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JGP Asset Management: perspectiva é de alta da inflação, mas com crescimento econômico global

Mercados anteciparam movimentos de alta dos juros apoiados em discursos dos BCs

Data de publicação:19/11/2021 às 07:00 - Atualizado 2 meses atrás
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Em sua carta macroeconômica de outubro, a JGP Asset Management destacou o aumento significativo da inflação e no núcleo de inflação, tanto em países emergentes quanto nas nações desenvolvidas, resultado do aumento no preço das commodities, energia, gargalos de oferta, desvalorizações da moeda, entre outros, e o impacto disso nos juros.

Segundo os gestores da JGP, os bancos centrais vinham enfatizando o caráter transitório do choque de inflação com algum sucesso, mantendo as taxas de juros praticamente estáveis, assim como estavam desde o início de 2021, apesar do forte aumento nas taxas de 10 anos observado no primeiro trimestre.

Foto: Envato
Abertura da curva de juros foi influenciada pelo aperto monetário, mas também por uma mudança na comunicação dos principais BCs - Foto: Envato

“As taxas de juros longas fizeram o pico em meados de maio e voltaram a cair até o fim de agosto”, destacaram os especialistas da gestora. Porém, em setembro e outubro, as taxas de juros que já vinham subindo nos países emergentes, aceleraram.

“As taxas de juros mais curtas nos países emergentes já vinham subindo desde o início do ano, mas aceleraram em setembro e, principalmente, ao longo do mês de outubro. As taxas de juros mais longas (10 anos), que estavam praticamente estáveis desde abril, também subiram fortemente em setembro e outubro. Já as taxas curtas dos países desenvolvidos, que também estavam praticamente de lado desde abril, subiram em setembro e aceleraram o movimento em outubro, movimento este que foi acompanhado também pela subida das taxas de juros de 10 anos”, avaliou a JGP.

Com isso, bancos centrais nos principais países emergentes, como a Rússia, Brasil, México, Chile, Colômbia, Polônia e República Checa já iniciaram o ciclo de aperto monetário como resposta a esse avanço.

Mais tempo do que o previsto

Em relação aos países desenvolvidos, o discurso da inflação temporária perdeu força e, com isso, houve um forte aumento tanto nas taxas curtas quanto na parte mais longa da curva. Na avaliação dos gestores da JGP, parte desse movimento pode ter sido reflexo desse aperto monetário, mas também foi fomentado por uma mudança na comunicação e atuação por parte dos principais bancos centrais.

Os especialistas da gestora destacaram alguns exemplos dessa mudança de postura. O Banco da Inglaterra (BoE) enfatizou que a sequência de normalização da política monetária do país poderia ser iniciada com aumento de juros antecipadamente.

A mesma sinalização foi feita pelo Banco Central do Canadá (BoC), que apontou que um aumento nos juros pode acontecer mais cedo do que o esperado em 2022.

Reação antecipada, segundo a JGP

Na visão da JGP, o mercado acabou antecipando acentuadamente o aumento dos juros nos países desenvolvidos por conta dessas comunicações das autoridades monetárias mundiais. “Essas comunicações aumentaram a desconfiança do mercado sobre qual é, de fato, a função de reação da política monetária”.

Apesar de não ter ocorrido nenhuma mudança drástica de comunicação por parte do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), as taxas curtas nos Estados unidos também subiram significativamente.

“O mercado passou a antecipar a primeira elevação de juros para meados de 2022, comparado a uma expectativa anterior de aumento de juros apenas no final de 2022 ou início de 2023”, ressaltaram os especialistas da casa.

Pandemia e China

Somam-se a esse cenário de elevação da inflação e abertura da curva de juros vários fatores que trazem incerteza aos rumos da economia global, incluindo a volta do aumento de casos de Covid-19 na Europa e na China, o que, de acordo com a JGP, pode prolongar o impacto negativo tanto para a cadeia de produção global quanto para a expectativa de aumento da demanda.

Em relação à China, o crescimento esperado para o país nos próximos meses continua sendo uma incógnita, segundo a carta macroeconômica da gestora, com os desdobramentos dos problemas no setor de construção civil e alterações regulatórias.

Para os especialistas da JGP, o próprio avanço da inflação e o choque de preços de energia podem, em um primeiro momento, reduzir a renda disponível dos chineses e afetar negativamente a sua confiança, o que poderia resultar em uma desaceleração mais acentuada do que a esperada no crescimento global.

A normalização da política monetária, com o início gradual da retirada dos estímulos, também pode conter o ímpeto do crescimento.

‘Reflação’

Os gestores da JGP apontam que o cenário mais provável para os próximos meses permanecerá baseado em “reflação” (inflação característica de um período de reativação econômica).

Para eles, o processo de reabertura econômica, em conjunto com a regularização dos gargalos de produção, com a normalização gradual de juros – ainda mantendo um ambiente de política monetária acomodatícia – e com o excesso de liquidez, deve resultar em um ritmo de crescimento acima do potencial.

Porém, de acordo com a carta, os especialistas apontam que os riscos também aumentaram, tanto na direção de mais elevação e persistência maior do que o esperado da inflação, quanto de uma desaceleração do crescimento mais forte do que o previsto - ou ainda na direção de uma estagflação. “Por enquanto, seguem apenas sendo riscos”, conclui.

Sobre o autor
Julia Zillig
Repórter do Portal Mais Retorno.
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