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Bolsa
Fundos de Investimentos

Marcação a Mercado ou Marcação na Curva: O que são e para que servem

Uma das grandes dificuldades enfrentadas pelos investidores de primeira viagem, é conseguir entender por que o dinheiro investido em fundos oscila tanto, mesmo quando são de…

Data de publicação:07/11/2017 às 10:51 -
Atualizado 2 anos atrás
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Uma das grandes dificuldades enfrentadas pelos investidores de primeira viagem, é conseguir entender por que o dinheiro investido em fundos oscila tanto, mesmo quando são de renda fixa.

Quando falamos de Fundos de Inflação, a confusão fica ainda maior e até por isso tem um texto sobre esse assunto aqui no Mais Retorno. Afinal de contas, como é possível um fundo de renda fixa que promete proteger o investidor da inflação ‘desvalorizar’ depois de um tempo?

O que acontece na prática é que a renda fixa só é “fixa” de fato, se você cumprir o acordado no momento do investimento e deixar o dinheiro aplicado até o momento do vencimento.

Caso contrário, para poder resgatar esse dinheiro você terá que negociar com outro investidor e aí tudo pode acontecer.

É justamente por isso que os fundos de investimento no Brasil informam o valor de suas cotas sempre de acordo com a Marcação a Mercado dos títulos que ele investe.

Se já ficou complicado para você até aqui, não se preocupe.

Isso é bem mais simples do que parece e vou apresentar hoje nesse texto da forma mais didática que você encontrará por aí.

Por isso, continue lendo para saber mais sobre:

  1. Como funcionam os Fundos de Investimentos;
  2. O que são Cotas de Fundos de Investimentos;
  3. Marcação a Mercado: vantagens e desvantagens;
  4. Marcação na Curva: vantagens e desvantagens.

Como funcionam os Fundos de Investimentos

Fundo de Investimento

O gráfico do fundo TI LD Icatu Vanguarda Crédito Privado mostra muito bem a diferença entre a Marcação a Mercado (linha verde, do fundo) e a Marcação na Curva (linha preta, do CDI).

Por isso é muito importante entender o básico sobre os Fundos de Investimentos antes de falar sobre Marcação a Mercado e Marcação na Curva. Afinal de contas, é nos fundos que é mais comum se aplicar esse tipo de técnica de cálculo do valor de uma carteira de investimentos.

Os Fundos são simplesmente uma forma coletiva de investimento que ajudam tanto os pequenos investidores, como os grandes, a obterem ganhos de escala e conseguir melhores lucratividades em seus investimentos.

De forma resumida, são como condomínios que em vez de reunir pessoas que moram num mesmo prédio, reúne o dinheiro dos participantes do fundo que tenham os mesmos objetivos.

Quando esses investidores aplicam nos fundos, eles recebem uma quantidade de cotas em seu nome que os dá direito a uma fração do patrimônio total do fundo (claro, proporcional ao quanto ele investiu do todo).

É por isso que os investidores de fundos, são conhecidos como cotistas.

Não vou entrar em detalhes maiores sobre esse assunto, pois já existe um texto completíssimo que você pode conferir sobre Fundos de Investimentos, caso tenha curiosidade e queira se aprofundar mais.

Agora a grande questão que importa para avançarmos no assunto principal do texto: como funcionam essas cotas?

O que são Cotas de Fundos de Investimentos

A cota é a menor fatia de um Fundo de Investimentos.

Seu valor calculado através da divisão do patrimônio líquido (que nada mais é que a soma de tudo que o fundo possui, menos aquilo que ele deve) pela quantidade de cotas que compõem esse fundo.

Esse valor é apurado diariamente por uma empresa a parte, responsável justamente por controlar essas oscilações de preços dos fundos, conhecida como administradora.

Além disso, a quantidade de cotas pode variar de tempos em tempos, sob algumas condições:

1. Caso haja um resgate (venda das cotas);
2. Uma nova aplicação (compra de novas cotas); ou
3. A cobrança do famoso come-cotas.

