Segundo dados da Anbima de junho desse ano, existem 10.043 fundos de investimento no Brasil. Fora 6.462 fundos de investimento em cotas de outros fundos, ou seja, fundos de fundo. Totalizando, assim, 16.505 fundos em atividade.

Os multimercados são a grande maioria desses fundos (8.315), os de renda fixa vêm em segundo lugar com 2.484 e os de ações em terceiro com 1.931 fundos.

De fato, são diversas opções e escolher entre eles é muito difícil.

Por isso sempre abordamos esse assunto aqui no Mais Retorno e procuramos oferecer periodicamente nossos textos sobre os melhores fundos de investimentos, além de ferramentas para que você possa analisar por conta própria e fazer sua escolha.

E é ótimo que existam tantas opções, afinal, quanto maior a variedade, mais personalizada e sob medida será a sua escolha.

Mas em vez de escolher “o melhor”, o ideal é sempre escolher “os melhores”.

Sim, ter mais de um fundo de investimento em sua carteira é importante, mas não simplesmente ter por ter: é necessário racionalidade para montar uma carteira diversificada de fundos de investimentos pensando de forma estratégica.

E é disso que o texto de hoje vai tratar!

Por isso, continue lendo para saber mais sobre:

  1. O que é uma carteira de fundo diversificada
  2. O que considerar ao montar sua carteira
  3. Não invista todo seu dinheiro em um único fundo
  4. Não invista seu dinheiro em 50 fundos diferentes
  5. Formas de diversificar em fundos

O que é uma carteira de fundo diversificada

O que é uma carteira de fundos diversificada

Você já pode ter ouvido aquele ditado: não coloque todos ovos um uma única cesta. Pois se, por um acaso, você derrubar a cesta, você irá perder todos os ovos. Isso não ocorreria se você tivesse dividido os ovos em duas cestas. Se derrubasse uma cesta, os ovos da outra cesta ainda estariam intactos.

É essa a lógica de montar uma carteira de fundos diversificada.

Aqui até é mais difícil de perder todo o dinheiro ao aplicar em um só fundo, mas pode acontecer.

No entanto, tendo diversos fundos em sua carteira você pode diluir seus riscos e ganhar mais escolhendo fundos que buscam resultados mais arrojados.

A “queda da cesta” aqui é a possibilidade de um fundo passar por um cenário adverso. Ora, você pode pensar, “mas todos fundos passam por situações adversas”.

Sim, é verdade, mas existem algumas situações que alguns fundos penam mais que outros.

Esse é o chamado risco diversificável, que já abordamos em um texto sobre os diversos tipos de riscos dos investimentos. E como o próprio nome sugere, é possível evitar esse tipo de risco através da diversificação dos seus investimentos.

Mas como fazer isso?

Veja agora os principais pontos a se considerar em uma diversificação inteligente de carteira.

O que considerar ao montar sua carteira

O que considerar ao montar a sua carteira

Falamos que alguns fundos passam por situações mais adversas que outros, mas isso irá depender muito do cenário econômico que estivermos vivendo.

O cenário econômico é importante na medida que é ele que dita os riscos diversificáveis. Por exemplo, a queda da taxa de juros, como vimos ao longo do ano passado, é benéfica para alguns investimentos, como o Ibovespa, e ruim para outros como renda fixa pós-fixada.

Pode ser, então, que mesmo o melhor fundo de uma categoria não consiga os rendimentos de um fundo mediano de outra categoria, ficando restringido pelo cenário econômico.

E isso não é necessariamente culpa do gestor por ele “ser ruim”, mas pelo próprio regulamento do fundo que limita ele a determinados ativos.

Temos também os multimercados que tem uma flexibilidade muito maior para investir em diferentes ativos que considerarem interessante para um determinado momento.

É aí que entram outra questão que se deve levar em conta para formar sua carteira diversificada: o seu perfil de investidor.

Quanto mais liberdade o fundo tiver para aplicar em qualquer ativo, maior tende a ser o risco dele. E maior a possibilidade de ganhos também (lembre-se da relação inversa de risco x retorno).

É por isso que é importante verificar o quanto de risco você se permite correr, qual objetivo você tem, qual o prazo que deseja alcançar esse objetivo financeiro.

A seguir, veja alguns princípios básicos da diversificação.

Não invista todo seu dinheiro em apenas um fundo

Não invista todo seu dinheiro em um fundo

Você já deve ter percebido que não indicamos que “coloque todos os ovos na mesma cesta”. É verdade, isso é muito arriscado.

Não é difícil vermos fundos que têm uma performance magnifica em um ano, porém passam por sufoco em períodos seguintes.

Veja o Versa Long Biased, por exemplo. Ele apareceu ele entre os melhores fundos de 2017 e realmente demonstrou um grande resultado naquele momento. Porém, é normal que passe por turbulências.

