Última modificação em 21 de maio de 2021

O que é modelo in kind?

Modelo in kind, de modo geral, significa bens, serviços ou transações que não envolvem dinheiro ou não podem ser medidos por uma unidade monetária. Assim, de modo geral, permutas, benefícios empresariais (vale-transporte, cesta básica etc.), impostos e doações são exemplos de modelo in kind. 

Nos investimentos, este modelo é conhecido por quem investe em ETF (Exchange Traded Funds), tanto de renda variável quanto de renda fixa. Quando os investidores compram um fundo de índice, eles precisam entregar a cesta de ativos ao administrador em troca da integralização ou do resgate do lote de cotas das ações do ETF. 

Quando se aplica o modelo in kind?

Além dos ETFs, existem duas opções em que se utiliza o modelo in kind, acompanhe:

Como funcionam os pagamentos de títulos no modelo in kind?

Normalmente, são comprados por investidores institucionais, sobretudo, em fundos de hedge, por se tratarem de investimentos de alto risco e alto retorno. Em algumas exceções, esses investidores podem escolher o dinheiro, mas, no geral, essa escolha é do emissor. 

O risco desse tipo de pagamento de título se fundamenta no fato de que o emissor, em crise e com baixa liquidez, pode tentar pagar os cupons com mais dívidas, em vez de recursos. Isso torna a companhia super alavancada e agrava o seu problema de liquidez

Imagine que uma empresa emita um título de R$ 10 milhões, com vencimento em 6 anos. O pagamento de cupom em dinheiro será de 9% e os juros 6% ao ano. 

No primeiro ano, os detentores de títulos receberão um pagamento em dinheiro de R$ 900 mil (9% de R$ 10 milhões), enquanto R$ 60 mil (6% de R$ 10 milhões) serão pagos em títulos adicionais. 

Isso aumenta o valor principal da emissão para R$ 10,6 milhões, o que vai crescendo até o final do sexto ano. Desse modo, o credor deverá receber os juros do pagamento em dinheiro quando o título for pago no vencimento.


O que são empréstimos de pagamento de títulos no modelo kind?

Além disso, existe a opção de empréstimo de pagamento de título in kind. O tomador do empréstimo tem a permissão para fazer o pagamento dos juros em outras formas que não em dinheiro. 

Essa prática é comum no meio do Leveraged Buyout (LBO). Dessa forma, as organizações podem proteger seus ativos líquidos, em momentos de baixa liquidez, pagando passivos com novos passivos. 

Outro contexto de uso desse tipo de empréstimo é no private equity, quando os fundos têm como objetivo adquirir a participação em companhias de capital fechado para que elas se valorizem e façam seu IPO (Oferta Pública Inicial). Ele permite que as empresas suportem um maior endividamento para que, em seguida, possam desalavancar gradualmente.

Mas há desvantagens no empréstimo de pagamento em modelo in kind: as taxas de juros são maiores e eles também são considerados créditos sem garantia (os prazos de vencimento são, normalmente, acima de 5 anos). 

Essa modalidade de empréstimo era relativamente comum no período que antecedeu à crise financeira de 2008. 

No entanto, em 2020, com o mercado financeiro mais maduro, essa modalidade de empréstimo sob o modelo in kind não é tão praticada. Por causa disso, os empréstimos de pagamento de título in kind são, com frequência, vistos como sintomas de mercados de crédito em pré-crise. 

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