Na ausência de qualquer um desses casos, a quantidade das cotas será constante ao longo do tempo, como no caso dos fundos fechados.

Portanto quando um fundo se valoriza (ou desvaloriza), o valor dessas cotas aumentará (ou diminuirá) e assim o investidor saberá se está ganhando ou perdendo dinheiro no investimento desse fundo.

Ou seja, a variação na rentabilidade do fundo é que faz o valor da cota se alterar, para mais ou para menos.

Esses pontos colocados, vamos agora finalmente ao que interessa.

Marcação a Mercado

Sabe aquele cálculo que o administrador dos fundos faz para saber o preço de cada cota e quanto cada investidor possui?

Pois bem, existem duas óticas que ele pode levar em consideração para determinar esse preço.

A primeira delas é a Marcação a Mercado (MaM) que é uma atualização diária do preço de um ativo de renda fixa, que permite saber quanto o investidor receberia hoje se resgatasse os papéis que compõem sua carteira.

O seu objetivo é identificar o valor pelo qual um ativo poderá ser negociado no mercado e permitir que seja apurado o seu valor exato no dia do resgate das cotas, considerando as oscilações do mercado.

Com a MaM todos os cotistas têm a mesma rentabilidade, independente do momento que foi feita a aplicação do dinheiro, sendo importante para que não haja transferência de riqueza entre os cotistas, já que no momento de saída do fundo, dá pra saber exatamente quanto vale os ativos de cada participante, o que traz transparência e confiabilidade ao mercado.

Veja a seguir um resumo das suas vantagens e desvantagens:

VantagensDesvantagens
Ela é a forma mais justa para os cotistas que estão num fundo, por garantir que os lucros ou prejuízos sejam proporcionalmente iguais a quem tem direito;Para ser justa ela depende do funcionamento eficiente do mercado, ou seja, caso o mercado não funcione da maneira adequada, a Marcação a Mercado também não funcionará;
Oferece transparência e confiabilidade ao mercado;Mostra a oscilação negativa dos fundos, o que pode assustar o investidor.
Evita transferência de riqueza entre os cotistas;
Não distorce o valor de mercado do título, já que a volatilidade das taxas de juros é levada em consideração;
Mantem um conjunto de ativo e o passivo com preços mais próximos aos da realidade;
Evita que o valor da carteira fique defasado em relação ao seu valor real;

Marcação na Curva de juros

A segunda ótica para determinação do preço dos ativos é pela Marcação na Curva que contabiliza o valor de compra do título mais a variação da taxa de juros, desde a emissão do papel até seu vencimento.

Falando em “português”, isso quer dizer simplesmente que o valor dos seus investimentos vai ser atualizado todos os dias, de acordo com os juros do dia anterior, sem considerar a oscilação de preço que seus títulos possam sofrer no mercado.

Até maio de 2002 esse era o modelo de marcação mais utilizado no mercado. No entanto, por conta dos problemas desse tipo de marcação (que veremos a seguir), o Banco Central determinou que todos os fundos de investimentos tivessem seus papéis marcados a mercado.

Portanto, para poder utilizar esse tipo de marcação é necessário que seja comprovado no órgão regulador a capacidade do fundo de manter o título até seu vencimento, considerando o fluxo de recebimentos que ele terá.

A tabela abaixo resume as principais vantagens e desvantagens do modelo de Marcação na Curva:

VantagensDesvantagens
Não incorpora volatilidade à carteira já que o título será remunerado à taxa prefixada na ocasião de sua aquisição, evitando sustos no investidor em momentos de baixa do mercado.Mesmo com a perda de valor as cotas dos fundos de investimentos não apresentam a rentabilidade negativa;
As cotas dos fundos não apresentam rentabilidade negativa.Pode gerar transferência de riqueza entre os cotistas;
O preço do ativo em determinados momentos não é o seu real valor de mercado;
Caso haja um grande saque no fundo, o gestor terá que vender os títulos a qualquer preço, assim o prejuízo fica para os investidores que saem por último.

