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Guerra Cambial

Autor:Equipe Mais Retorno
Data de publicação:11/07/2019 às 09:35 - Atualizado 2 anos atrás
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O que é Guerra Cambial?

Em 2011, o Brasil tinha a moeda mais valorizada entre as maiores economias globais.

Lutando para se reerguerem da crise de 2008, as principais economias do mundo ainda estavam reduzindo as suas taxas de juros e embarcando em novas políticas de compras de ativos:

  • Fed: o banco central dos EUA, tinha por objetivo combater as consequências da bolha imobiliária que tinha estourado;
  • Banco Central Europeu: a principal autoridade monetária da zona do euro, tinha a função de dar respaldo aos governos europeus com dificuldades de financiamento;
  • Banco da Inglaterra: o banco central inglês estava contornando uma situação semelhante à norte-americana;
  • Banco do Japão: a autoridade monetária japonesa resistiu em um primeiro momento, mas foi obrigada a agir.

Como consequência direta dessas ações, as moedas dessas economias se desvalorizaram, causando dois movimentos simultâneos:

  • Na economia real, as exportações aumentaram;
  • No mercado financeiro, as instituições financeiras passaram a buscar economias emergentes com taxas de juros e de crescimento maiores, deslocando o ponto de equilíbrio das moedas desses países.

Como surgiu o termo “guerra cambial”?

O termo foi usado pela primeira vez em 2010 pelo então ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele fazia referência às medidas que os vários países passaram a adotar para conter a valorização de suas moedas.

O Brasil não ficou de fora e usou vários instrumentos na época para amenizar a valorização do real, entre eles:

  • Compras de dólar à vista pelo Banco Central;
  • Taxação de derivativos de câmbio;
  • IOF sobre os financiamentos externos com prazo de 3 anos;
  • Aumento de imposto para as operações de curto prazo em renda fixa.

Diferentemente de um esforço coordenado para garantir um mínimo de crescimento econômico mundial, as desvalorizações em série refletiam a forma como os demais países garantiam a sua participação no comércio global, diante de um contexto que se agravou com a crise dos países da zona do euro.

O que Jim O’Neill, criador do termo BRICS, dizia sobre a guerra cambial?

Jim O’Neill afirmava que, ao contrário das nações desenvolvidas, o câmbio não era o principal fator limitante das exportações brasileiras:

  • Uma mão de obra rígida e pouco qualificada encarecia os produtos do país;
  • O orçamento federal, com as suas peculiaridades, mantinha a taxa de juros elevada, atraindo capitais do mundo todo.

A guerra cambial é ilegal?

Apesar da prática ser condenada pelas regras que criaram o Fundo Monetário Internacional (FMI), não existe nenhum mecanismo de punição vigente.

A única forma de se fazer isso é levando a questão para a Organização Mundial do Comercio (OMC), entidade responsável por tratar de condutas comerciais consideradas abusivas e autorizar o uso de medidas compensatórias como aumento de tarifas, por exemplo.

O que define um manipulador de câmbio?

Alguns parâmetros ajudam a identificar um país que intencionalmente move o câmbio para fora do seu ponto de equilíbrio:

  1. Reservas em moeda estrangeira superiores a 6 meses de importações;
  2. Superávit em conta corrente, como percentual do PIB, maior que zero;
  3. Aumento na relação reservas/PIB na última década.

Entre as nações que atendem aos 3 critérios, pode-se dividi-las em 4 categorias:

  1. Economias desenvolvidas: Suíça e Japão;
  2. Países com industrialização recente: Cingapura, Taiwan e Israel;
  3. Países asiáticos: Malásia, Tailândia e China;
  4. Países exportadores de petróleo: Arábia Saudita e Rússia.

Por que a guerra cambial voltou a ser um assunto recente?

A principal preocupação dos banqueiros centrais é com uma desaceleração global em função das incertezas geradas pela guerra comercial entre os EUA e a China.

Ao indicarem que cortarão os juros (a exemplo dos EUA) ou que adotarão mais medidas de estímulo (a exemplo da Europa), esses agentes geraram consternação no presidente norte-americano, Donald Trump.

Tendo prometido cuidar dos interesses dos EUA (“America First”), ele agora se volta contra a Europa e a China ao chamá-los de “manipuladores cambiais”. Para reforçar o seu argumento, quer que o Tesouro norte-americano adote uma metodologia de cálculo para o valor justo de cada moeda.

O problema é que não existe um padrão mundial estabelecido, variando-se tanto os dados coletados como as estimativas usadas.

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