Economia

O aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), cobrado nas operações de crédito de pessoas físicas e empresas, passa a valer para as operações realizadas a partir desta segunda-feira, 20. No caso das empresas, a alíquota diária do IOF subirá de 0,0041% (o equivalente a uma taxa anual de 1,5%) para 0,00559% (2,04% no ano). Já para pessoas físicas, será elevada de 0,0082% (alíquota anual de 3,0%) para 0,01118% (referente a alíquota anual de 4,08%)

Um aumento mal recebido, pelo impacto nocivo na economia, teve a reação negativa ampliada entre os agentes econômicos e financeiros porque os recursos serão usados para financiar os gastos com o novo programa social. Necessário, mas com conotação populista, de acordo com os agentes, focado nas eleições. Os efeitos práticos da medida serão imediatos. .

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O IOF mais alto será cobrado em operações de crédito, logo na entrada, porque virá descontado do valor que cairá na conta. Uma vantagem e tanto para o governo porque significará uma arrecadação rápida, ainda que por período limitado, até dezembro (tempo de duração da medida).

Será um custo adicional para toda a economia que, além de tornar o financiamento mais caro, aumentará a inadimplência, de acordo com o economista Roberto Luís Troster. “É uma medida que tributa os pobres (os que recorrem ao crédito) e esquece dos ricos.” Comparação que cabe também às pequenas empresas, as que mais dependem de crédito.

O IOF mais alto estará valendo para as novas operações, mas atingirá também quem já tem dívida e vai renovar a operação, que será fechada com prestação mais alta. O aumento de IOF torna mais caro o crédito em um momento que as taxas de juro também estão subindo e devem ter nova alta na próxima semana, na reunião do Copom, uma combinação que gera “pressão de custo de dois lados”, observa Troster.

IOF veio em hora errada

O economista-chefe da Acrefi, Nicola Tingas, diz que a decisão “veio em hora inadequada, em momento que a economia dá sinais de acomodação”, sem tração para garantir um crescimento mais robusto em 2022, cujas previsões vêm sendo revistas para baixo. “É uma política equivocada aumentar o custo na economia, ainda que para um causa nobre, com elevação de tributos, em vez de uma redução de gastos.”

O mercado financeiro também reagiu negativamente à elevação do IOF, medida que economistas e especialistas consideram negativa para a retomada da atividade econômica e, por extensão, para o mercado financeiro.  A bolsa de valores, a B3, fechou com queda de 2,07% e o dólar avançou 0,65%.

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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