Teoria da racionalidade limitada

Última modificação em 27 de Agosto de 2021 às 10:04

O que é a teoria da racionalidade limitada?

A teoria da racionalidade limitada, também conhecida como modelo Carnegie ou Bounded Rationality, diz que o processo cognitivo humano é limitado e, por isso, é incapaz de tomar decisões perfeitas, ótimas. 

A abordagem foi criada na década de 50, por Herbert Alexander Simon. Ele foi um economista norte-americano, considerado pai da Economia Comportamental, que trabalhava na Universidade Carnegie Mellon. O modelo foi uma das derivações da sua “Teoria das Decisões”, que lhe rendeu o Nobel da Economia de 1978.

Simon foi um dos primeiros especialistas a “pensar fora da caixa”, já que, enquanto a maioria se debruçava sobre a lei da oferta e da demanda, ele expandia o conhecimento para a complexidade da realidade, da psicologia e das ciências comportamentais. 

Qual a relação entre a teoria da racionalidade limitada e a economia?

Na época de Simon, o que prevalecia era o modelo decisório racional, uma espécie de “racionalidade absoluta”.

Acreditava-se que as escolhas eram plenamente racionais — o que se alinhava também à teoria do Homo Economicus, isto é, de que as ações humanas eram orientadas pelos próprios interesses pessoais.

Por exemplo: você vai fazer seu aporte mensal e seu ativo favorito são os Fundos de Investimentos. Baseado, conscientemente, nos seus interesses, mais uma vez, você compra um FII. É uma decisão ótima.

Mas, no modelo de Simon, cada um de nós exerce o papel de “Homem Administrativo”. É aquele que, mesmo sabendo que tem uma preferência por FII, decide fazer um aporte no Tesouro para ajudar na diversificação. Logo, é uma decisão satisfatória, não ótima.

O economista entendia que a ponte entre a racionalidade e o comportamento era o conceito de escolhas ou decisões. Isso porque toda escolha é a seleção, consciente ou inconsciente, de uma, entre diversas opções comportamentais. 

Afinal, uma decisão ótima implica em acesso a todas as informações possíveis, imparcialidade, alta eficiência etc. Características que não existem na vida real. 

Geralmente, as empresas, bem como os investidores, estão sujeitas a pressões e a jogos de poder.

Segundo a teoria da racionalidade limitada, quais as fases do processo decisório?

Você provavelmente já entendeu que as escolhas não são tão perfeitinhas assim. 

Enquanto a racionalidade absoluta diz que o tomador da decisão determina critérios, pesa todas as opções e escolhe a “opção ótima”, a teoria da racionalidade limitada considera uma série de outros fatores, além de tirar toda a responsabilidade do tomador.

Logo, tanto as influências externas, como a falta de acesso a todas as informações, como as internas — que são as limitações cognitivas — tornam o processo decisório bem diferente do que a economia clássica propunha. Veja, em detalhes, suas etapas.

Prospecção

É a análise do problema ou situação que exige uma solução.

Concepção

Fase em que se cria possíveis soluções para o problema identificado.

Decisão

É o julgamento e escolha da proposta a ser realizada para resolver o problema.

Com o passador anos, outros pesquisadores foram amadurecendo as ideias de Herbert e hoje as decisões são tomadas desta forma:

  • formulação do problema;
  • estruturação do problema, visualização de uma relação entre as suas partes e criação de um modelo;
  • montagem técnica do problema;
  • testagem e simulação do modelo com suas possíveis soluções;
  • definição de controles sobre a situação;
  • implementação da solução.

O processo, dessa forma, é visto de uma maneira mais detalhada e sistematizada, não é mesmo?

Além disso, existem diferentes estilos de tomadas de decisão. 

Um administrador pode ser AP, isto é, avesso a problemas. Na sua tomada de decisão, ele tentará evitar mudanças e preservar o status quo.

Já o SP, é o solucionador de problemas. É o estilo de decisão mais frequente, pois as pessoas buscam identificar problemas e solucioná-los.

Por último, em um nível ainda mais profundo da teoria da racionalidade limitada, temos o PP — previsor de problemas. É aquele que se antecipa e tenta lidar com os desafios antes que eles se tornem dificuldades reais. 

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