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Negociadas na Bolsa de Valores a partir desta segunda-feira, 26, as ações do Grupo GPS (GGPS3), que oferece serviços de limpeza e segurança, encerraram o pregão de estreia com alta de 6,67%. O IPO rendeu R$ 2,49 bilhões à empresa, cuja abertura de capital foi capitaneada pelo Itaú BBA, com participação de Bank of America, BTG Pactual (BPAC11), Citi e Morgan Stanley.  

No início das negociações de ontem, os papéis eram vendidos por R$ 12, mas encerraram o dia avaliados em R$ 12,80. Apesar da alta, a companhia ainda não atingiu o valor que havia originalmente estabelecido para sua primeira oferta pública, de R$ 13 a R$ 15,50. Tudo indica que os investidores têm adotado postura cautelosa e não parecem dispostos a pagar os valores pretendidos pela empresa. 

O Grupo GPS tem 2,9% de participação no mercado de serviços terceirizados

Na visão do diretor educacional da mesa proprietária Axia Investing, Antonio Ruiz Molina Montiel Jr, a estrutura superior à da concorrência e o domínio sobre parcela ainda pequena do mercado são fatores que favorecem o crescimento da GPS. 

“A empresa tem apenas 2,9% do market share do mercado de serviços terceirizados, que é muito pulverizado, mesmo sendo a maior do setor. Os três maiores players do setor dominam 7% do setor. Nos Estados Unidos, esse percentual é de 25%. No Reino Unido, é de 52%. Esse atual estágio de baixa penetração representa uma oportunidade para a empresa manter o crescimento orgânico acima da média de mercado e para realizar aquisições”. 

A GPS planeja utilizar metade dos recursos obtidos por meio desta oferta primária para adquirir outras empresas, para expandir sua participação no mercado e aumentar a presença em território nacional. O grupo adotou esta estratégia nos últimos anos. Desde 2007, comprou 30 companhias, que ao fim de 2020 representavam metade da receita líquida anual. 

Integrar operações em todas as regiões do País representa risco

Embora tenha apresentado crescimento médio de 32% ao ano desde 2003, a aquisição de outras empresas pode se tornar o calcanhar de Aquiles da GPS, segundo Montiel. 

“Por se tratar de um grupo cujo crescimento depende de aquisições, há o desafio de integrar operações adquiridas. Outro risco é a dificuldade de se manter competitivo em um mercado altamente fragmentado, com cerca de 115 mil empresas, e baixas barreiras de entrada, o que dificulta a realização de repasses de aumento de custos para os preços”. 

O restante do capital será destinado ao pagamento de dividendos aos acionistas e ao fortalecimento da capacidade financeira. As áreas de prestação de limpeza, manutenção predial e apoio administrativo, principais atividades da companhia, correspondem a 41% da receita líquida de 2020. 

“Com base no preço atual, de R$12,80, o preço alvo conservador do papel nos próximos 12 meses fica entre R$ 18 e R$ 22, um potencial de retorno de cerca de 40%”, avalia Montiel.

Com portfólio de 2700 clientes e 30 empresas integradas, a GPS tem mais de 100 mil colaboradores distribuídos por todas as regiões do Brasil. Em 2020, a empresa apresentou lucro líquido de R$ 283 milhões, um aumento de 33,5% em relação ao ano anterior.  A meta da companhia, que opera desde 1962, é dominar o mercado de serviços indoor a partir de diferenciais da qualidade e relação custo-benefício.    

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