Basta ver que nesse ano ele começou com um retorno extraordinário, porém perdeu fôlego e de março a junho, perdeu inclusive para o Ibovespa:

Isso também ocorreu em outros períodos, como na época da crise mais recente do Brasil. O fundo teve um desempenho muito pior do que o Ibovespa no primeiro semestre de 2016.

E nesses períodos, certamente existiram fundos que performaram melhor que o Ibovespa.

Olhe, por exemplo, o Garde D’Artagnan.

Ele tem um rendimento estável, em linha (porém sempre melhor) que o CDI. No período de crise, conseguiu ter o desempenho melhor que o Ibovespa.

Caso você tivesse recursos em apenas um fundo como esse, você teria sofrido menos nos tempos de crise. É justamente esse o efeito de uma carteira diversificada.

Não invista seu dinheiro em 50 fundos diferentes

Não invista todo se dinheiro em 50 fundos

Equilíbrio sempre foi uma palavra que gostei e que procuro seguir em minha vida. Aqui não é diferente.

Ao mesmo tempo que é ótimo conseguir diversificar sua carteira de fundos, tudo isso tem um limite. Mesmo os benefícios da diversificação têm um limite.

Especialistas dizem que se você tiver em carteira cerca de 10 ativos diferentes, eles já cobrirão quase a totalidade do chamado risco diversificável, ficando apenas o risco sistêmico.

Logo, investir em muitos fundos de forma exagerada apenas em nome da diversificação não faz sentido. Você iria apenas perder poder de alocação eficiente e limitar demais seu patrimônio em muito fundos.

Além disso, é importante frisar que os tipos de fundos têm de ser diferentes. Entenda melhor a seguir:

Formas de diversificar em fundos

Formas de diversificar em fundos

Como frisei, o cenário econômico é determinante para o desempenho dos fundos de investimento. Vamos verificar em cada ambiente, qual fundo ganha.

Redução de juros: em um cenário onde os juros estão caindo ou com perspectivas de cair, os fundos ganhadores são os multimercados e de ações. Já fundos renda fixa tendem a ter uma performance um pouco pior. Isso ocorre porque com a queda da taxa de juros, a economia tende a se fortalecer e assim o setor real (ações) começa a ganhar, o que favorece os fundos de ação.

Já os fundos multimercados conseguem angariar boa performance pois conseguem especular com títulos públicos e aproveitar as flutuações das taxas de juros, diferente dos fundos de renda fixa que tendem a permanecer com o ativo por toda a sua maturidade, sendo penalizado por juros baixos.

Já em um ambiente de recessão econômica e com inflação alta, como o que vimos no 2º governo Dilma, os fundos de ações são bastante penalizados pois falta de crescimento econômico significa que o setor real não está conseguindo ter bons resultados, logo empresas não dão lucro e seu valor cai.

Em relação a renda fixa, seriam preferíveis fundos que investem em títulos pós fixados, que não sofrem corrosão de seu ganho real (lembre-se que é o ganho real que importa). Os multimercados aqui podem ganhar, caso tenha uma boa gestão e consigam antecipar o cenário econômico.

Existem muitos cenários que os fundos podem ganhar. E sempre haverá um fundo que irá performar melhor do que outros. Cabe escolher os melhores dentre as diversas categorias.

Para isso, tem-se que levar em conta o seu perfil de investidor, para assim decidir qual porcentagem de seus recursos alocar em cada fundo.

Por exemplo, caso tenha um perfil mais conservador de risco, é provável que você prefira os fundos de renda fixa. Porém, o que pode ser feito para diversificar é colocar um percentual maior nesses fundos, porém não deixar um percentual de zero em fundos de renda variável e multimercados.

Já se você tem um perfil mais arrojado e gosta de correr riscos em busca de um retorno maior, os fundos multimercados podem ter uma alocação maior mas não deixe de investir em fundos de renda fixa para conseguir enfrentar possíveis turbulências com mais calma.

Mesmo entre os multimercados, é sempre bom fazer uma pesquisa de onde ele investe para que você não aplique em fundos com o mesmo perfil pois mesmo os multimercados podem investir grande totalidade em renda fixa ou renda variável já que eles têm gestão com mais liberdade.

Existem diversas subcategorias de fundos multimercados e essa pode ser uma boa opção de buscar a diversificação.

Conclusão

Existem muitos fundos disponíveis no mercado e isso, na verdade é ótimo pois te dá mais liberdade de escolha.

Além disso, investir em apenas um fundo não é o ideal. Corre-se apenas um tipo de risco caso você opte por essa opção, pro bem (caso o fundo tenha um retorno exuberante) e pro mal (caso ele não dê bons resultados). É importante recorrer à diversificação e assim limitar os riscos de sua carteira.

Existe um limite para essa diversificação, não adianta investir em muitos fundos apenas por investir. Sempre procurar racionalizar esse processo levando em conta o cenário econômico.

Se ficou com alguma dúvida ou quiser contribuir mais com o assunto, comente abaixo!

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Como montar uma carteira de fundos diversificada – Principais pontos e cuidados
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