Mercado Financeiro

O mercado financeiro deve começar a semana, que abre também novo mês, cauteloso e em posição defensiva. Por dois motivos, principalmente.

O primeiro é a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central (BC), que definirá a nova taxa básica de juros, a Selic. A decisão será tomada na próxima quarta-feira, 4, e a expectativa é que o ajuste seja mais forte desta vez.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Edifício-sede do Banco Central no Setor Bancário Norte, em lote doado pela Prefeitura de Brasília, em outubro de 1967 - Foto: Agência Brasil

Em recentes e seguidas revisões, analistas têm dobrado a aposta, quase consensualmente, para uma elevação de um ponto porcentual, em vez 0,75 ponto, o que elevaria a Selic de 4,25% ao ano para 5,25%. 

Nos três encontros anteriores (março, maio e junho) desde que iniciou o ciclo de alta do juro básico, o Copom promoveu três aumentos de 0,75 ponto porcentual e já havia adiantado nova elevação de igual calibre na reunião desta semana.

Inflação ainda segue pressionada

Sinais de pressões adicionais sobre a inflação, provenientes da alta de preços do setor de serviços, identificadas no IPCA-15 de 0,72% deste mês, levaram o mercado a rever suas expectativas para a nova Selic. Estimativas que podem ser reforçadas por novas projeções de inflação serão divulgadas pelo boletim Focus nesta segunda-feira.

Especialistas comentam que o Copom terá uma tarefa desafiadora nesta reunião para a definição de nova Selic, de modo a chegar a um meio termo de taxa básica que esfrie o ritmo de aceleração de preços sem pisar no freio do crescimento econômico.

A expectativa com a decisão do Copom sobre a Selic dividirá a atenção do mercado financeiro com o noticiário político – com a retomada dos trabalhos do Congresso e da CPI da Covid no Senado - e econômico.

Nesse âmbito, envolvem os possíveis aumentos de gastos além do teto para bancar programas sociais com medidas que estariam em estudo pelo governo e Congresso. 

Descontrole fiscal assusta o mercado

O ressurgimento de temor com o risco de descontrole fiscal, em um cenário de inflação em alta e ajuste nos juros, criou mal-estar no mercado financeiro e derrubou a bolsa de valores na última sexta-feira, 30.

A B3 recuou 3,08% e aprofundou a perda acumulada no mês para 3,94%.  O dólar ganhou tração, subiu 2,57% no dia e acumulou valorização de 4,76% no mês.

A dúvida entre analistas e especialistas é saber se esse comportamento negativo dos mercados, tendo como pano de fundo as preocupações com as contas públicas, foi apenas um episódio e limitado à sexta-feira, ou poderá se estender para os próximos dias.

O mercado financeiro continuará acompanhando também ao longo da semana os novos balanços que serão divulgados pelas empresas. O destaque desta segunda-feira será o resultado do Itaú, que chega com os demais programados, como os da BB Seguridade, PetroRio, Pague Menos, Marcopolo, Copasa e Heringer.

O destaque na agenda externa do mercado financeiro desta semana são os dados da taxa de desemprego em julho que serão divulgados nos Estados Unidos na sexta-feira, 6.

A estimativa é que os números indiquem cerca de um milhão de contratações. Dados que, se confirmados, poderiam reacender o debate em torno da redução gradual de recompra de títulos pelo Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA).

NY: futuros em alta

Em Nova York, os contratos futuros negociados nas bolsas locais operam em alta, à medida que o pacote de infraestrutura de US$ 550 bilhões se aproxima da aprovação no Senado nesta semana.

As ações globais em julho completaram sua sequência de vitórias mais longas desde 2018, mas o ritmo de ganhos foi o mais lento dos últimos seis meses, segundo Filipe Teixeira, sócio da Wisir Research.

“Os ganhos corporativos devem auxiliar esta retomada, mas os riscos incluem o impacto da inflação elevada e a tensão em torno da variante delta na economia mundial, bem como a pressão na China por mais controle sobre algumas de suas principais empresas”, aponta.

Para a Capital Economics, a opinião é semelhante: a recuperação dos mercados acionários de Nova York dos níveis baixos provocados pela crise do coronavírus já atravessou a maior parte de seu percurso, e os avanços dos índices devem moderar nos próximos.

