Mercado Financeiro

O mercado financeiro tem feito vistas grossas aos ruídos políticos de algum tempo para cá, mas desta vez acompanha de perto a instalação da CPI da covid-19, nesta terça-feira, 27, no Senado. A reação de investidores, segundo especialistas, dependerá do avanço das investigações e dos fatos novos que forem surgindo ao longo dos trabalhos da comissão.

A movimentação na área econômica também tem sido monitorada, dada a expectativa de que a reforma tributária esteja voltando à agenda do governo.

A instalação da CPI da Covid no Senado e o desenvolvimento dos trabalhos devem atrair as atenções do mercado nesta terça-feira

Uma das propostas, de acordo com rumores que chegaram a circular no mercado no fim do dia anterior, seria a taxação de dividendos, que estaria em estudos pelo governo e, se aprovada, poderia causar mal-estar no mercado financeiro, especialmente na Bolsa.

O foco principal dos mercados, de todo modo, é a temporada de balanços, afirma Virgílio Lage, especialista em investimentos e inovação da Valor Investimentos. O mercado trabalhou na véspera com a expectativa voltada à divulgação do balanço da Vale, conhecido após o fechamento dos negócios na bolsa de valores.

O resultado apontou um lucro de US$ 5,546 bilhões no primeiro trimestre - equivalente a R$ 30,5 bilhões - crescimento de 2.220% em relação aos mirrados US$ 239 milhões em igual período de 2020.

O resultado vistoso no balanço da Vale pode não garante, no entanto, que as ações da mineradora permanecerão em alta. Especialistas não descartam uma pausa nessa trajetória para a realização de lucros obtidos com as recentes valorizações consecutivas.

“As ações da Vale já vêm precificando (incorporando o resultado positivo nos preços) há algum tempo”, comenta Lage. O lucro veio bastante acima das expectativas de analistas e profissionais do mercado. 

A dúvida é saber se os investidores resistirão às vendas para realizar lucros. No mês, até esta segunda-feira, a Vale sobe 9,5% e, em três meses, acumula valorização de 25%.

CPI da Pandemia: Renan Calheiros e instalação da comissão

O olhar dos investidores está direcionado nesta terça-feira para a implantação da CPI da covid-19 no Senado, na parte da manhã.

Até então, ainda há alguns imbróglios a serem resolvidos, como a decisão judicial que determinou o afastamento de Renan Calheiros da relatoria da CPI. Porém, interlocutores ligados ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, dizem que a decisão deve ser ignorada.

Para colocar prefeitos e governadores também na mira da CPI, o Palácio do Planalto se articula para acionar órgãos de controle e abastecer a comissão com informações sobre o repasse de verbas federais a Estados e municípios.

O objetivo é identificar possíveis fraudes e desvios, além de mapear as investigações em andamento. Por outro lado, segundo especialistas, essa é uma manobra dos governistas para desviar o foco do governo federal.

Na véspera do início dos trabalhos da comissão, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o governador do Amazonas, Wilson Lima, o vice-governador, Carlos Almeida, o secretário chefe da Casa Civil do estado, Flávio Antony Filho, o ex-secretário de Saúde, Rodrigo Tobias e outras 14 pessoas por irregularidades na compra de respiradores.

Na denúncia, Lima é acusado de comandar uma organização criminosa responsável pela prática de diversos crimes, como peculato, dispensa indevida de licitação e fraude à licitação.

Reforma tributária: entrega do parecer até dia 3 de maio

Outro assunto na pauta da atenção dos investidores é o desdobramento da reforma tributária. Na véspera, o presidente da Câmara, Arthur Lira disse que deu prazo até o dia 3 de maio para que o relator da reforma na Casa, Aguinaldo Ribeiro, apresente o parecer à comissão especial.

"É uma demonstração clara de que vamos voltar a focar nesse assunto importante que é a reforma tributária", afirmou.

Lira disse que a reforma será discutida ao longo dos próximos meses "pelo que nos une, de maneira consensual", por líderes partidários, governo, relator e Senado. A ideia, segundo ele, é dar tranquilidade, segurança jurídica, simplificação e "tranquilidade fiscal para o Brasil".

