, a diversificação é sempre o melhor caminho e ter esses ativos em carteira faz sentido para a grande maioria dos investidores, mesmo que em proporções menores em alguns casos.

Mesmo assim, deve-se observar as características de cada um dos títulos específicos, entre os pré e pós fixados e levando isso em consideração, traçar o cenário mais provável para tomar suas decisões.

Verificar as perspectivas da economia aqui é sempre ideal para ter o cenário correto.

Vale ressaltar que o cenário descrito, bem como os efeitos nos investimentos de Renda Fixa apresentados tem propósito único e exclusivamente educacionais e em nenhum momento você deve encarar qualquer parte do texto como recomendação de investimentos.

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