Fundos de Investimentos

Em setembro, mês em que a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, despencou e o Índice Bovespa (Ibovespa) afundou 6,57%, dois fundos de ações mantiveram o brilho, de acordo com dados de um levantamento exclusivo da Mais Retorno: o Ágora Arrojada Index FIA, que rendeu 5,44%, e o Itaú BDR Nível 1 Ações FIC FI, com rendimento de 2,34%.

Cada um desses fundos de ações, pela sua estratégia de gestão, conseguiu performar no cenário de turbulências de setembro – internamente, provocadas pelos atos antidemocráticos contra as instituições e, externamente, pelo temor de calote da construtora chinesa Evergrande.

fundos de ações

O Ágora Arrojada Index FIA se destacou entre os fundos de ações pelo acerto da estratégia do gestor nas principais posições e porcentuais relevantes no fundo. Ações de Santos Brasil, com participação de 20% na carteira e rentabilidade de 0,76%, e as de Marfrig, com posição de 19,97% e valorização de 33,36%,   sustentaram o desempenho do fundo, mesmo com a queda das demais ações do portfólio, analisa o especialista Andrey Zamboni, da SVN.

O segundo fundo de destaque em setembro, o Itaú BDR Nível 1 Ações FIC FI, tirou proveito da maior exposição ao cenário internacional com alocação na carteira de BDRs (Brazilian Depositary Receipts). São títulos negociados no Brasil que representam ações de empresas abertas com sede no exterior e boa parcela se valorizou no mês passado enquanto a bolsa de valores doméstica vinha ladeira abaixo. Papeis, ademais, que não se expõem ao risco país gerado pelo agravamento e crises domésticas.

O especialista Zamboni, da SVN, aponta ainda outra variável que contribuiu para a performance desse fundo, a valorização de 5,36% do dólar no mês, o que potencializou a alta dos BDRs, explica.

Oito fundos no vermelho em setembro

Os demais oito fundos, do grupo de dez que fazem parte da lista dos mais rentáveis levantados mensalmente pela Mais Retorno, fecharam setembro no negativo. A queda foi liderada pelo Hayp FIA, que teve perda de 22,38%, a maior da lista, seguido pelo Simétrica BR FIA, em segundo, e pelo Trígono Flagship 60 Small Caps FIC FIA, com queda de 5,22%.

Os tropeços em setembro fizeram com que esses fundos perdessem posição, mas sem deixar o ranking dos dez fundos vitoriosos do ano. As primeiras posições dessa lista permanecem ocupadas pelos fundos da gestora Trígono Capital.

O mais bem posicionado continua sendo o Trígono Delphos Income FIC FIA, com rentabilidade de 99,56% no ano, até setembro. O último da lista é o e Focus FIA BDR Nível 1, com rendimento de 21,18%.

O que chama a atenção é que todos os fundos de ações do ranking brilharam em um período de seguidos percalços da B3, cujo principal indicador, o Ibovespa, acumula desvalorização de 6,75%.

Dois pontos são apontados como relevantes pelos especialistas para explicar o sucesso desses fundos.  O primeiro é a estratégia bem-sucedida dos gestores na seleção de empresas para o portfólio e o segundo um olhar cada vez mais voltado às oportunidades de investimento no exterior. 

Outro dado interessante: dos 481 fundos que entraram no estudo por ter patrimônio a partir de R$ 17 milhões, com 60 cotistas ou mais, em operação há pelo menos 1 ano e aberto ao público em geral, apenas 34 fecharam setembro com variação positiva.

As condições dos 10 fundos de ações

Confira com mais detalhes os fundos de ações vitoriosos no ano na análise do especialista Andrey Zamboni, da SVN.  

1 - Trígono Delphos Income FIC FIA - Fundo investe predominantemente em ações de empresas com histórico consistente de distribuição de dividendos e/ou juros sobre capital próprio que tenham potencial para remunerar seus acionistas com esses proventos. Investe ainda em ações de empresas com potencial para gerar ganhos de capital no longo prazo. A seleção de ações não tem restrição a nenhum setor de atividade.

Taxa de administração: 2% ao ano; taxa de performance: 20% sobre a rentabilidade que ultrapassar o Ibovespa. Aplicação mínima: R$ 250.  Índice de Sharpe: 4,01.

Maiores alocações da carteira: Ferbasa, Tupy, São Martinho e Companhia Energética de Brasília.

2 - Trígono Verbier FIC FIA – Fundo de ações carteira livre tem como foco proporcionar aos cotistas, no médio e longo prazo, ganhos de capital superiores à variação do Ibovespa, embora sem a preocupação de buscar uma correlação com esse índice.

Taxa de administração: 2% ao ano; taxa de performance: 20% sobre a rentabilidade que ultrapassar o Ibovespa. Aplicação mínima: R$ 250. Índice de Sharpe: 4,11.

Maiores alocações da carteira: exposição a setores industrial, de mineração e metalurgia, agronegócio e químico.

