Última modificação em 15 de abril de 2021

O que é flattening?

Flattening é o efeito chamado quando existe pouca diferença entre as taxas de curto e longo prazo para títulos da mesma qualidade de crédito em uma curva de rendimentos. Também chamado de achatamento, esse fenômeno é frequentemente visto durante as transições entre as curvas normais e as invertidas.

A diferença entre uma curva de rendimentos plana e uma de rendimento normal é que esse segundo tipo sempre se inclina para cima. O flattening, nesse caso, acontece quando a curva não está nem tão inclinada para cima nem tão para baixo — na realidade, ela começa a achatar cada vez mais.

Como o flattening funciona?

Quando títulos tanto de curto quanto de longo prazo oferecem rendimentos equivalentes, geralmente existem poucos benefícios em manter o instrumento de prazo maior. Sendo assim, um investidor não consegue obter qualquer compensação excedente pelos riscos associados à detenção de títulos mais longos.

Quando a curva de rendimentos está achatando, ou seja, em flattening, isso indica que o spread de rendimentos entre os títulos está diminuindo. Uma curva de rendimentos totalmente achatada pode ser o resultado de taxas de juros de longo prazo que estão caindo mais que as de curto prazo. O contrário também pode acontecer, quando as de curto prazo aumentam mais que as de longo prazo.

Normalmente, quando a curva de rendimentos já está totalmente plana é a indicação de que os investidores e traders estão bastante preocupados com as perspectivas macroeconômicas. Outra razão pela qual a curva pode se achatar ainda mais é que os participantes do mercado podem estar esperando que a inflação diminua ou que os órgãos responsáveis aumentem a taxa de fundos no curto prazo.

Como seria um exemplo de flattening na prática?

Vamos supor que os rendimentos do Tesouro em uma nota de 2 anos e um título de 30 anos sejam, respectivamente, de 1.1% e 3,6%. Caso o rendimento da nota cair para 0,9% e o do título for para 3,2%, o rendimento do ativo de prazo mais longo terá uma queda muito maior que o do Tesouro de prazo mais curto. Isso, então, reduziria o spread de rendimento de 250 pontos base para 230.

Esse exemplo de curva de rendimento achatada pode indicar fraqueza econômica, uma vez que ela sinaliza que a inflação e as taxas de juros devam permanecer mais baixas por um tempo. Sendo assim, os mercados esperam pouco crescimento econômico e a disposição dos bancos em emprestar se torna mais fraca.

Por que é difícil fazer a leitura do flattening?

Vários observadores do mercado interpretam a curva de rendimento achatada como um sinal de que maus tempos estão à frente para um mercado em alta. Na verdade, seria mais certo dizer que ela indicaria que muitos investidores acreditam que o mercado está caminhando para a recessão.

O resultado líquido dessas declarações, talvez, seja o mesmo de qualquer maneira. Isso porque uma curva de rendimentos mais plana pode tanto prejudicar os lucros quanto a estabilidade dos credores — além da disposição deles em emprestar. Se as taxas de curto e longo prazo estiverem muito próximas, o mais prudente é que os mercados esperem pouco crescimento ou que credores exigirão um prêmio de tempo ainda maior. Isso, na teoria, retardaria o ciclo de negócios.

As curvas de rendimento, quando estão em flattening no caminho para inversões, tendem a preceder as recessões. Em um gráfico, os picos mostrados sempre demonstram os períodos em que a curva era mais acentuada, ao passo em que as quedas abaixo da linha zero indicam que ela foi invertida. As linhas verticais que geralmente aparecem sombreadas representam recessões. Porém, a curva pode se achatar por anos sem cair em inversão. Além disso, as comparações com ciclos precedentes podem não ser tão relevantes.

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