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Viés do Ponto Cego

O que é o Viés do Ponto Cego?

É chamado de viés do ponto cego (ou bias blind spot) a tendência mental humana a identificar todos os demais vieses cognitivos no comportamento de outras pessoas, mas se mostrando incapaz de repetir o feito consigo mesmo.

De modo geral, o ponto cego é um objeto ou parte de um cenário que um observador, por conta de sua posição, não consegue enxergar. Biologicamente, está relacionado com aquele ponto da retina em que não existem receptores de luz e, logo, visão.

Na Psicologia, no entanto, o fenômeno do olho humano é adaptado para o nosso próprio julgamento. Enquanto conseguimos enxergar como um amigo, ao continuar em um casamento infeliz, está agindo de acordo com o viés de custo afundado, por exemplo, não somos capazes de ver como fazemos o mesmo no trabalho ou nas finanças.

O ponto cego enquanto viés não é o de nossa visão como sentido, mas da nossa visão de mundo, entende?

Se você já teve um colega de trabalho expert em apontar os erros dos outros, mas que sempre tinha uma justificativa para os seus próprios e se achava mais inteligente que os outros profissionais, sabe do que estamos falando. E se pensa ser muito diferente dele… Bom, talvez você tenha uma surpresa ao continuar lendo este artigo.

De todo modo, caso você já tenha assistido O Sexto Sentido, saiba que o viés do ponto cego é o que faz de todos nós um Malcolm Crowe.


Qual é a origem do Viés do Ponto Cego?

Mas antes que você considere enviar um e-mail para gente contando o porquê de nada disso se aplica a você, que não é um arrogante ou algo do tipo, nos permita explicar.

O viés do ponto cego não se aplica apenas às pessoas absolutamente arrogantes, inseguras ou coisas do tipo. Ele é uma falha na forma como o cérebro processa o contexto que te cerca - assim como acontece em qualquer outro viés.

Originalmente, julgar as pessoas ao nosso redor é um mecanismo de sobrevivência.

Estamos treinados, desde a vida selvagem, a analisar os sujeitos que compõem a nossa “tribo”, os riscos que nos oferecem, as vantagens de tê-los por perto… Vantagens essas que antes eram em porte físico para as caçadas, mas hoje pode ser em sabedoria compartilhada, por exemplo.

Julgar os outros é bom… Até um certo limite. Isso garante que não nos envolvamos com colegas desrespeitosos, desleais ou desonestos, certo? Mas como não existe um botão de “liga e desliga” do julgamento, ele se estende pelas áreas da nossa vida indistintamente.

Por outro lado, além de analisarmos os outros para sobreviver, aprendemos a reprimir nossas imperfeições para que não sejam notadas pelos demais - que podiam justificar até ser expulso da tribo, antigamente. Isso passa por não admiti-las (ou amenizá-las) para nós mesmos.

E não é só isso. Na dramaturgia, existe uma máxima para a criação de personagens (heróis, anti-heróis, vilões) que as pessoas amem: motivação gera empatia. Conhecer intimamente alguém, os seus medos e a sua história faz com que nos conectemos com ele e os respeitemos.

E quem conhecemos mais intimamente que nós mesmos? Não à toa somos os sóis do nosso próprio sistema, criando outras falhas de lógica como o efeito holofote.

Por esses motivos, nos tornamos ótimos defensores da nossa inteligência, simpatia ou qualquer outro atributo positivo, mas péssimos em compará-la com um conjunto abstrato (a sociedade, o círculo social, o grupo de trabalho). Afinal, a falha do outro, tão desconhecida, é que nos ameaça de morte e merece ser valorizada - a nossa, se existe, não é tudo isso…

Como afirma a famosa frase de Jean Paul Sartre, “o inferno são outros”. No caso do pensamento enviesado pelo ponto cego, “o preconceito são os outros”, “a insensatez são os outros” e por aí vai…

E como todo vilão é o herói de sua própria história, os vilões de um sistema financeiro, de um meio político ou de uma área de pesquisa para o herói que é você… Já deve imaginar: também são os outros.

Como o Viés do Ponto Cego se aplica à você?

Novamente ressaltamos: o viés do ponto cego não atinge somente as caricatas pessoas arrogantes. Todos somos afetados por ele em algum momento.

No que tange à sua vida cotidiana, é comum que o seu senso de comparação relativa seja afetado.

Isto é, não nos julgamos bons, enquanto os outros são maus; apenas nos julgamos mais inteligentes/honestos ou menos despreparados/corruptos que os demais.

Quando comparadas à classe política, por exemplo, a maioria das pessoas se julga mais íntegra - o que, sabemos, não é necessariamente verdade.

E parte do resultado dessa distorção é perder a noção da própria realidade e agir de forma insensata.

Afinal, quantos investidores ignoram padrões apenas por se acharem mais espertos do que quem já trilhou o mesmo caminho antes e se deu mal? Quantas empresas vão à falência porque os seus funcionários são ótimos em julgar as ações negativas dos outros, mas não enxergam culpa em suas omissões?

Se antes o próprio viés do ponto cego nos enganava e nos levava à tal morte da qual tentávamos escapar, hoje ela nos aproxima de um perigo diferente: os sucessivos fracassos em todas as áreas possíveis, principalmente (mas não só) financeiro.

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