3 - Trígono Flagship Small Caps FIC FIA – Fundo que deu origem ao Trígono Flagship 60 Small Caps FIC FIA, atual veículo da captação de recursos, investe em ações de empresas que seguem critérios de boa governança, desenvolvimento social e respeito ao meio ambiente.

Taxa de administração: 2% ao ano; taxa de performance: 20% sobre o que exceder o Índice Small Caps (SMLL). Aplicação mínima: R$ 250. Índice de Sharpe: 3,80.

Maiores alocações da carteira: exposição a setores industrial, mineração e metalurgia, de agronegócio e químico.

4 - Trígono Flagship 60 Small Caps FIC FIA - Fundo investe em empresas com valor de mercado abaixo de R$ 10 bilhões e/ou liquidez diária inferior a R$ 10 milhões que seguem a boa governança, desenvolvimento social e respeito ao meio ambiente. O objetivo é a procura de melhor relação risco/retorno nas oportunidades de investimento em empresas que podem evoluir em governança.

Taxa de administração: 2% ao ano; taxa de administração: 20% sobre o que exceder o Índice Small Caps (SMLL). Aplicação mínima: R$ 250. Índice de Sharpe: 3,62.

Maiores alocações em carteira: exposição preponderantemente a setores industrial, mineração e metalurgia, de agronegócio e químico.

5 - Organon FIC FIA – Classificado de carteira livre, o fundo tem como estratégia a busca de investimentos de elevado retorno, sem mirar nenhum índice do mercado. A escolha de ações segue o método fundamentalista de primeiro analisar a empresa, o setor e só depois a economia como um todo. O maior controle de risco é feito não pela diversificação, mas pelo preço pago pelos ativos.

Taxa de administração: 1,80% ao ano; taxa de performance: 15% sobre o que ultrapassar o IPCA + 5% ao ano. Aplicação mínima: R$ 1.000. Índice de Sharpe: 3,58.

Maiores alocações da carteira: exposição a setores de bens industriais, exploração de imóveis, serviços diversos, financeiro e petroquímico.

6 - Ágora Arrojada Index FIA – Tem como objetivo proporcionar rentabilidade aos cotistas com investimento em ativos financeiros, com escolhas que seguem critérios fundamentalistas.

Taxa de administração: 0,50% ao ano. Aplicação mínima: R$ 1.000. Índice de Sharpe: 1,79.

Maiores alocações da carteira: Santos Brasil, Marfrig, Rede d or São Luiz,  Sendas/Assaí, Vibra Energia, ABC Brasil.

7 - Simétrica BR FIA - Classificado como ações valor, o fundo investe em uma carteira diversificada de ações de empresas que estão sendo negociadas abaixo de seu valor considerado justo e têm grande potencial de valorização. Procura manter uma carteira comprada em ações, escolhidas em um processo de seleção fundamentalista e análise proprietária.

Taxa de administração: 2% ao ano. Taxa de performance: 20% da rentabilidade que superar o Ibovespa. Aplicação mínima: R$ 10 mil. Índice de Sharpe: 1,61.

Maiores alocações da carteira: exposição a setores de finanças, alimentos, petroquímico e tecnologia.

8 - Hayp FIA – Fundo busca proporcionar a seus cotistas retornos consistentes no longo prazo, por meio de investimentos em ativos financeiros e títulos, principalmente ações.

Taxa de administração: 2% ao ano; taxa de performance, 20% sobre o que ultrapassar o Ibovespa. Aplicação mínima: R$ 5.000. Índice de Sharpe: 0,64.

Maiores alocações da carteira: Grupo Pão de Açúcar; Positivo Tecnologia e Sendas/Assaí.

9 - Itaú BDR Nível 1 Ações FIC FI – Fundo possibilita a diversificação de carteira de renda variável com exposição a ativos internacionais negociados no mercado doméstico, na B3, com exposição cambial.  A estratégia consiste em selecionar e colocar na carteira BDRs (Brazilian  Depositary Receipts), nível I, títulos negociados no Brasil que representam ações de companhias abertas sediadas no exterior.

Taxa de administração: 0,80% ao ano; Aplicação mínima: R$ 1. Índice de Sharpe: 1,50

Maiores alocações da carteira: Apple (AAPL34), Microsoft (MSFT34), JPMorgan Chase (JPMC34) e ExxonMobil (EXXO34).

10 - Focus FIA BDR Nível 1 – Fundo de ações com gestão ativa que busca retornos de longo prazo com investimento em ações de empresas brasileiras e estrangeiras. A escolha das ações segue critérios de análise fundamentalistas e as operações se limitam ao mercado à vista, sem o uso de alavancagem.

Taxa de administração: 2% ao ano; taxa de performance: 20% do que exceder o Índice Brasil 100 (IBrX 100 B3) – indicador do desempenho médio das cotações dos 100 ativos mais negociados do mercado de ações. Aplicação mínima: R$ 1.000. Índice de Sharpe: 1,98.

Maiores alocações da carteira: exposição a setores de tecnologia, varejo, cabos e mídia e serviços financeiros.

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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