Renda Variável

O volume de emissões de BDRs (certificados de ações de empresas estrangeiras negociados na Bolsa de Valores brasileira) registrado em agosto foi o segundo maior dos últimos 12 meses, com um valor de R$ 2,9 bilhões, atrás apenas de março, quando esse número chegou a R$ 3,3 bilhões. No entanto, o que mais chamou atenção no mês foi o volume de cancelamentos destes produtos: R$ 2,3 bilhões, o maior já registrado na B3.

Ainda assim o saldo é positivo em cerca de R$ 600 milhões.

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Foto: Reprodução

Desde 2020, quando os BDRs foram liberados para os investidores pessoa física da Bolsa, é possível perceber uma evolução acentuada no estoque de ativos e no número de investidores com posição em custódia. De dezembro de 2019 para dezembro de 2020, o volume em estoque passou de R$ 3,3 bilhões para R$ 13 bilhões, enquanto o número de investidores saltou de 2,9 mil para 121,9 mil.

Em 2021, esses números são ainda mais expressivos. O volume de BDRs em estoque, de acordo com dados da B3, disparou para R$ 22,6 bilhões até agosto. E a quantidade de investidores mais que dobrou em oito meses, chegando a 263,6 mil.

Para Breno Bonani, analista chefe da Valor Gestora, o forte crescimento pode ser justificado pela pauta da internacionalização da carteira de ativos, questão que ganhou força nos últimos meses. Especialistas do mercado explicam que ter produtos estrangeiros no portfólio ajuda o investidor a se proteger em momentos de instabilidade econômica e política no Brasil.

Por que o volume de cancelamento foi tão alto em agosto?

Bonani afirma que o cancelamento, ou a saída das posições, pode estar relacionado a uma série de fatores. Entre eles, o analista explica que a instituição financeira que emite o título da empresa internacional aqui no Brasil "não ver mais sentido" naquela quantidade de papéis disponíveis da companhia em questão.

O especialista explica que, no último ano, entretanto, a taxa de emissão foi maior que a taxa de cancelamento em todos os meses. Para ele, isso indica uma evolução da presença do ativo no mercado brasileiro ao longo do tempo.

Embora os momentos vividos pelas empresas individualmente possam influenciar muito nas decisões dos investidores, a economista da CM Capital Ariane Benedito considera, também, outro motivo para o número expressivo de cancelamento de BDRs. A preocupação com o cenário macroeconômico mundial, que causou muita volatilidade nos mercados externos.

De acordo com a economista, "ainda há muita incerteza em relação a recuperação da economia global, os impactos da variante Delta e a tomada de decisão de política monetária de grandes economias sobre a retirada de estímulos". Neste caldo, os investidores passam a adotar uma medida mais defensiva em relação aos seus investimentos.

"Vale destacar, que devido ao período de alta da inflação, a taxa de juros brasileira volta a ganhar importância, o que chama a atenção dos investidores por ativos menos voláteis no mercado de renda fixa", explica Ariane.

Vale a pena investir em BDRs?

Embora o volume de cancelamentos tenha sido alto em agosto, reflexo do momento de incertezas quanto às economias brasileira e global, os especialistas continuam indicando os BDRs para diversificação de portfólio. Ariane considera que os ativos são uma das melhores formas de participar do mercado internacional através da Bolsa de Valores.

"Essa ferramenta nos permite investir nas maiores empresas do mundo, como por exemplo, Apple, Tesla, Mercado Livre, Amazon e Microsoft. Essas empresas geram bilhões de lucros anuais, o que leva o investidor a participar desse ganho com dividendos ou a valorização do preço das ações no mercado", afirma a economista.

Por fim, Ariane Benedito ressalta que o BDR tem o mesmo modelo e tributação do mercado de ações brasileiro, na moeda local. Assim, o investidor tem facilidades em realizar a operação, e com a diversificação é possível blindar o seu patrimônio dos riscos internos de mercado, explica a economista.

Os 10 BDRs mais negociados em agosto

Nos últimos 12 meses, os principais BDRs mais negociados na Bolsa de Valores são das empresas Tesla e Mercado Livre, com 17,3% e 12,1% de participação total no volume de negociação, respectivamente. Além destas, destaque também para a Apple e Amazon, que detém 5,0% e 4,5% deste mercado, na sequência.

Confira quais foram os BDRs com maior volume de negociação em agosto:

  • Mercado Livre (MELI34), com 13,8% de participação total
  • Tesla Motors (TSLA34), com 12,5% de participação total
  • Moderna (M1RN34), com 6,8% de participação total
  • Alphabet (GOGL34), com 6,7% de participação total
  • Biontech (B1NT34), com 5,9% de participação total
  • Alibaba (BABA34), com 4,6% de participação total
  • Amazon (AMZO34), com 3,1% de participação total
  • Apple (AAPL34), com 2,7% de participação total
  • Microsoft (MSFT34), com 2,5% de participação total
  • Nvidia Corp (NVDC34), com 2,4% de participação total
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