“Juro baixo faz o futuro valer mais”.

Está frase é de Gustavo Franco, um dos pais do plano real.

Se você entrar em uma mesa de operações do mercado financeiro, certamente irá escutar algo sobre a Curva de Juros.

Costumamos dizer no mercado financeiro que a taxa de juros é o preço do dinheiro tempo. Portanto, esse preço pode variar ao longo do tempo conforme os cenários futuros forem se alterando.

Assim como acontece com os preços da gasolina, comida, aluguel e assim por diante.

Mas o que o futuro tem a ver com isso? Juros futuros? O que é isso? Como assim os juros têm futuro? O que é Curva de Juros?

Sim, eles são conceitos um pouco mais complicados à primeira vista, porém muito importantes para o seu dinheiro. Especialmente quando falamos de Renda Fixa!

Mas não precisa se preocupar porque é justamente sobre eles que você vai aprender um pouco mais hoje aqui no Mais Retorno com a nossa costumeira abordagem simples e didática.

Por isso, continue lendo para saber mais sobre:

  1. O que é curva de juros
  2. Como a curva de juros funciona
  3. Como ela afeta meus investimentos
  4. Onde investir: Pré-fixado ou Pós-fixado

O que é Curva de Juros

O que é curva de juros

Vamos começar definindo o que é a curva de juros.

Digamos (e de verdade, espero que você faça isso apenas em último caso) que você vá ao banco pegar um empréstimo pessoal para cobrir uma quebra no seu orçamento.

Você irá se deparar com diversas opções de financiamento com diferentes taxas de juros que irão diferir, principalmente, pela duração do empréstimo (quando empréstimo irá vencer e você o terá quitado).

Em geral, empréstimos mais longos demandam uma taxa de juros maior do que os mais curtos, afinal o risco de você não pagar a dívida em um futuro muito distante é muito difícil de se estimar.

O ponto é: as taxas de juros mudam de valor em relação a prazos diferentes.

Essa ideia básica por trás da curva de juros. No futuro existirão diferentes taxas para diferentes períodos.

Para os juros de nossas aplicações vale o mesmo: Quanto estou disposto a ser remunerado (em geral pelo governo, mas não via de regra) por um prazo de 30 dias? E 60? 180? 600? 2000 dias?

A Curva de Juros, portanto, é o desenho que formado pelos diversos pontos no futuro com os respectivos valores das taxas.

Para sair de algo tão abstrato, veja abaixo o gráfico atual da Curva de Juros disponibilizado pela ANBIMA:

Curva de Juros 2018

Nesse exemplo da Curva de Juros, podemos ver que as taxas curtas, como em janeiro de 2019, operam mais baixas oferecendo remuneração de apenas 6,5% ao ano.

Por outro lado, as taxas longas são mais altas, pagando mais de 9,5% ao ano em janeiro de 2029 (prazo 10 anos mais longo).

Esses números de juros não saem do além.

O Banco Central se reúne a cada 45 dias para decidir o valor da taxa Selic e é daí que se tem o referencial para as demais taxas de juros negociadas no mercado. Tanto para como está a taxa básica de juros hoje, como para quanto ela tenderá no futuro.

Política monetária a parte, dessa forma, a Curva de Juros pode ser entendida simplesmente como uma  “aposta” em como e quanto serão esses juros no futuro.

Como a Curva de Juros funciona?

Como a curva de juros funciona

No último parágrafo, pontuei que a Curva de Juros é uma espécie de aposta de como as taxas de juros se comportarão no futuro.

Mas então o que fará com que os indivíduos apostem que os juros irão se comportarem de tal maneira (subindo ou descendo)? Em suma, o que afeta esses movimentos da Curva de Juros?

Quando disse que o Banco Central decide os juros básicos da economia, isso é verdade para as taxas de juros curtas (de curto prazo). Por outro lado, a estrutura completa da curva (o que importa no final) o Banco Central apenas consegue influenciar, mas não decidir de fato.

O controle dos juros é a forma como bancos centrais lidam com a inflação.

A receita de bolo é a seguinte: com inflação elevada e sem perspectiva de queda, aumenta-se os juros da economia (no Brasil, a Selic) fazendo com que a economia desaqueça e os preços comecem a cair.

Da mesma forma, caso a economia esteja parada e com baixa inflação, reduz-se os juros para acelerar os negócios e a elevação do nível geral dos preços.

Agora, imagine que (bem diferente do período atual) vivêssemos com inflação elevada e sem perspectivas de queda. Suponha ainda que mesmo com esse cenário, o Banco Central vá na direção contrária e decida por baixar a taxa de juros.

A reação do mercado se dará na curva de juros. Afinal,  naturalmente a taxa de juros terá que se elevar no futuro para compensar o desequilíbrio atual e controlar a inflação.

Assim, no nosso exemplo as taxas de juros futuras irão se elevar dada essa decisão porque o mercado tentará antecipar esse movimento.

O inverso também é verdadeiro: Se a inflação estivesse baixa e o Banco Central aumentasse a taxa de juros, as curvas futuras iriam cair como resposta de que, em algum momento do futuro, a autoridade monetária terá que baixar os juros.

Por isso, na economia algo que também conta muito é a credibilidade do presidente do Banco Central.

