O que é o viés de positividade?

É chamada de viés de positividade a tendência que nós, seres humanos, possuímos de, diante de fatos considerados positivos ou negativos, se atentar e recordar mais facilmente desse primeiro em virtude do segundo.

Se você já leu o nosso artigo completo sobre o viés de negatividade, pode considerar essa afirmação incoerente. Afinal de contas, lá nos contamos que existe uma tendência exatamente oposta: a de considerarmos mais os eventos negativos do que positivos. 

Não, nós não erramos. O viés de positividade realmente coexiste com o viés de negativo, porque... Ambos são vieses! E diferentemente que queremos acreditar, a nossa mente não é tão simples e racional a ponto de adotar um único "sistema operacional" a todo hora. Assim, por vezes podemos ser influenciados pelo viés de positividade, enquanto em outros momentos podemos nos render ao viés de negatividade. 

Existem pesquisas científicas, inclusive, que apontam que a porção subconsciente da nossa mente tem uma propensão maior à positividade. O consciente, por sua vez, se concentra mais na negatividade. 

Mas voltando a nos aprofundar no viés de positividade, você sabia que ela possui outro nome muito conhecido: é a Síndrome de Poliana. Embora tenha surgido em referência à protagonista do livro escrito por Eleanor H. Porte, Pollyanna, a expressão é usada para designar as pessoas que sempre vêm o lado bom de tudo. 

Incrível, né? Nem sempre.


Como o viés de positividade funciona?

Como já pontuamos, esse fenômeno psicológico se trata de um viés cognitivo. Isso significa que representa uma falha de lógica que faz com que interpretemos erroneamente os dados, acontecimentos e demais elementos da nossa realidade.

Como têm uma forte aparência de veracidade, o cérebro dificilmente consegue questionar a interpretação feita a partir do pensamento enviesado, que dirá mudá-la.

Se se trata de uma falha interpretativa, quer dizer que a análise feita não é 100% verdadeira. Isto é, que enxergar apenas e tão somente os acontecimentos positivos não efetivamente fornece uma leitura correta do mundo à nossa volta. 

Imagine lembrar de todos os seus antigos relacionamentos amorosos e pensar apenas nas coisas boas. Parece algo digno de uma iluminação budista, mas, na prática, tem duas implicações:

1. Você se torna incapaz de aprender profundamente com seus erros (pois mal pensa neles);

2. A responsabilidade do outro pelo término é varrida para debaixo do tapete. 

Quem nunca terminou um relacionamento e por uma semana só conseguia pensar em tudo de bom que vocês fizeram juntos, das juras de amor e das noites enrolados no edredom assistindo Netflix? 

Para lembrar das brigas, dos atrasos, das reclamações, das cobranças e de toda a longa lista de chateações só com um amigo mais firme, uma mãe para puxar a sua orelha ou uma boa dose de maturidade e tempo. E às vezes nem assim a pessoa se livra do viés de positividade corroendo a sua memória.

E aí, você ainda acha o mundo cor-de-rosa a melhor das ideias?

Como o viés de positividade afeta as suas finanças?

Precisamos falar sobre investidores extremamente otimistas. 

São aquelas pessoas que investem em ativos que mal conhecem e se convencem de que "vai dar tudo certo" (oi, viés de otimismo!). Ou então as que, tomadas pelo viés de confirmação e convencidos de que ativo X ou Y é uma ótima opção, utilizam a percepção seletiva para embasar a sua interpretação do mercado.

Ou seja, se houverem 10 notícias sobre aquele ativo, sendo que 5 são negativos, 3 são neutros e 2 são positivas, é dessas últimas que ele vai lembrar. Pior: ele vai usá-las para embasar o seu discurso e convencer os outros de que está certo. 

Para evitar que você se torne um desses investidores e o seu mundo cor-de-rosa se torne cinza-chuva-torrencial, reflita sobre o método empregado para traçar as suas estratégias. 

Da próxima vez em que realizar análises de mercado, se pergunte: qual é a real importância desse ponto positivo no cenário que estou a analisar? Somente assim o seu "rosinha" se tornará mais realista e realmente benéfico para você.

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