A consultoria avalia que há pouco escopo para que os balanços de empresas surpreendam positivamente investidores daqui em diante, e duvida que o "impulso que os mercados receberam de avaliações mais positivas no ano passado continuarão".

Em outro tópico acompanhado de perto por investidores, o presidente da distrital de St. Louis do Fed, James Bullard, defendeu que a entidade comece a reduzir os estímulos monetários nos EUA a partir do fim de setembro, até o fim do primeiro semestre de 2022. O dirigente ainda disse temer que um novo choque inflacionário no país obrigue o BC americano a reagir abruptamente, caso o aperto monetário seja adiado.

CPI da Covid: volta aos trabalhos

Outro tema que está no radar do mercado é o retorno dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado nesta semana. A comissão pautou para esta terça-feira, 3, a convocação do ministro da Defesa, Braga Netto. O pedido ainda divide os senadores da comissão, até mesmo dentro do grupo majoritário.

Na terça, a CPI retoma os trabalhos após o recesso parlamentar. A cúpula do colegiado deve discutir na noite desta segunda-feira, 2, a possibilidade de chamar o ministro para depor.

Braga Netto entrou em conflito com a cúpula da CPI ao assinar uma nota em conjunto com os comandantes das Forças Armadas criticando o presidente da comissão, Omar Aziz. Durante depoimento do ex-diretor do Departamento de Logística em Saúde do Ministério da Saúde Roberto Dias, Aziz afirmou que o "lado podre das Forças Armadas" estava envolvido em "falcatruas" do governo.

No âmbito da CPI da Covid, senadores querem coletar informações do período em que Braga Netto chefiou a Casa Civil, entre fevereiro do ano passado e abril deste ano. A comissão quer apurar se houve pressão sobre o Ministério da Saúde para fechar contratos que viraram alvo da CPI, entre eles o da compra da vacina indiana Covaxin.

Bolsas asiáticas fecham em alta

Os mercados acionários da Ásia registraram ganhos nesta segunda-feira. Investidores monitoraram resultados da temporada de balanços, enquanto uma queda em leitura sobre a indústria da China não prejudicou o apetite por risco.

Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei terminou em alta de 1,82%, em 27.781,22 pontos. O resultado foi puxado por ações de empresas que publicaram balanços bem avaliados pelo mercado, mesmo em meio a preocupações com o reforço de medidas de controle contra a covid-19 no Japão.

Misumi Group subiu 8,8%, após elevar previsões para o ano fiscal, e Toto ganhou 6,0%, após seu lucro líquido superar a previsão dos analistas.

Na China, a Bolsa de Xangai fechou com ganho de 1,97%, aos 3.464,29 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, subiu 2,15%, aos 2.436,92 pontos. As ações chinesas se recuperaram de uma queda na semana anterior, com montadoras e companhias de bebidas compensando as perdas de siderúrgicas nesta segunda-feira.

Kweichow Moutai ganhou 4,5%, após balanço, enquanto Wuliangye Yibin avançou 6,2% e Luzhou Lao Jiao, 5,7%. BYD Co. teve alta de 10% e fechamento em nível recorde.

Já as siderúrgicas caíram, com a intenção de Pequim de reduzir emissões de gases causadores do efeito estufa. Baoshan Iron & Steel perdeu 7,8%.

Na agenda de indicadores, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria da China, medido pela Caixin Media e pela IHS Markit, caiu de 51,3 e junho a 50,3 em julho, na mínima em 16 meses, mas ainda acima da marca de 50, o que indica expansão nessa pesquisa.

Na Bolsa de Seul, o índice Kospi fechou em alta de 0,65%, em 3.223,04 pontos. Ações de tecnologia, montadoras e varejistas puxaram os ganhos na Coreia do Sul, após uma leitura positiva das exportações do país. Samsung Electronics subiu 1,0%.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng subiu 1,1%, aos 26.235,80 pontos. Em Taiwan, o índice Taiex registrou alta de 1,49%, aos 17.503,28 pontos.

Na Oceania, a Bolsa da Austrália também encerrou com ganhos. O índice acionário S&P/ASX 200 avançou 1,34% em Sydney, aos 7.491,40 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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