Caso o banqueiro central tenha credibilidade (o caso da nossa atual diretoria) além de sua decisão, sua comunicação (o que ele espera que aconteça no futuro) também afetará a curva de juros. Afinal, se o mercado confia na efetividade dos seus planos, tentará antecipar que isso de fato ocorrerá.

E isso não é tudo!

Fora essa parte mais relacionada à “operacionalização da política monetária”, outros fatores podem afetar a Curva de Juros, como o cenário político, a perspectiva de implementação ou não de políticas benéficas para o país, as nossas contas públicas (teorias dão conta de explicar a inflação pelo desajuste fiscal do governo) e por aí vai.

Nesse sentido, gosto do episódio recente (ano passado) da divulgação das conversas do presidente da república com o empresário da JBS como exemplo prático do que estou descrevendo aqui.

No dia seguinte à divulgação dos áudios, as taxas de juros futuras subiram estrondosamente em reflexo às incertezas do cenário político e em relação ao risco da não implementações das reformas necessárias na economia.

É possível perceber esse efeito nitidamente no gráfico abaixo:

Curva de Juros - Efeito Joesley

Podemos ver que a forma como a economia e a política se comportam tem grande influência na curva de juros e, por isso, os fundos de investimentos e investidores em geral tem grande interesse em como essas questões estão andando.

Vejamos agora como essa análise é traduzida para as aplicações. Ou seja, como meu dinheiro é afetado pelas variações na Curva de Juros.

Impacto nos meus investimentos

Impacto nos meus investimentos

Agora iremos para a parte que provavelmente você mais tenha interesse: Qual o impacto que essas mudanças na curva de juros terão sobre meus investimentos.

A Curva de Juros irá afetar indiretamente as aplicações de renda variável no sentido de que tão maior as perspectivas de juros futuras, menos os investimentos em renda variável valem a pena. Afinal, para que correr riscos se você poderia ganhar bem no conforto da renda fixa?

No entanto, o impacto mais direto é sobre os investimentos em renda fixa. Aqui você irá descobrir que renda fixa não é tão “fixa” assim.

Como já falamos em outra oportunidade aqui no Mais Retorno, a marcação a mercado atualiza diariamente o valor dos títulos de renda fixa. Assim, conforme ocorrem mudanças na Curva de Juros, oscilações para cima ou para baixo são computadas afetando o valor final da carteira do investidor (fazendo ele ganhar ou perder dinheiro).

O grande impacto da marcação a mercado acontece com os títulos pré-fixados. No entanto as mudanças nos preços de mercado só irão afetar o investidor apenas se ele se desfizer desse título antes do vencimento.

Caso ele carregue seus investimentos de renda fixa até o vencimento, então receberá sempre os juros contratados normalmente.

Ou seja, se você tem um título pré-fixado e a Curva de Juros futura subir, então você incorrerá em perdas pois o seu título terá um preço menor. O mesmo vale para o inverso.

Em resumo, se você cogitar resgatar seus investimentos de renda fixa antes do vencimento, a marcação a mercado irá afetar seus rendimentos. Mas caso você deseje permanecer com o título até o final, não precisa se preocupar com isso.

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Pré ou pós-fixado?

Pré ou pós fixado

Expliquei acima como a curva de juros afeta seus investimentos e frisei que caso você não tenha intenção de se desfazer do seu papel, não precisa se preocupar com isso.

Você então pode pensar: “Como eu quero ficar com o título que comprei até o final, a Curva de Juros não serve pra nada.”

Mas você estará enganado se pensou de tal forma.

Mesmo que queira permanecer com o título comprado, você deve se preocupar com a curva de juros antes da compra desse título.

Afinal a Curva de Juros irá te revelar qual título comprar: Pré ou pós-fixado.

Em resumo, títulos pré-fixados são indicados quando existe perspectivas de queda dos juros futuros. Pós-fixados quando há perspectiva de alta dos juros.

Não é difícil deduzir isso.

Imagine que, como no exemplo que usamos acima, o Banco Central opere em direção contrária do que a política monetária prescreve e assim, os juros futuros acabem subindo.

Ora, se a taxa de juros irá subir não faz sentido comprar um título pré-fixado agora, ou seja, fixar meu rendimento em uma taxa menor do que eu ganharia no momento seguinte. Dessa forma, seria mais vantajoso comprar títulos pós-fixados.

Da mesma forma, caso as perspectivas fossem de queda da taxa de juros no futuro, seria melhor prefixar meu rendimento agora do que esperar que as taxas caiam e ter rendimentos menores la na frente. Títulos pré-fixados seriam preferíveis a pós-fixados nessa situação.

Obviamente, não temos uma bola de cristal para saber o futuro e como as taxas irão se comportar. Daí a beleza de uma boa análise econômica.

Caso eu faça uma boa análise e o mercado pense o contrário, ao se concretizar minhas convicções, irei ter ganhos maiores que o mercado.

É daí que os fundos de investimentos têm tanto interesse em saber como a economia irá se comportar.

Conclusão

Muitas vezes temos a impressão de que investir em renda fixa é mais fácil do que em renda variável, entretanto, por mais que eu tenha um ganho mais mensurável, a Curva de Juros irá afetar seus ganhos e principalmente suas escolhas.

Lembre-se de como a Curva de Juros varia e assim faça suas conjecturas para adquirir o melhor produto disponível e ter ganhos consistentes no longo prazo.

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