Última modificação em 6 de novembro de 2020

O que é trabalho-intensivo?

Trabalho-intensivo é um termo referente ao processo ou indústria que demanda grande quantidade de mão de obra para a produção dos bens ou serviços.

Mesmo que a tecnologia esteja sempre em avanço e, algumas vezes, se propõe máquinas para substituir trabalhadores humanos, os setores dos restaurantes, hotéis, agricultura, pesca e mineração ainda são, com frequência, do tipo trabalho-intensivo.

Essa técnica de produção é bastante expressiva no Brasil, por ser tratar de uma economia ainda em desenvolvimento, comparado a grandes países onde já há muitos cargos automatizados.

Por que o trabalho-intensivo é menos frequente nas grandes economias?

Para entender mais a razão de o trabalho-intensivo não ser tão visto nos países mais desenvolvidos, perceba primeiramente que, antes da Revolução Industrial, 90% da mão de obra, em média, estava na agricultura.

Mas com o desenvolvimento da tecnologia, a intensidade de trabalho diminuiu, a produtividade aumentou e esses trabalhadores-intensivos integraram as indústrias e os serviços. Hoje, aliás, vivenciamos a 4ª Revolução Industrial, na qual os funcionários atuam em áreas como a bioengenharia (que também trabalham com a agricultura, mas de forma completamente moderna).

Além disso, a mão de obra humana pode organizar greves e manifestações que prejudicam a produtividade da empresa. A própria qualidade do trabalho pode ser menos acurada, com erros humanos e mais onerosa, quando a longo prazo.

Muito se fala que o melhor caminho para que um país menos desenvolvido se torne um país próspero é pelo investimento em processos trabalho-intensivos, e é o que geralmente se faz na prática. Porém, os resultados não são significativos e há a perpetuação de uma grande quantidade de mão de obra mal paga, por isso se questiona até quando o método trabalho-intensivo resistirá.

Afinal, há vantagens no trabalho-intensivo?

Diferente do capital intensivo, neste modo de produção os custos são variáveis. Como grande parte dos seus custos são por mão de obra, diante de cenários de retração econômica, é mais fácil diminuir os salários e cortar benefícios do trabalho humano do que diminuir a produção ou reduzir o uso de insumos.

Inclusive, se uma empresa de setor específico, como o de carvoarias, por exemplo, resolve empregar menos pessoas, ela sai do perfil de trabalho-intensivo e adotará características da técnica capital intensivo, não de mão de obra.

Karl Marx também fez uma análise que, em certo sentido, favorece o trabalho-intensivo. O teórico afirmava que a modernização obrigava os homens a trabalhar mais.

Em vez de um trabalhador cuidar do seu setor, ele acabava cuidando de duas ou mais máquinas ao mesmo tempo — trabalhando mais do que em um ambiente menos tecnológico. Ou seja, o capital intensivo carrega essa problemática da organização do trabalho que, geralmente, é menor no trabalho-intensivo.

Por fim, há modelos teóricos nas ciências econômicas os quais apontam a relação entre qualidade da governança do país e a técnica de produção.

Países com a governança mais instável (por casos de corrupção frequentes, por exemplo) e, portanto, com economia menos desenvolvida, tendem a abrigar mais empresas de trabalho-intensivo, já que uma companhia baseada em capital é alvo mais fácil de ações corruptas, por tratar diretamente com dinheiro.

Quando uma máquina quebra, é necessário um especialista para o reparo e as peças necessárias. Já os humanos dificilmente se tornam inaptos ao trabalho, exceto quando ocorrem lesões ou acidentes de trabalho — os quais contam com estratégias preventivas de sucesso comprovado.

E mais: o trabalho humano é, por natureza, criativo e pode oferecer feedbacks que ajudam na melhoria dos produtos, serviços e processos de trabalho.

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