Última modificação em 18 de novembro de 2019

O que é o Viés de Risco Zero?

Viés de risco zero é o nome dado a um tipo de viés cognitivo, cuja característica principal é a tendência mental que todos nós, seres humanos, possuímos de preferir zerar os riscos à nossa volta.

Por que isso é um problema? Afinal de contas, quem não adoraria garantir que tragédias naturais, por exemplo, tivessem uma probabilidade igual a zero de ferir e até matar pessoas?

Quando falamos do viés de risco zero, não é esse tipo de situação que estamos discutindo (pelo menos não com esse olhar). Essa preferência apenas se torna um viés quando, diante da oportunidade de zerar um risco já pequeno ou diminuir drasticamente um risco maior, optamos pela primeira opção.

Se você já leu algum dos nossos artigos sobre vieses, heurísticas, efeitos, ilusões e demais fenômenos psicológicos, já deve estar familiarizado com a definição de viés cognitivo. Se não, preste atenção (é realmente importante para que você compreenda do que tratamos neste texto).

O que chamamos de viés nada mais é do que uma falha na forma como processamos o mundo à nossa volta. O seu cérebro está, a todo momento, absorvendo informações, dados e afins da realidade que te cerca e, então, a interpretando. Quando esse processo apresenta algum erro, fazendo que você interprete algo equivocadamente, nascem os vieses.

Acredite, existem dezenas deles: viés de autoridade, viés de incentivos extrínsecos, viés do ponto cego… E a lista apenas cresce!

Todos partilham o mesmo atributo: estão fortemente ligados ao seu raciocínio lógico, o que significa que a menos que sejam questionados racionalmente, serão aceitos por você "porque parecem verdade".

Essa é a explicação para a existência (e aplicação!) do viés de risco zero. À primeira vista, ele parece fazer todo sentido; eliminar de uma vez por todas um problema parece uma verdadeira benção.

É apenas quando o analisamos de forma racional que o erro aparece, já que reduzir a probabilidade de uma "desgraça" maior, em virtude de zerar outra menor, pode trazer benefícios maiores e/ou diminuir a quantidade e qualidade dos seus transtornos decorrentes.


Como o Viés de Risco Zero se aplica na prática?

Um dos exemplos mais conhecidos de aplicação prática do viés de risco zero está ligada às políticas públicas de combate à violência.

Muitos países têm um gasto elevado com programas de combate ao terrorismo, por exemplo, ainda que a probabilidade de um ataque (e o número médio de vítimas) ser ínfima quando comparada com outros acontecimentos, como acidentes de trânsito e assaltos.

Assim, ainda que zerar esses dois últimos seja praticamente impossível, a aplicação desse mesmo valor neles tem uma resposta estatística melhor.

Parece um caso muito distante para você, digno apenas de políticos e especialistas no que tange à administração pública?

Pois saiba que você comete o mesmo tipo de erro corriqueiramente.

Quando se trata de investimentos, corriqueiramente se vê investidores tentando zerar os riscos. Seja através de experiência pessoal ("meus pais sempre me disseram que a poupança é o investimento mais seguro que existe, então eu sou invisto nela"), seja através de estudos limitados.

Nesse último caso, entram aqueles que apenas se debruçam sobre os títulos públicos, por exemplo, na tentativa de reduzir a zero o risco, com estratégias próprias.

Se empreendesse o mesmo esforço em itens mais complexos do mercado (como a Bolsa de Valores), poderia diminuir o seu risco a níveis consideráveis e ainda assim aumentar os lucros.

E olha que destruir, de uma vez por todas, os riscos das aplicações é praticamente impossível. A mera ilusão de que isso seja alcançável já viabiliza o viés de risco zero - imagine quando o "aniquilamento" é viável?!

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