Última modificação em 18 de novembro de 2019

O que é o Viés de Congruência?

Viés de congruência é o nome dado à tendência humana de, ao analisar a veracidade de um fenômeno, testar primeiramente (ou somente) a hipótese que confirma as suas opiniões.

Como podemos perceber, o viés de congruência tem forte relação com o viés de confirmação - segundo o qual tendemos a buscar e destacar informações que atestem a nossa visão de mundo.

No entanto, cabe “abrir um parêntese” na explicação de como esses dois fenômenos funcionam para nos debruçarmos um tanto sobre a definição de viés cognitivo em si - afinal, do que adianta explicarmos o viés de congruência se você não faz ideia do que um viés representa.

A partir dos estudos de finanças comportamentais das últimas décadas, muito se descobriu sobre os erros de lógica (verdadeiras pegadinhas mentais) que o nosso cérebro comete.

Quando juramos que um restaurante é melhor do que os seus concorrentes, porque temos ótimas lembranças com amigos lá, por exemplo, caímos na chamada heurística do afeto. Quando buscamos mais informações para tomar uma decisão e acabamos mais confusos do que quando começamos a pesquisar (quem nunca?), caímos no viés de informação e por aí vai...

Em ambos os casos, ao emitirmos esses julgamentos (“esse restaurante é melhor”, “quanto mais eu souber, melhor”) acreditamos piamente que estamos agindo de forma 100% racional.

E é isso que caracteriza o viés cognitivo: julgar erroneamente a realidade, através de uma lógica falha mas com aparência de verdadeira.

No viés de congruência, especificamente, quando nos debruçamos sobre a alternativa que mais confirma as nossas opiniões (por vezes desconsiderando a existência das demais hipóteses), temos sempre justificativas racionais - motivo pelo qual até grandes cientistas podem cair nesse viés.


Como o Viés de Congruência influencia as suas finanças?

Nas finanças, o viés de congruência se manifesta especialmente no comportamento dos consumidores.

Para exemplificar o modo consumidor, saiba que esse viés representa a diferença entre se perguntar “qual é o melhor requeijão do mercado?” e “a marca X é o melhor requeijão do mercado?”.

Ao realizarmos um teste direto (tendo a marca X como ponto central) já somos tomados pelo espírito tendencioso - em especial pela “sugestão” pré-determinada, que se fortalece com o viés de enquadramento.

Outros casos de aplicação do viés de congruência ao consumo envolvem a identificação da raiz dos nossos problemas.

Em qualquer decisão de compra, partimos de uma necessidade. “Se tenho frio, preciso de um cobertor”, “se tenho calor, de um novo ar condicionado”, “se tenho sono, uma soneca é a saída” etc.

No entanto, quantas vezes testamos essas ideias? Quantas vezes fazemos uma lista de todos os fatores em nossa casa que podem estar contribuindo para a sensação térmica? Quantas vezes consideramos que a causa do nosso cansaço não é precisar de mais sono e sim a desidratação (uma das maiores causas de fadiga, segundo pesquisas)? Raramente.

Isso se dá porque, segundo o fenômeno que estamos estudando neste artigo, assim que nos convencemos que é a falta de um ar condicionado que causa toda a “quentura”, imediatamente ignoramos as outras alternativas.

“Mudar a cor das paredes? Eu nem pensei nisso” seria uma das respostas mais comuns se contássemos aos compradores de ar condicionado que essa medida relativamente barata também é capaz de reduzir a sensação térmica.

E acredite: não são só os consumidores que passam por essa dificuldade.

No meio acadêmico, boa parte dos cientistas é constantemente desafiada a testar todas as possíveis explicações e implicações de um evento - do contrário, toda a sua teoria pode ser desmantelada por estudos futuros mais abrangentes.

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