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Viés de soma zero

O que é o viés de soma zero?

É chamado de viés da soma zero um tipo de erro lógico humano, que gera a tendência de acreditar que os ganhos de uma parte em um sistema automaticamente produzem perdas de igual dimensão para outra parte. Isto é, para um ganhar 1, o outro tem que perder 1 - e vice versa.

Imagine que uma criança tem duas laranjas na sua lancheira, quando outra, mais velha e mais corpulenta do que a primeira, a ameaça e toma uma de suas laranjas. Nesse caso, para a criança 2 ganhar uma unidade, a criança 1 teve que perder.

Até que faz sentido, certo? Assim, inferimos que a soma zero não é, por si só, um erro. Afinal de contas, ela se aplica a determinadas situações, como a que narramos no parágrafo anterior.

O problema nasce quando, nas demais circunstâncias de ganho e perda, somos incapazes de aplicar a mesma lógica - mesmo que ela não se aplique verdadeiramente.

E como para o nosso cérebro em ambos os casos existe uma aparência de veracidade (ou seja, a leitura feita parece correta), tomamos ainda decisões baseadas nesse equívoco, que podem também resultar em estratégias infundadas e grandes prejuízos.

Lembre-se da última vez que você comeu uma laranja. Para que você pudesse desfrutar desse recurso alguém teve que perdê-lo? Não necessariamente. É possível que, se você não a tivesse comido (ainda mais se foi você mesmo quem a colheu do pé), a laranja apenas apodrecesse e não servisse de alimento a mais ninguém.

Olhando assim, é fácil perceber como a soma zero não se aplica aqui. Contudo, antes de se render ao viés do ponto cego e se sentir imune ao viés de soma zero, saiba que os dilemas que você encontra são muitos mais complexos - e traiçoeiros - do que esses.

Pronto para enfrentá-los?


Como o viés de soma zero funciona na prática?

Um dos experimentos mais famosos destinados a estudar esse tipo específico de viés cognitivo foi feito com estudantes de uma universidade.

Nessa instituição, as notas são dadas comparando o desempenho individual com um padrão de qualidade pré-estabelecido. Ou seja, a nota dos colegas de classe em nada influencia a nota de cada um, podendo haver 100% de notas 0 ou 100% de notas 10, por exemplo.

No estudo, quando boa parte da classe já havia recebido as suas respectivas notas por uma apresentação, a distribuição desses valores era mostrado aos estudantes individualmente.

Em seguida, pedia-se a eles que determinassem quais seriam as notas daqueles que ainda não haviam sido avaliados na tarefa em questão.

A surpresa: mesmo cientes de que, pelos critérios de avaliação, esse não se tratava de um jogo de soma zero, os estudantes se mostravam incapazes de desconsiderar esse pressuposto.

Isto é, quanto maior era o número de notas altas que já haviam sido dadas, maior também era o número de participantes que previam notas baixas para os que iriam se apresentar depois.

O que isso significa? Que o cérebro humano, quando tomado pelo pensamento enviesado, não consegue se abster de utilizar a soma zero como um parâmetro.

Algo semelhante é encontrado na visão que certas pessoas possuem do mercado financeiro.

Embora apenas alguns mercados específicos (como é o caso do mercado futuro) tenham sido estruturados baseados no princípio de que o ganho de um significa a perda de outro, muitos ainda enxergam todos os mercados como baseados na soma zero.

Como sabemos, isso não é verdade. Diferentes investidores possuem diferentes expectativas, estratégias e níveis de tolerância ao risco, de modo que a magnitude de seus resultados tem significado distinto (assimétrico) para cada um.

Quando um investidor de curto prazo lucra, não necessariamente um investidor de longo prazo fica no prejuízo, concorda?

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