Última modificação em 26 de janeiro de 2021

O que é soft default?

O soft default é o nome dado a problema de pagamento de uma dívida, expressão que vem sendo muito utilizada em razão do caso da Argentina, em que o país simplesmente não honrou os pagamentos dos seus títulos públicos junto aos seus credores.

Para compreender a ideia do soft default, é necessário entender também o que é um default simples que, em resumo, consiste na situação em que uma pessoa (sendo esta física ou jurídica) não consegue honrar com os pagamentos dentro de uma data acordada previamente. De maneira popular, é o que se chama de "calote".

Quando acontece um problema desse tipo, os investidores de um determinado título ficam sem receber o dinheiro investido, muito menos os juros que foram acordados contratualmente. E isso, sem dúvidas, é um grande problema — especialmente em dívidas soberanas, envolvendo países.

Como funciona um soft default?

Um default geralmente acontece em títulos de renda fixa, onde há uma negociação similar ao empréstimo. Isto é, uma empresa ou governo emite um título de dívida em que investidores podem "emprestar" o seu dinheiro com a condição de que, em data futura, receba-o de volta com o acréscimo de juros.

Para essa operação, claro, as partes envolvidas precisam acordar não apenas uma taxa de juros, responsável por calcular a remuneração do investimento, como também a data de vencimento, momento em que a empresa (ou o governo) deve pagar ao seu credor o valor investido e o prêmio que foi negociado inicialmente.

No entanto, como sabemos, pode acontecer de que o pagamento simplesmente não aconteça. E, neste caso, o investidor toma o seu calote e precisa buscar de algum meio para recuperar o investimento, como a via judicial.

Em casos como esse, em que a parte devedora não cumpre a sua parte do acordo em uma operação financeira, configura-se o default. Já a ideia do soft default aparece quando o não pagamento ocorre, mas há negociação sobre como o pagamento pode ser realizado. Ou seja, há uma perspectiva, ainda que com baixa expectativa, de que a dívida seja honrada.

Default vs. soft default: qual é a diferença?

Como vimos, portanto, o não pagamento de um título na data de vencimento estipulada configura-se em calote. No jargão do mercado financeiro, o termo para explicar essa situação é justamente o Default. Ele também é mais comum para dívidas soberanas, isto é, originada com países.

Já o soft default é um termo que é usado para situações específicas em que o pagamento não é feito, mas há algum tipo de diálogo entre as partes para resolver o problema. Geralmente, a solução é o alongamento da dívida, oferecendo novas condições de pagamento.

Quais são os problemas do soft default?

Um soft default, ainda que traga a tentativa de encontrar uma solução, traz diversos problemas para as partes envolvidas. A começar pelo próprio investidor que sequer consegue resgatar o dinheiro que investiu. Ou seja, além de não receber a sua remuneração pelo capital emprestado, sequer pode recuperar o que foi aportado no título (seja ele público, seja ele privado).

Para o emissor do título, um default também é extremamente problemático. Em primeiro lugar, porque a dívida segue válida e, a cada dia que passa, a tendência é que fique ainda mais cara pelo efeitos dos juros. E, no longo prazo, pode levar até mesmo à falência, especialmente no caso de empresas privadas.

Além disso, esse emissor também fica com nome sujo no mercado. Isso significa que muitos investidores não vão se interessar por novos empréstimos ou, caso exista o interesse, cobrarão altíssimas taxas de juros. No caso dos governos, esse é um ponto crítico: é necessário captar recursos para investir em infraestrutura e realizar pagamentos.

O que fazer em um soft default?

Caso você tenha um investimento em títulos e sofra um soft default, não há outra maneira de resolver o conflito do que a negociação. Em muitos casos será realmente necessário prorrogar a dívida, cobrando juros pelo atraso, mas concedendo maior prazo.

Se o calote veio de uma empresa privada, existem bons recursos que possam aumentar a chance de recebimento. No caso do Brasil, os bancos oferecem proteção via Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Eles podem garantir o pagamento em caso de inadimplência. Em outros segmentos, não existe essa proteção, mas as companhias possuem bens que podem ser tomados.

Já no caso de países, as ações são mais limitadas. Eles serão penalizados pelas agências de crédito, mas isso traz pouco resultado para quem precisa receber o dinheiro. É preciso ter paciência e lidar com o soft default.

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