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A montadora alemã Daimler Trucks, dona da Mercedes-Benz, tem um plano estruturado para colocar em prática até 2025. Quer ser um grupo automotivo no qual a margem de rentabilidade é medida na casa dos dois dígitos.

Usando palavras da própria direção da empresa, "consertar" o negócio no Brasil - onde, a exemplo da Europa, o histórico de inconsistência financeira precisa ser "significativamente melhorado" - estará no centro desse objetivo.

Caminhões da Mercedes-Benz que integram a linha Actros - Foto: Mercedes-Benz/Divulgação

Na última quinta-feira, durante apresentação de seus planos financeiros e de transição tecnológica nos próximos anos a investidores e analistas, a Daimler apontou os prejuízos no Brasil entre os desafios na busca por melhores resultados financeiros.

O diagnóstico é o de que a operação da Mercedes-Benz no País vem sofrendo por conta de seu próprio desempenho, mas também em razão de variáveis externas, como a forte depreciação do real - um grande problema já que há alta dependência de peças importadas nas fábricas brasileiras - e a instabilidade política.

O remédio, conforme mostrou a direção da montadora, tem sido implementar um programa de reestruturação cuja meta é reduzir a exposição cambial, a partir da maior localização de peças e aumento das exportações, cortar de forma rigorosa os custos fixos e diminuir em 10% o quadro de funcionários de áreas administrativas.

"Obviamente, não podemos mudar volatilidades externas, mas podemos construir um modelo de negócio mais robusto e resiliente", comentou Karin Rådström, presidente mundial da marca Mercedes-Benz, posto que ocupa junto com a chefia das operações na Europa e na América Latina.

Ao compartilhar as conclusões que chegou em 100 dias na liderança global da região, Karin classificou o Brasil, onde a Mercedes está presente desde a década de 1950, como um mercado "chave", manifestando também confiança no País no longo prazo.

Contudo, ainda que tenha ganhado participação num mercado em declínio, ela ressaltou que a montadora de caminhões não tem sido capaz de melhorar, no mesmo ritmo, a sua rentabilidade no País.

Atualização de portfólio

Além de medidas que visam a diminuir a sensibilidade do negócio a variações no câmbio, a Mercedes, frisou a presidente, está renovando o portfólio com produtos compatíveis às necessidades dos transportadores brasileiros.

Revisar o desempenho da rede de concessionárias e dar maior foco a novas fontes de receita com prestação de serviço também são frentes nas quais a montadora vem trabalhando. No Brasil, suas fábricas estão em São Bernardo do Campo (SP) e Juiz de Fora (MG).

Aperto nos investimentos

Até 2025, e tendo como referência o ano de 2019 - o padrão, portanto, de antes da pandemia -, a Daimler Truck vai reduzir investimentos e custos fixos em 15%. O corte de despesas inclui o enxugamento de 300 milhões de euros, até 2022, na folha salarial da Mercedes-Benz.

Já em relação à alocação de capital, a intenção é conduzir uma estratégia mais inteligente, com investimentos concentrados nos mercados e segmentos mais rentáveis, caso dos caminhões da linha pesada. Os recursos também serão direcionados em maior fluxo às tecnologias de propulsão elétrica.

Se tudo sair como espera o grupo - e caso, até lá, haja um ambiente de mercado favorável -, a Daimler chegará a 2025 com retorno superior a 10% , em relação ao total vendido no mundo. Em anos típicos, o grupo fatura mais de 40 bilhões de euros com a venda de aproximadamente 500 mil caminhões e ônibus.

O Brasil é o maior mercado do mundo dos caminhões da marca Mercedes-Benz. No ano passado, quase 27 mil unidades foram vendidas pela montadora no País. / com Agência Estado

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