Mercado Financeiro

Os juros fecharam a sessão com queda expressiva, dando sequência ao movimento que começou na segunda-feira com o recuo das commodities e ganhou fôlego nesta terça-feira, 21, com a solução que está sendo costurada para a questão dos precatórios de R$ 89,1 bilhões em 2022 e com a melhora de percepção de risco externo.

Os longo prazo caíram quase 30 pontos-base. Os de curto prazo oscilaram bem menos, terminando com um viés de baixa na medida em que foi se consolidando o consenso em torno do aumento de 1 ponto porcentual da Selic no Copom de amanhã.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 10,544% para 10,25% e a do DI para janeiro de 2025 fechou em 9,84%, de 10,136% ontem. É a mais baixa desde 6 de setembro, quando fechou em 9,80%. O DI para janeiro de 2022, hoje o mais líquido, fechou com taxa estável em 7,10%.

A direção foi de baixa desde a abertura, favorecida inicialmente por uma pausa nas tensões com a chinesa Evergrande dada a avaliação de que as autoridades devem atuar para evitar o risco sistêmico e maior impacto sobre a economia. No meio da manhã, as taxas tocaram máximas, mas ainda em queda, depois da divulgação do edital do Tesouro, que veio com lotes de NTN-B bem maiores para o leilão desta terça-feira. Vendeu na íntegra a oferta de 2,5 milhões, com concentração nos vencimentos de 2026 (1 milhão) e 2030 (1 milhão), com 500 mil para 2055.

Solução para precatório tira gás dos juros

No começo da tarde, o recuo ganhou impulso após o fim da reunião entre os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e do ministro da Economia, Paulo Guedes, para discutir uma solução para os precatórios. A alternativa que está sendo costurada pressupõe o pagamento das dívidas respeitando o teto de gastos a partir de uma atualização a ser feita desde 2016. "O saldo alheio ao teto seria da ordem de R$ 50 bi e poderia ser transferido para 2023", explicou Pacheco.

A proposta recebeu críticas justamente por "jogar" boa parte do problema para frente, mas agradou ao mercado por resolver a pendência no curto prazo e, principalmente, dentro do teto. "É uma solução paliativa e, de certa maneira, com respeito à regra. Mas tem caráter imediatista e não resolve o problema estrutural", disse a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, alertando para o risco de se criar uma bola de neve.

Para o especialista em contas públicas e economista-chefe da RPS Capital, Gabriel de Barros, a saída, que ainda vai ser negociada com lideranças do Congresso, piora o desenho da regra fiscal. Para ele, o espaço que seria aberto no teto de gastos, de cerca de R$ 50 bilhões, daria brecha não apenas para turbinar o Bolsa Família, mas para atender a arranjos políticos "questionáveis".

A quarta-feira tem agenda econômica concentrada nas decisões dos bancos centrais de Brasil e Estados Unidos, com grande expectativa dos agentes pela sinalização sobre se e como a perspectiva de desaceleração da economia global reforçada pelo episódio da Evergrande pode alterar a rota da política monetária. Aqui, após o Banco Central relativizar dados de inflação de alta frequência como fator de mudança de seus planos de voo, a alta de 1 ponto porcentual da Selic virou aposta de graça, amplamente precificada na curva e nas opções digitais da B3. /Agência Estado

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