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Mercado Financeiro

Quem é Diego Labat? Conheça sua história e importância no mercado

Diego Labat é contador e economista que trabalhou em grandes instituições bancárias como Santander. Labat é o presidente do Banco Central do Uruguai.

Data de publicação:20/01/2022 às 11:02 -
Atualizado 3 meses atrás
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O atual presidente do Banco Central do Uruguai- BCU, Diego Labat elaborou uma política econômica para o país baseada na desdolarização da economia uruguaia. A principal estratégia de Labat é reduzir a inflação e fixar os preços dos imóveis e dos automóveis em na moeda local.

Mas afinal quem é Diego Labat?

Diego Labat nasceu em 19 de dezembro de 1969, em Montevideo, no Uruguai. Se formou em 1993 em Contabilidade Pública, na Universidade da República (UDELAR), na capital uruguaia. Três anos depois, ele se formou também em economia na mesma universidade.

Em 2005, concluiu seu mestrado em Economia Internacional na UDELAR. Após seis anos, ele concluiu seu PCD (Corporate Development Program), pela IESE Business School, na Universidade de Madrid, na Espanha.

Em 2014, Labat finalizou seu PAD (Programa de Aprendizagem e Desenvolvimento) pelo Instituto de Estudos Empresariais de Montevideo – IEEM, em Montevideo, no Uruguai.

Diego Labat atua há mais de 20 anos no sistema financeiro, em diversas instituições financeiras internacionais, tanto no seu país de origem, quanto no exterior. Sua principal linha de atuação é na gestão de dados e setor financeiro.

Além disso, ele atuou como professor na Universidade da República entre 1996 e 2013, curso de Educação Bancária.Também foi docente do curso Bancos e Mercados de Ações na Universidade de Montevideo (UM), de 1998 a 2011.

Desde 2006, Diego Labat é professor na Universidade Católica (UCUDAL), nos cursos de graduação e pós-graduação de Finanças.

História de Diego Labat

Em 1993, Diego Labat era um dos colunistas da página de economia – Indicadores de Mercardo, do jornal Diario El País. Entre 1993 e 2001, ele atuou no departamento de Contabilidade, Auditoria Interna e Negócios com o exterior, no ABN AMRO Bank, na sucursal do Uruguai. A partir de 2001 até 2008, Labat foi contador geral dessa instituição financeira.

Em 1998, Labat reorganizou o departamento de informações financeiras na sucursal venezuelana do ABN AMRO Bank.

De 2008 a 2012, Diego Labat se tornou Contador Geral do Banco Santander. De 2012 a 2015, ele se tornou Diretor da Bolsa Eletrônica de Valores do Uruguai, a BEVSA.

Em 2015, Diego Labat retornou ao Banco Santander para ser Diretor Financeiro. Na instituição, Labat fez a gestão financeira e da tesouraria, promovendo gestão de liquidez e estratégias de investimento.

Entre julho e março de 2020, Diego Labat foi Diretor da ANCAP – Administração Nacional de Álcool e Combustível Portland e fez parte dos conselhos de várias subsidiárias como Gas Sayago, CABA, Cementos del Plata, ALUR e DUCSA.

Em março de 2020, Labat foi nomeado Presidente do Banco Central do Uruguai.

Banco Central do Uruguai

Em 24 de agosto 1896, foi aprovado o estatuto do Banco de la República Oriental do Uruguai. Essa instituição tinha as atribuições do Banco Central do país. Em 1935, houve uma mudança na regulamentação legal, no regime monetário e no Departamento de emissão.

Quatro anos depois, um novo regimento orgânico foi aprovado, instituindo duas secretarias: de Emissão e Bancária. O departamento de emissão tem como principal competência cunhar moeda, conforme estabelecido pelo Poder Legislativo.

Em 1967, conforme artigo196 da Constituição da República Oriental do Uruguai, o Banco Central do Uruguai foi criado como uma instituição estatal e com autonomia.

As principais responsabilidades do Banco Central do Uruguai é supervisionar e regulamentar as instituições financeiras do país. Além disso, a entidade representa o Uruguai diante de outras entidades internacionais financeiras.

De acordo com o artigo 7º do Estatuto do Banco Central do Uruguai, a instituição atua como banqueiro, agente financeiro e assessor econômico do Governo do país.

Em 1996, a Lei 166 aprovou o alvará da instituição, ampliando suas responsabilidades e definindo suas funções e estrutura da gestão do BCU.

A Diretoria do Banco Central do Uruguai é composta por três membros que são nomeados, de acordo com o artigo 187ª da Constituição da República Uruguaia.

O edifício do Banco Central do Uruguai comporta também o Museu da Numismática, que tem entrada gratuita ao público.

Posse de Labat ao Banco Central

No dia 1º de março de 2020, o presidente eleito uruguaio Luis Lacalle Pou tomou posse, após vencer as eleições para presidência do Uruguai, no segundo turno em 24 de novembro de 2019.

No dia da posse, Lacalle escolheu vários membros para seu novo governo. Sete desses cargos foram alocados para seu partido de centro-direita, o Partido Nacional (PN), incluindo o da presidência do Banco do Central Del Uruguai para Diego Labat.

