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Gentrificação

Autor:Equipe Mais Retorno
Data de publicação:28/09/2021 às 05:36 - Atualizado 21 dias atrás
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O que é gentrificação?

A gentrificação é um fenômeno social que afeta um bairro — ou região — com alteração das dinâmicas da composição desse local, como a construção de novos edifícios e novos pontos comerciais com o intuito de valorização.

Essa valorização é seguida de um aumento de custos dos bens e serviços ofertados, o que dificulta a permanência de antigos moradores com renda insuficiente para essa nova realidade.

No contexto atual, a gentrificação foi popularizada pela primeira vez em 1964 pela socióloga britânica Ruth Glass. Isso aconteceu quando ela utilizou o termo para descrever o influxo de pessoas de classe média nos bairros de classe trabalhadora em Londres, fato que deslocou os ex-residentes dessas localidades.

Inúmeras cidades ao redor do mundo vivenciam esse fenômeno — o que pode ter impacto direto nas dinâmicas do setor imobiliário. Na maioria delas, alguns dos bairros que eram menos desejáveis se transformaram em locais vibrantes com escritórios e condomínios de luxo, novas opções de restaurantes e cafés, lojas caras e várias opções de entretenimento.

Quais são as causas da gentrificação?

Um dos fatores que mais contribuem para a gentrificação é o rápido crescimento das ofertas de emprego nos centros das cidades e ao longo dos bairros mais afastados. Além disso, a dinâmica mais rígida do mercado imobiliário também desempenha um papel bastante crítico em causar esse fenômeno.

Outro ponto que pode contribuir é a preferência da população por amenidades. Isso porque certos grupos preferem viver em bairros mais urbanos por conta de atrações como espaços culturais, lojas atraentes, opções diversas de restaurantes, diversidade populacional e um estilo de vida mais vibrante.

O aumento do congestionamento do tráfego de veículos também pode contribuir com a gentrificação. À medida em que as populações metropolitanas aumentam e a infraestrutura não acompanha esse movimento, o aumento resultante do trânsito e no tempo de deslocamento — juntamente com o consequente declínio da qualidade de vida — podem ser fatores que fazem surgir esse fenômeno.

Por que a gentrificação é controversa?

A gentrificação se tornou controversa porque ela veio, historicamente, com um componente significativo de discriminação contra as minorias raciais, mulheres, crianças, pobres e população idosa. Mesmo que ela possa causar uma reversão no declínio de uma região, o deslocamento causado por ela pode forçar os residentes anteriores a irem para áreas ainda mais pobres e inseguras com acesso limitado a escolhas alimentares saudáveis e moradia acessível.

Segmentos vulneráveis da população estão sob maior risco de efeitos negativos para a saúde com a gentrificação, como expectativa de vida mais curta e aumento de doenças cardiovasculares, diabetes e até câncer. O deslocamento, muitas vezes, leva à falta de apoio governamental — para a assistência de moradia de baixa renda, por exemplo — bem como ao enfraquecimento dos laços comunitários e sociais.

Quais são os impactos da gentrificação nas comunidades?

Embora em muitos casos o aumento de investimento em uma área possa ser bastante positivo, a gentrificação costuma estar associada ao deslocamento. Isso, como dito anteriormente, significa que os antigos moradores não conseguem permanecer no local para se beneficiar de todas essas vantagens.

Outro impacto bastante forte da gentrificação é o deslocamento cultural. Mesmo para os residentes que consigam permanecer em áreas recentemente gentrificadas, as mudanças no caráter de um bairro e em toda a sua composição podem levar a um sentimento bastante reduzido de pertencimento — ou causar um sentimento de estar fora do lugar mesmo estando na própria casa.

De um modo geral, não se pode ignorar que os impactos adversos da gentrificação — que vão desde efeitos individuais na saúde até uma suburbanização da pobreza — são apenas a onda mais recente em um padrão de reestruturação urbana que foi imposto e já afetou negativamente as comunidades de baixa renda ao longo das gerações. Sendo assim, a proteção dos residentes, produção de moradias populares e a preservação das que já existem são peças-chave para evitar o deslocamento.

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