Mercado Financeiro

Os temores sobre os novos capítulos do caso da gigante chinesa Evergrande, que enfrenta uma crise preocupante de liquidez, a desvalorização das ações da Vale - que atinge mais de 1% -, e os dados da prévia da inflação de setembro acima do esperado fazem a Bolsa cair nesta sexta-feira, 24.

Às 16h20, o Ibovespa, principal índice da B3, recuava 0,55%, aos 113.434,00 pontos. A queda chegou a ser maior, mas a recuperação das bolsas em Nova York, após a fala de Jerome Powell, presidente do banco central americano, amenizou a queda da B3. Já o dólar mostra fôlego com alta de 0,66%, sendo negociado a R$ 5,345. Com aversão ao risco, investidores procuram proteção na moeda forte.

Foto: B3/Divulgação
Sede da B3 em São Paulo | Foto: Divulgação

Os dados do IPCA-15, considerado uma prévia da inflação mensal, vieram acima do projetado pelos analistas do mercado em setembro. Enquanto a aposta estava em um avanço de 1%, o indicador subiu 1,14%.

Os analistas já esperavam um avanço do indicador, porém não tão acentuado. A expectativa é que a inflação continue pressionada, reforçando a ideia de novas altas da Selic, taxa básica de juros do País, que o presidente do Banco Central prometeu levar onde for necessário para conter a escalada dos preços.

Nota divulgada após a última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que elevou a Selic para 6,25%, na quarta-feira, 22, já sinalizou um novo aumento de um ponto porcentual na taxa básica para o encontro do colegiado, no fim de outubro.

Por pesar nos negócios, o número sinalizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) leva o mercado a projetar altas mais acentuadas dos juros. Com isso, o apetite por risco diminui, ao mesmo tempo em que torna a renda fixa cada vez mais competitiva em relação à Bolsa.

Os juros futuros longos já avançam durante a manhã, refletindo a cautela nos mercados internacionais em meio aos temores de colapso da gigante incorporadora chinesa. Já os curtos subiam com menos força, após avançarem diante da alta da prévia da inflação.

A taxa do contrato de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 subia para mínima de 7,115%, de 7,109% no ajuste da véspera. O DI para janeiro de 2023 marcava 8,93%, de 8,91%, e o para janeiro de 2027 avançava para 10,42%, de 10,35% no ajuste anterior. O dólar à vista subia 0,47%, a R$ 5,3348.

No mercado internacional, a situação das dívidas da Evergrande volta a assombrar os mercados com mais força, incluindo o Brasil, pois os credores sinalizaram que não receberam o pagamento dos juros dos títulos que estava programado para ser feito nesta quinta-feira, 23. Até o momento, a incorporadora não se manifestou a respeito.

Após reagir com fala de Jerome Powell, no evento virtual Fed Listens, que destacou a velocidade com que a economia está se recuperando pós-pandemia, as bolsas de Nova York voltaram a operar em baixa. Às 14h34, os índices S&P 500, Dow Jones e Nasdaq 100 caíam levemente 0,02%, 0,05% e 0,17%, na sequência.

Ainda na China, o bitcoin derrete mais de 5% nesta sexta-feira, refletindo a decisão do banco central chinês que vai considerar ilegais todas as atividades de criptomoedas no país.

Pregão: sobe e desce das ações

O pregão desta sexta-feira tem as siderúrgicas operando em queda - incluindo a Vale, que tem um peso de mais de 14% na cesta de ativos do Ibovespa e ajuda a puxar o índice para baixo - refletindo a apreensão dos investidores em relação à situação da China por conta da Evergrande. Às 14h19, as ações da mineradora desvalorizavam 1,15%.

Ainda em commodities, as ações da Petrobras valorizavam 0,26%, no mesmo horário. Já os bancões operam no vermelho. O IFNC, índice que engloba os gigantes do setor financeiro, registrava baixa de 1,26%.

A disputa entre a SulAmerica e a Hapvida pela compra do grupo HB Saúde chegou ao fim, com a Hapvida arrematando 59% de participação da companhia por cerca de R$383,5 milhões. Às 14h20, as ações da Hapvida e Sulamerica caíam 0,67% e 2,02%, na sequência.

As ações da operadora de shopping centers brMalls operam em queda de 1,62%, após a informação de que a empresa adquiriu a Helloo, especializada em comercialização de mídia.

No cenário fiscal

Mesmo estando às voltas com os novos dados da inflação e apreensivos com notícias sobre os passos da incorporadora chinesa mais endividada do país, os investidores seguem acompanhando o cenário político e fiscal, que está às voltas com o avanço das negociações sobre o pagamento dos precatórios e os passos da reforma administrativa.

Sinais apontam que o Congresso e o governo estão a caminho de um entendimento para a quitação dos precatórios de uma forma que não atropele a regra do teto de gastos. É uma conta que beira R$ 90 bilhões para ser quitada em 2022.

O acordo para a nova proposta das dívidas definidas pela Justiça vai exigir a montagem de uma grande mesa de negociação de ativos da União em troca da quitação de cerca de R$ 50 bilhões.

Essa é a soma dos precatórios que ficarão fora do teto de gastos, a regra que limita o avanço das despesas à inflação, e não serão pagos à vista, mas poderão ter a quitação acelerada mediante acerto entre as partes.

Se aprovada a proposta, o pagamento dos credores atingidos deixa de ser obrigatório no ano que vem e pode demorar, assim a União ganha poder de barganha para obter acordos hoje considerados não atrativos.

Pelo acordo, o governo só se compromete a pagar à vista cerca de R$ 40 bilhões da conta de R$ 89,1 bilhões das despesas com precatórios. O valor é R$ 17 bilhões abaixo do que o governo previa destinar às dívidas judiciais em 2022.

Ainda no radar fiscal, a reforma administrativa avançou alguns passos na Câmara, com a aprovação do texto-base do relatório do deputado Arthur Maia por 28 votos contra 18 na comissão especial.

No texto, se aprovado, pontos como a possibilidade de parceria privada para execução de serviços públicos, aposentadoria integral para policiais e contratos temporários com duração de até 10 anos passarão a valer no País.

A proposta de emenda à Constituição (PEC) enviada ao Congresso pelo governo no ano passado prevê uma reformulação no RH do Estado, com novas regras para contratar, promover e demitir funcionários públicos, assim como corte de jornadas e salários de servidores em até 25%, condicionado à situação específica.

Pregão fechado na Ásia

Na Ásia, sem novas notícias sobre a Evergrande, as bolsas encerraram o pregão desta sexta-feira, em sua grande maioria, em baixa.

Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 1,30%, aos 24.192,16 pontos, enquanto a ação local da Evergrande sofreu um tombo de 11,61%.

Na China continental, o Xangai Composto recuou 0,80%, aos 3.613,07 pontos, enquanto o menos abrangente Shenzhen Composto caiu 0,70%, a 2.434,23 pontos. Em Seul, o sul-coreano Kospi teve perda marginal de 0,07%, aos 3.125,24 pontos.

Já em Tóquio, o índice Nikkei saltou 2,06%, aos 30.248,81 pontos, na volta de um feriado nacional no Japão. O mercado de Taiwan também ficou no azul, com ganho de 1,07% do Taiex, aos 17.260,19 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana seguiu o viés predominantemente negativo da Ásia, e o S&P/ASX 200 caiu 0,37% em Sydney, aos 7.342,60 pontos. / com Tom Morooka e Agência Estado

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Repórter do Portal Mais Retorno.

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