Ao tomar posse, Labat apresentou quais seriam seus três pilares como presidente do BCU. São eles:

  • Garantir maior liquidez da economia por meio de uma Política monetária eficiente.
  • Prever o funcionalmente do sistema financeiro uruguaio normalmente.
  • Reduzir os efeitos da expansão do Covid-19 sobre as atividades econômicas do Uruguai, incluindo abertura de crédito para empresas

A principal meta de Labat enquanto presidente do Banco Central do Uruguai será reconstruir a credibilidade do país e combater sua inflação.

Diego Labat apontou que vai buscar alterações jurídicas no regulamento do BCU, a fim de construir uma estratégia de “desdolarização” da economia uruguaia e aumentar a independência da instituição na prestação de suas contas.

Desdolarização da economia uruguaia

Numa entrevista ao Canal 5 do país, Diego Labat afirmou que considera num futuro próximo implementar regras para fixar os preços dos imóveis e dos automóveis em pesos (moeda uruguaia).

O presidente do BCU informou que atualmente os consumidores uruguaios não sabem quanto custa diversas mercadorias em pesos uruguaios. Para ele, não faz sentido que o valor de um automóvel ou imóvel esteja em dólares, uma vez que quem vai comprar ganha em pesos uruguaios como 98% da população.

O processo de dolarização no país já dura mais de 50 anos. Sua origem está nas altas taxas inflacionárias.

Labat acredita que a única forma de manter o crescimento econômico a longo prazo do Uruguai é o processo de desdolarização. Isso também pela credibilidade e independência do Banco Central uruguaio.

Questionado o que falta para que Diego Labat coloque sua estratégia em prática, é ter uma inflação abaixo de 3%. No último ano, até sua posse, a inflação uruguaia fechou em 6,8%.

Labat acredita na reconstrução dessa nova economia, com inflação mais baixa e o peso sendo uma moeda de qualidade.

A recuperação da economia uruguaia

Por conta da pandemia do Covid-19, a economia uruguaia foi impactada, chegando a entrar em colapso em meados de 2020. O Governo Uruguaio espera atingir a imunidade de rebanho contra o novo coronavírus até final de setembro.

No seu primeiro relatório de Política Monetária, Diego Labat estima que que a economia uruguaia vai crescer 3,5%. É um crescimento lento diante do cenário internacional que apresenta uma maior recuperação, principalmente os países Estados Unidos e China. Isso provoca um aumento no preço dos commodities.

Diego Labat projeta no final de 2021, a inflação uruguaia será de 6,3%. Para 2022, Labat acredita que a inflação será de 5,2%.

Com essa projeção, na última reunião do Copom – Comitê de Política Monetária do Uruguai, a diretoria do Banco Central do Uruguai resolveu manter a taxa básica de juros (MPR) em 4,5%. Com isso, o governo espera tornar a economia mais dinâmica, expandindo a política monetária.

Assim como no Brasil, o MPR atua como preço do peso uruguaio. Um MPR baixo é tradução de que os custos de crédito bancários também estão baixos. Dessa forma, um MPR baixo pode elevar a inflação. Além disso, o Copom uruguaio percebeu que houve uma queda na taxa de empréstimos para grandes empresas.

As perspectivas econômicas de Diego Labat

Para Diego Labat, o sistema econômico e financeiro uruguaio vai avançar somente se as instituições financeiras mais tradicionais estiverem juntas com as companhias de fintech (empresas que usam soluções tecnológicas para prestar serviços financeiros).

Portanto, desde sua posse, Labat busca inovar o sistema financeiro, com a entrada de novos atores e a melhora de práticas. Seu principal objetivo é estimular que as empresas fintech atinjam diferentes setores da população uruguaia.

O presidente do Banco Central do Uruguai também acredita que as instituições financeiras tradicionais precisam mudar seu comportamento para entender que há nichos de mercados que eles não conseguem cobrir. Para trabalhar nesses espaços, as fintechs entram para competir e gerar melhores práticas.

Programa NOVA BCU

Diego Labat e sua equipe criou o Programa de Inovação Nova BCU baseado em três pilares: acessibilidade, inovação e solidez.

Para implantar esse novo programa, Labat informou que o sistema financeiro uruguaio se expanda. Muitas empresas fintechs começam a serem abertas no país, principalmente, bancos 100% digitais que permitem que muitos uruguaios tenham acesso a uma conta bancária.

O programa NOVA BCU propõe a incorporação tecnológica para todo sistema financeiro do país, regulando os atores que estão presentes no sistema, o que desejam entrar e até mesmo aqueles que acham que não fazem parte do sistema.

As principais inovações de Diego Labat são as plataformas de empréstimo de pessoa para pessoa (P2) e sites de crowdfunding. Além disso, o BCU introduziu o onboarding digital, em que as instituições financeiras podem incorporar novos clientes digitalmente, sem “papéis”.

Além disso, Labat informou que o BCU tem estudado informações e riscos para atender as criptomoeadas no país. Outra prática que precisa ser melhorada no país é o sistema de pagamentos do país.

Labat acredita que a chave para que o sistema financeiro do Uruguai avançar é o open banking. O open banking é uma prática que todas os atores do sistema financeiro permitam que outros atores usem seus softwares. No entanto, para que isso aconteça, o BCU precisa estabelecer regras atrativas para incentivar a participação das instituições.

O Banco Central do Uruguai precisa impor condições técnica para que não haja nenhum problema tecnológico que coloque o sistema financeiro do país num grande risco. Todos os atores do sistema precisam de garantias.

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