Especialistas apontam que essa movimentação para dar início à reforma tributária é uma manobra da Casa para tirar os holofotes de cima da CPI da covid-19.

Futuros em Nova York operam com estabilidade

Os contratos futuros negociados nas bolsas de Nova York operam com estabilidade nesta terça-feira, refletindo alguns ganhos robustos de suas companhias no trimestre.

O mercado segue atento ao longo do dia às novas divulgações de balanços corporativos e aos dados econômicos do país, com a reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) de dois dias que começa hoje.

Para Edward Moya, analista sênior de mercado da Oanda, o anúncio "deverá ser chato", já que a expectativa é a de que o BC americano mantenha sua política atual.

De qualquer forma, investidores tradicionalmente ficam atentos a quaisquer comentários do presidente do Fed, Jerome Powell, sobre perspectiva econômica e a indícios de quando as medidas de estímulos podem começar a ser revertidas.

De acordo com Filipe Teixeira, sócio da Wisir Research, o mundo desenvolvido está em um caminho de recuperação mais firme com um ritmo mais rápido de vacinação.

Os dados dos Estados Unidos nesta semana, segundo Teixeira, devem mostrar um crescimento acelerado do PIB para 6,8% anualizados no primeiro trimestre.

“Esse prognóstico não deve mudar a postura altamente acomodatícia do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), que deve manter as taxas em ‘stand by’ e as compras de ativos inalteradas na reunião desta semana”, destaca.

Na temporada de balanços, o destaque da véspera foi para os números da Tesla, que registrou lucro líquido de US$ 438 milhões no primeiro trimestre de 2021. O lucro ajustado por ação diluído foi de US$ 0,93 – acima da previsão do mercado de US$ 0,75 - alta de 304% na comparação com igual período do ano anterior.

Após os resultados, a ação da Tesla recuava 2,55% no after hours das bolsas de Nova York, às 17h45 de Brasília, após ao longo do último mês ter subido mais de 20% e ao longo dos últimos 12 meses, mais de 350%.

Para esta terça-feira, são esperados os números da Microsoft, Alphabet, após o fechamento do mercado, além de Visa e Starbucks.

Bolsas asiáticas fecham mistas nesta terça-feira

As bolsas asiáticas fecharam sem direção única e com pequenas variações nesta terça-feira com investidores demonstrando cautela antes da reunião de política monetária de dois dias do Federal Reserve, que começa hoje.

Como se previa, o Banco do Japão (BoJ) deixou as configurações de sua política inalteradas no começo da madrugada.

O índice acionário japonês Nikkei caiu 0,46% em Tóquio, aos 28.991,89 pontos, enquanto o Kospi cedeu 0,07% em Seul, aos 3.215,42 pontos, apesar de a Coreia do Sul ter crescido mais que o esperado no primeiro trimestre.

Já o Hang Seng recuou 0,04% em Hong Kong, aos 28.941,54 pontos, ainda que a ação local do HSBC tenha saltado 2% após o banco britânico - que tem foco na Ásia - divulgar forte balanço trimestral.

Já na China continental, os mercados tiveram ganhos marginais: o Xangai Composto subiu 0,04%, aos 3.442,61 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,03%, aos 2.281,93 pontos. O Taiex se comportou de forma semelhante em Taiwan, garantindo ligeira ala de 0,13%, aos 17.595,90 pontos.

Nesta madrugada, o BC japonês, conhecido como BoJ, deixou sua política monetária inalterada, mas reiterou a disposição de adotar medidas adicionais, se necessário.

Já seu presidente, Haruhiko Kuroda, avaliou que a meta de inflação de 2% do BoJ ainda é viável, embora as projeções para os próximos anos sejam de preços fracos.

Continua no radar a situação da covid-19 na Ásia, principalmente na Índia, que vem acumulando recordes diários de novos casos, e no Japão, que estuda o endurecimento de medidas para conter a doença.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou levemente no vermelho, pressionada por ações de tecnologia e saúde. O S&P/ASX 200 caiu 0,17% em Sydney, aos 7.033,80 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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