Última modificação em 23 de fevereiro de 2021

O que é o efeito clientela?

O efeito clientela é uma teoria elaborada no contexto do mercado financeiro que representa uma certa irracionalidade dos investidores ao selecionar suas ações para compor uma carteira.

A teoria foi elaborada a partir do mercado americano (que é, inclusive, o principal polo de ações global). O que se percebeu é que o preço das ações na data posterior ao ex-dividendos era maior do que na data limite para recebimento dos lucros compartilhados pelas companhias, em uma média geral.

Isso significa que os investidores aumentaram o seu interesse em uma empresa após ela distribuir seus lucros, que é a função da data ex-dividendos: um dia limite para que o investidor em questão tenha acesso ao ganho de capital.

O mesmo exercício foi realizado no Brasil e a conclusão foi a mesma: ações mais caras em período posterior à distribuição dos lucros das empresas. Claro que não ocorreu em todos os casos, mas sim em uma grande maioria deles.

Quais são as conclusões sobre o efeito clientela?

Dado o cenário apresentado, o efeito clientela traz uma conclusão importante de que os investidores não são racionais ao fazer suas compras no mercado acionário. Isto é, eles ignoram benefícios importantes na hora de realizar um aporte.

No contexto desses estudos, outra constatação importante foi em relação à tributação. De maneira surpreendente, as empresas com maiores taxas de Dividend Yield (uma métrica para avaliar o retorno percentual de uma empresa pela sua distribuição de dividendos) são mais buscadas quando há cobrança de Imposto de Renda.

Por outro lado, quando os tributos são menores, há uma tendência de buscar empresas com menores taxas de dividendos. A relação, do ponto de vista racional, não faz tanto sentido.

Por que ocorre o efeito clientela?

A indicação que temos neste cenário de efeito clientela é de que os investidores tendem a preferir empresas que focam em crescimento do que as empresas que focam na distribuição de dividendos na hora de realizar os seus investimentos.

Isso porque, ao menos geralmente, as menores taxas de Dividend Yield representam que a companhia optou por preservar o seu lucro para reinvestir no próprio negócio. Assim, portanto, temos uma estratégia de crescimento.

Empresas que por sua vez distribuem uma parte maior do seu lucro representam organizações consolidadas, sem tanta necessidade de reinvestir na própria companhia (o que não significa que não exista margem para crescer).

Considerando ainda a questão que abordamos sobre a tributação, a conclusão é de que, ao contrário do que muitas pessoas acreditam, os mercados não são totalmente racionais e, portanto, não podemos dizer que possuem máxima eficiência.

O efeito clientela é positivo?

Para o investidor adepto do Value Investing, esse cenário oferecido pelo efeito clientela é positivo. Esse é o conceito utilizado por grandes investidores, como Warren Buffett, defendendo que é importante comprar boas empresas, mas por um valor abaixo do justo. Assim, obtemos uma margem de segurança relevante no investimento.

Ao constatar o efeito clientela no mercado acionário global, fica claro que os mercados não são racionais e, desta forma, os preços das ações nem sempre refletem o justo para o momento em que as empresas vivem.

Para o investidor que aplica o conceito de Value Investing, isso é uma ótima notícia. Se os mercados nem sempre acertam na precificação (e, na realidade, muitas vezes erram), isso representa que existem, periodicamente, excelentes oportunidades de comprar ótimos negócios a preços baratos.

Sendo assim, podemos dizer que o efeito clientela é um dos motivos pelos quais é possível encontrar distorções de precificação no mercado financeiro, um dos principais pilares para quem deseja lucrar investindo em ações de empresas.

Termo do dia

Consignação em Pagamento

O que é consignação em pagamento? No dicionário, o termo “consignar” corresponde em tornar oficial determinada ação; é o caso de documentar ou registrar algo, mencionar…