O que é o apelo à novidade?

Apelo à novidade (ou appeal to novelty, em Inglês) é o nome dado a um tipo de viés cognitivo. Segundo esse fenômeno, nós, seres humanos, possuímos uma tendência mental a considerar que algo novo é superior a algo antigo, apenas pelo fator "atualidade".

Ou seja, mesmo que não existam argumentos técnicos que sustentem a preferência, ainda tendemos a escolher e/ou aplicar o primeiro em detrimento do segundo.

Duvida? Se o viés de ponto cego ainda sussurra no seu ouvido que você é racional demais para cair em uma armadilha dessas, saiba que a maior prova do efeito do apelo à novidade na sua vida pode estar aí, coladinho a você.

Isso porque o apelo à novidade pode parecer um termo (e processo!) completamente novo, digno dos avanços propostos pelos estudos das finanças comportamentais. Contudo, ele já é conhecido, pelo menos de forma básica, há alguns séculos.

Nos tempos de escola, os seus professores lhe ensinaram que uma das principais características "inovadoras" da Revolução Industrial é a produção em massa, certo?

Pense bem: se uma fábrica produz em um único dia 1000 pares de sapato, deve haver ao menos 1000 pessoas para consumi-los. Uma questão simples de oferta e demanda.

Contudo, quando existem 10 fábricas produzindo 1000 pares de sapato, o consumo também deve ser multiplicado por 10, para garantir a vasão dos produtos no mercado.

E como garantir que as pessoas consumam mais? Como fazer com que uma pessoa que tem apenas dois pés, tenha 20 pares diferentes?

Uma pergunta ainda melhor:

Como fazer com uma pessoa que já tem uma casa, um carro, um celular ou uma televisão que já lhe servem muito bem, comprem mais um, mesmo que o anterior ainda não tenha quebrado?

Lançando produtos novos e garantindo que passem a mensagem clara de "modernidade".

Mais uma vez, pense bem: quantos itens você trocou nos últimos anos antes de quebrarem? Quantas dessas "novidades" que te fizeram comprar algo novo realmente mudaram a sua vida (isto é, não foram resultado do viés de impacto ou da lacuna de empatia).

E não vale dizer que você comprou um celular, porque a câmera dessa última versão era realmente incrível. A não ser que fotografia seja um grande hobbie na sua vida (e não sirva para nada além de selfies), dificilmente você usufruirá dessa atualização.

Isso se vê mais precisamente entre modelos próximos (smartphone versão 1, versão 2 e versão 3, por exemplo), pois raramente as diferenças são tão palpáveis a ponto de justificar a troca.

E agora, você acredita que o apelo à novidade te influencia ou não?

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Como o apelo à novidade afeta a sua vida financeira?

Como o apelo à novidade afeta a sua vida financeira? Nem precisamos lembrar que essa obsessão pelo que é mais novo e moderno tem um peso enorme no seu bolso, certo?

Afinal de contas, para continuar consumindo é preciso continuar comprando, e para comprar é preciso entregar dinheiro (próprio ou de terceiros, através de dívidas).

Não raro as pessoas se endividam, em milhares ou centenas de milhares de reais, apenas para financiar o próprio consumo. E quando se fala em outros vieses influenciando a decisão de compra (como a própria lacuna de empatia, que já citamos), o buraco é ainda mais embaixo.

"Quando eu tiver esse novo celular, eu vou tirar fotos melhores e receber mais curtidas nas redes sociais. As pessoas vão amar as minhas fotografias!", mais do que uma proclamação consciente, é um desejo emocional por vezes "escondido" - mas que ainda nos governa.

Para os investidores, algo semelhante acontece quando se trata de novos "produtos" de investimento.

"Eu tomei um baita prejuízo investindo em ações, mas agora vou entrar no mercado de imóveis e tudo vai ser diferente. Olha quantas coisas novas eu estou aprendendo. Olha como essa nova estratégia de especialista X é incrível".

Essa última frase, inclusive, é um prato cheio para quem busca a "bola da vez" - um investimento ou uma estratégia inovadora que se tornarão a sua verdadeira "moeda da sorte".

E se você ainda está convencido de que essa tal moeda existe, que os dados ligados à inadimplência e ao consumismo desenfreado sejam sintomas suficientes da ação do apelo à novidade sobre todos nós. Se não revendo imediatamente os seus processos de escolha quando se trata de investimentos, que seja questionando os seus sapatos.

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