Market Neutral

Última modificação em 31 de Agosto de 2021 às 11:30

O que é market neutral?

Market neutral é um tipo de estratégia de investimento que busca lucrar tanto com o aumento dos preços, quanto com a sua diminuição. 

Uma das formas de conseguir isso é combinar posições compradas e vendidas para diferentes ações ou fundos de ações.

Ou seja, diferente de operar vendido ou comprado, no qual o investidor se aproveita da subvalorização ou supervalorização dos ativos, no market neutral, a ideia é fazer um lado compensar o outro.

Para que serve a estratégia de market neutral?

Não é novidade que a diversificação é um princípio, nos investimentos, que se aplica a quase tudo, né? Mas ela não é perfeita. Às vezes, os ativos acabam tendo alta correlação, mesmo assim. É aí que entra o market neutral.

Diferenças geográficas, nível de capitalização e preferências de investimento são exemplos de critérios que podem falhar, na diversificação. 

Quando um fundo segue esse tipo de estratégia, podemos chamá-lo de fundo neutro ao mercado. Por exemplo: um fundo que faz short selling (venda a descoberto) e em posições longas — diferente de outros que, geralmente, só compram e vendem em posições longas.

E quando o market neutral não vale a pena?

Basicamente, quando as ações apresentam uma tendência sincronizada — o que acontece, com mais frequência, em cenários de baixa. 

Na angústia macroeconômica, ações melhores que as outras produzem pouco efeito quando o cenário é desfavorável. Metaforicamente, a maré pega todos os barcos.

Como funciona o market neutral?

Os gestores de fundos, para aplicarem essa metodologia, fazem uso de uma das seguintes abordagens:

Arbitragem estatística

O gestor mais estatístico investiga o histórico de preços e pesquisa anomalias nas empresas, utilizando modelos quantitativos e procurando oportunidades de lucro. 

É comum fazerem uma negociação pareada, com a compra e a venda simultânea de ações a descoberto de companhias do mesmo setor econômico.

Arbitragem fundamentalista

É o método que se baseia na análise fundamentalista, projetando a trajetória da empresa, sem o uso de algoritmos e métodos quantitativos. 

Na prática, gestores fundamentalistas compram empresas com fundamentos fortes e vendem a descoberto as que possuem princípios fracos. Alguns dos indicadores mais utilizados são o Fluxo de Caixa Descontado e o Retorno sobre Patrimônio Líquido. 

Quais os riscos da estratégia de market neutral?

Assim como a própria prática de diversificar, o market neutral também tem as suas limitações. Veja:

Dificuldade de zerar a posição

Na teoria, parece muito fácil ter um fundo neutro. Mas a verdade é que não é nada fácil zerar a posição, isto é, equiparar a compra e a venda de ativos em um mesmo dia para que eles se anulem.

Perigo dos longos períodos de alavancagem 

Lidar com baixa volatilidade e retornos positivos podem estimular o uso da alavancagem, o que é uma prática de alto risco.

Barreira do mercado em alta

A outra limitação é que, em tempos de bullish, não há muita saída para a estratégia de market neutral.

Além disso, o market neutral costuma ser aplicado em fundos de hedge, que são acessíveis apenas para investidores qualificados e com mais de R$ 1 milhão em carteira. 

Inclusive, eles possuem alta taxa de administração, então, mesmo se fosse acessível, não seria uma opção muito recomendada dada a quantidade de outros fundos que existem no mercado.

A Genoa Capital Gestora, JGP Asset Management e Truxt Investimentos são exemplos de empresas que oferecem esses produtos.

Na verdade, alguns fundos de hedge, nem sequer são regulados pela Comissão de Valores Mobiliários, sendo quase secretos. Essa barreira de entrada evita que esses fundos — e as estratégias que vêm com eles, como o market neutral — não causem prejuízos à grande massa investidora, que são pessoas físicas.

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