E como isso funciona na prática? Veja a seguir exemplos em 4 cenários distintos:

a) Desvalorização de 10% SEM Marcação a Mercado

Supondo que um fundo de investimentos tenha apenas dois cotistas, A e B, e que o valor investido por cada um seja de R$ 3.000,00 totalizando R$ 6.000,00.

Imagine que o gestor tenha adquirido um Título Público prefixado. Caso esse ativo se desvalorize em 10% e o cotista ‘A’ resgate todas as suas cotas, ele sairá do fundo com os seus exatos R$ 3.000,00.

Por outro lado, quando o cotista B solicitar resgate do mesmo fundo, terá que arcar sozinho com o prejuízo da desvalorização. Afinal de contas, com a desvalorização de 10% do título, o valor total do fundo seria de apenas R$ 5.400,00 e não mais R$ 6.000,00. Portanto só sobraria R$ 2.400,00 para o cotista B resgatar.

Ou seja, sem a marcação a mercado, o cotista B iria assumir o prejuízo dele (R$300,00) mais o do cotista A (R$300,00), totalizando R$ 600,00 de prejuízo.

b) Desvalorização de 10% COM a Marcação a Mercado

Os cotistas A e B investiram R$ 3.000,00 cada, com a desvalorização de 10% nos ativos do fundo.
O cotista A ao fazer o resgate do todas as suas cotas, receberá R$ 2.700,00 e o cotista B também receberá o mesmo valor, já que o valor de mercado do fundo agora é de R$ 5.400,00. Sendo assim, nenhum dos dois arcará com o prejuízo um do outro.

c) Valorização de 10% SEM marcação a mercado

Agora a carteira que antes valia R$ 6.000,00 vale R$ 6.600,00, devido à valorização de 10% nos ativos do fundo.

Caso o cotista A resgate todas as suas cotas, ele receberá apenas R$ 3.000,00, enquanto o cotista B receberá R$ 3.600,00.

Nesse caso haveria uma transferência de riqueza entre os cotistas, dado que o investidor que sair por último levaria todo o lucro sozinho para casa.

d) Valorização de 10% COM marcação a mercado

Com a valorização de 10% nos ativos do fundo, o cotista A receberá R$ 3.300,00 pelo resgate das suas cotas, e o cotista B receberá o mesmo valor, não havendo assim transferência de riqueza.

Conclusão:

Como deve ter percebido, até mesmo saber quanto seu dinheiro está valendo pode gerar controvérsias. E como tudo na vida, cada alternativa tem suas vantagens e desvantagens.

No Brasil, desde 2002 o Banco Central decidiu que a MaM era a ótica que fazia mais sentido. Por isso quando for investir em fundos é nela que você sempre terá que pensar.

Ela dá mais transparência ao mercado, evitando o problema da transferência de riqueza entre os cotistas dos fundos, impossibilitando que alguns investidores arquem com prejuízos de outros e também que alguns fiquem com lucros que não os pertencem. Ela também facilita a saída do cotistas do fundo antes do vencimento dos ativos que o compõem.

Por outro lado, a Marcação pela Curva de Juros pode ser a mais recomendada para títulos que ficarão na sua carteira de investimentos até o vencimento. Afinal de contas, não fará muito sentido você ficar sofrendo o estresse das oscilações de mercado caso não pretenda vender seus títulos antes da hora.

A partir de agora nenhuma oscilação de fundos e cotações de renda fixa serão mais surpresa para você.

Mas se ficou com alguma dúvida ou quiser compartilhar mais ideias com a gente e outros leitores, deixe seu comentário abaixo!

Aproveite e compartilhe esse conteúdo com mais investidores que investem em Fundos de Investimentos.

Sobre o autor
Felipe Medeiros
Economista e empreendedor do mercado financeiro há mais de uma década, tem como objetivo compartilhar suas experiências e se conectar com outros investidores e entusiastas do mercado. É fundador do Mais Retorno e autor da série de livros "Investidor Especialista".
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