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O que é Double spending e quais seus riscos no mundo das criptos?

Double spending é um processo em que há duplicação de um pagamento no mercado das criptomoedas. Entenda como ele funciona e quais são os impactos para as moedas digitais.

Data de publicação:25/02/2022 às 09:00 -
Atualizado 3 meses atrás
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Você já ouviu falar em double spending? Esse termo é bem comum no mercado das criptomoedas, mas as terminologias em inglês nem sempre favorecem os brasileiros na hora de entender a dinâmica de cada classe de ativos.

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Hoje, portanto, vamos explicar para você tudo sobre essa nomenclatura e qual é o impacto nos seus investimentos em criptomoedas. Vamos lá!

O que é double spending?

Em tradução livre para o português, double spending significa "gasto duplo". E isso por si só já merece a nossa atenção, afinal, ninguém gosta de enfrentar problemas relacionados ao dinheiro sem necessidade, concorda?

Pois bem, no mercado das criptomoedas, o gasto duplo acontece quando uma transação é feita simultaneamente com dois usuários diferentes, utilizando o mesmo valor duas vezes.

Imagine, por exemplo, que você vá ao mercado com dez reais. Considere ainda que uma bolacha custe dez reais e um chocolate também tenha o mesmo preço. Com dinheiro físico, você não poderá comprar os dois itens com os mesmos dez reais. Será preciso ter duas notas para adquiri-los.

No entanto, no ambiente digital, pode acontecer de uma pessoa realizar duas transações ao mesmo tempo com outros usuários, utilizando a mesma criptomoeda. Esse é considerado como um erro de processo, na medida em que o correto é que o valor não seja duplicado.

Como eliminar o risco do double spending?

Como vimos, o double spending não é uma característica do mercado de criptomoedas, mas sim um erro do sistema digital. Os arquivos que contém as informações dos ativos, afinal, podem ser duplicados, mas não é o uso correto do sistema. Pode ser, inclusive, uma tentativa de fraude por parte dos usuários.

No entanto, embora seja algo que você precise ficar de olho ao investir nas criptomoedas, existem algumas soluções em andamento para evitar que o gasto duplo apareça em meio às operações com moedas digitais. Em resumo, são duas estratégias para proteção diante do double spending: centralização e descentralização.

Estratégia de centralização

A estratégia de centralização oferece uma dinâmica mais próxima do mercado financeiro tradicional, porque envolve uma terceira entidade no processo além dos usuários que estão negociando os ativos. É justamente o papel dos bancos, mas aplicado ao ambiente digital.

Neste caso, essa entidade ficará responsável por validar as transações — algo que, naturalmente, deve ser feito em um sistema automático, evitando assim a morosidade no processo. É necessário, entretanto, que ela tenha uma boa reputação junto aos participantes do mercado de criptomoedas. Isto é, ela deve ser confiável.

O problema dessa solução, embora seja mais simples, é que uma falha nesse processamento das transações pode simplesmente atrasar ou cancelar o envio das criptomoedas. E, neste caso, o mercado pede o benefício da eliminação do agente intermediário (justamente um dos principais benefícios das moedas digitais).

Estratégia de descentralização

A outra solução existente diante do double spending é a estratégia de descentralização. Ao contrário da primeira técnica, aqui as transações precisam emitir o que se chama de Prova de Trabalho (Proof of Work). Esse protocolo é registrado em toda rede. É justamente o que acontece com o Bitcoin em sua rede blockchain.

Desta maneira, toda e qualquer operação realizada com uma criptomoeda que adote um sistema descentralizado recebe um registro único e visível, de modo a impedir tentativas de fraude como o double spending.

As transações com Bitcoin, por exemplo, só são consideradas válidas após o processo de mineração ser devidamente realizado e registrado na rede blockchain. Só então tudo é aprovado e considerado como válido, gerando uma ampla segurança a todo sistema digital.

Caso algum hacker queira sabotar esse mercado e realizar um gasto duplo, precisaria então não apenas reescrever o protocolo da moeda que ele deseja duplicar, mas sim toda cadeia em blocos que foi formada na mineração. Isso torna o processo extremamente trabalhoso e, consequentemente, aumenta a segurança de todo sistema.

Quais são as formas de aplicar um golpe de double spending?

Diante das estratégias de proteção das criptomoedas, os ataques de hackers com golpes ficam mais difíceis — o que é ótimo em termos de proteção. Sendo assim, como eles tentam gerar fraudes nos sistemas das moedas digitais?

De uma forma geral, existem duas técnicas possíveis para aplicar um golpe em projetos como o Bitcoin. Vamos entender a dinâmica dessas tentativas.

51% Attack

É o nome dado a um ataque que controla mais do que 50% do sistema de controle da produção da criptomoeda. Não é simples de ser executado e, no caso específico do Bitcoin, altamente improvável — tanto que jamais foi registrado um caso com essa moeda digital. No entanto, outros projetos já sofreram com esse tipo de fraude.

Race Attack

Outro tipo de golpe que é comum nesse mercado é chamado de Race Attack. Aqui, o invasor tenta duplicar um pagamento e gerar o double spending. Se o receptor do pagamento espera a validação do sistema (ainda mais no caso do Bitcoin, que pode utilizar até seis confirmações), a fraude não será concluída. Contudo, pode funcionar quando o receptor da criptomoeda estiver com pressa e não aguardar todo processo de validação.

O mercado de criptomoedas perde segurança com o double spending?

A segurança é um dos principais pontos quando o assunto são as transações financeiras. Desta forma, é comum que exista uma certa dúvida em relação ao mercado digital quando entendemos a existência do double spending.

Entretanto, isso não invalida os protocolos de segurança que foram desenvolvidos até aqui. Pensando no Bitcoin, como vimos ao longo do artigo, a chance do golpe é quase que insignificante, justamente pela dinâmica de funcionamento da criptomoeda. Ao mesmo tempo, pensando em outros projetos digitais, é preciso analisar individualmente o risco.

Outro ponto importante é que essa tecnologia ainda está em desenvolvimento. Portanto, ao longo dos próximos anos, devemos encontrar novos mecanismos de defesa para impedir a ação de golpistas que coloquem em risco a integridade do mercado digital.

De qualquer forma, para quem gosta de investir em criptomoedas, é essencial acompanhar o desenvolvimento do mercado e compreender todos os aspectos que podem influenciar os resultados obtidos com cada tipo de investimento.

Sobre o autor
Stéfano Bozza
Formado em Administração pela PUC-SP. Trabalhou em empresas do segmento financeiro (Itaú BBA) e varejo (BRMALLS) até 2016, quando iniciou a jornada de produção de conteúdo para a internet com foco em finanças.