Mercado Financeiro

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, foi a aplicação mais rentável de abril, pelo segundo mês consecutivo, com valorização de 1,94%. Em março, a bolsa de valores liderou o ranking com ganho de 6%.

Um dos fatores de estímulo que impulsionaram o mercado de ações veio do exterior. Foi o aumento da demanda e dos preços das commodities – minério de ferro, petróleo, proteína animal, dentre outras -, sobretudo pelas compras da China, que beneficiou as empresas exportadoras. Companhias que têm também forte peso na formação do Índice Bovespa (Ibovespa) e influenciam, portanto, a trajetória do principal índice da B3.

Mercado: Bolsa oscila entre perdas e ganhos; dólar cai
Alta dos juros e definição do Orçamento influenciaram os mercados em abril - Foto: Arquivo

Mas a B3 não reagiu apenas a esse cenário mais favorável às commodities, no mercado internacional. No terreno das expectativas domésticas, a perspectiva de uma retomada de alguns setores da economia, principalmente varejo, puxada pela possível aceleração do ritmo de vacinação contra a covid-19, também animou os negócios na bolsa.

A temporada de balanços ajudou positivamente a movimentação no mercado, com resultados positivos como os da Vale e do banco Santander, sobretudo pela perspectiva de que novos balanços que ainda serão divulgados apontarão um lado real da economia com certo vigor.

O mercado de ações tocou os negócios relativamente descolado de ruídos políticos, ocupado apenas em monitorar, no radar, as movimentações em Brasília. De todo modo, reagiu bem, de acordo com especialistas, à solução do impasse do Orçamento 2021 sem algumas das medidas que poderiam desrespeitar o teto de gastos.

Bolsa lidera e dólar na lanterninha

O dólar fechou abril com desvalorização de 3,49%, a primeira queda mensal no ano, que empurrou a moeda americana para a última posição no ranking. A arrancada de última hora nesta sexta-feira, 30, quando avançou 1,79% no dia, não foi suficiente para que o dólar compensasse as perdas que veio acumulando ao logo do mês.

Um dos fatores que tiraram a sustentação do dólar em abril foi a redução do estresse fiscal, após a sanção do Orçamento 2021 pelo presidente Bolsonaro sem o aumento de despesas que poderiam furar o teto de gastos e agravar as contas públicas.

Contribuiu ainda para a queda do dólar ao longo de abril a elevação da taxa básica de juros, a Selic, de 2% para 2,75% ao ano, em março, vista pelo mercado financeiro como uma disposição firme do Banco Central (BC) de conter a inflação. A inflação em alta, que ameaça sair de controle acentuava o risco País, que, por sua vez, pressionava o dólar e puxava para cima a inflação. A decisão do BC de elevar 0,75 ponto porcentual a Selic, acima de 0,50 ponto esperado quase consensualmente pelo mercado, fortaleceu a credibilidade da autoridade monetária e acalmou os mercados, especialmente o de dólar.

Tanto as incertezas derivadas do impasse em relação ao Orçamento quanto o cenário de agravamento de risco com a aceleração inflacionária e juros baixos vinham dando gás à valorização do dólar. Investidores mais ressabiados passaram a procurar proteção para seu patrimônio no câmbio, que já vem pressionado, pelos mesmos motivos, pelo movimento de retirada de capital do País pelos investidores estrangeiros.

Ademais, o dólar passou por desvalorização global ao longo de abril, o que ajudou a baixa das cotações domésticas. Ainda assim, as moedas emergentes com economias pares com o Brasil sustentam uma valorização mais acentuada que o real no ano, diante do dólar, até abril. Um desalinhamento que os especialistas atribuem à persistência de incertezas políticas, econômicas e com a pandemia, sem as quais, acreditam, o dólar estaria abaixo dos níveis atuais.

Acompanhe o ranking das aplicações, em abril e nos quatro meses do ano, elaborado pelo administrador de Investimentos, Fábio Colombo.

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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