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O dólar, que no meio da tarde caía 1,3%, acentuou ainda mais a queda e encerrou as negociações cotado em exatos R$ 5,60, com desvalorização de 1,41%, nesta terça-feira, dia 6. Em dia de poucos negócios, a moeda escorregou, devolvendo parte das tensões relacionadas ao formato final do Orçamento, que provocaram valorização nas últimas semanas.

O responsável pela área de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem, ouvido pela Agência Estado, afirmou que o mercado melhorou com uma leitura mais positiva sobre as negociações em torno do corte de emendas no Orçamento de 2021.

"A percepção é de que o Congresso e a equipe econômica do governo cheguem a um bom termo nas negociações em curso sobre o orçamento, para evitar o descumprimento do teto de gastos", ponderou ele.

Em dia de baixo volume de negócios, dólar cai 1,3%, com expectativas positivas em relação ao Orçamento 2021

Nagem confirma que o fluxo comercial é positivo, mas ressalta que o mercado opera com baixo volume financeiro. "O importador está ausente, esperando que o dólar caia mais, enquanto o exportador está atuando na venda, o que em manhã com fraca liquidez favorece o recuo das cotações", explica.

Além disso, desde o início dos negócios, o mercado acompanha o dólar fraco frente a algumas divisas rivais, como euro e moedas de emergentes e ligadas a commodities, como peso mexicano, peso chileno e rand sul africano, observa.

O dólar futuro para maio teve mínima a R$ 5,6240 (-0,87%).

Moeda deve transitar entre R$ 5,60 e 5,70

Entre idas e vindas, embora mais inclinadas à alta, as cotações do dólar mudaram de patamar. A expectativa de especialistas em câmbio é que, por ora, os preços oscilem em um intervalo entre R$ 5,60 e R$ 5,70. Não consta no radar do mercado a perspectiva de que cheguem ao nível emblemático de R$ 6, como alguns analistas chegaram a prever.

Um balanço parcial do ano dá ideia da aceleração do dólar. No primeiro trimestre, a moeda americana acumulou valorização de 8,49%. Desempenho que confere ao dólar a condição de aplicação mais rentável dos primeiros três meses do ano. Foi a única que suplantou, ainda que por pequena margem, a inflação de 8,26% calculada pelo IGP-M no período.

A pressão de alta sobre o câmbio vem tanto do cenário doméstico como do exterior. Internamente, a moeda americana é impulsionada pela crise que o País enfrenta em todas as frentes: econômica, política e sanitária. Um quadro que leva o investidor a diversificar e destinar parte dos recursos em carteira para proteção no dólar.

A incerteza no front econômico vem da atividade paralisada, sem perspectiva de retomada enquanto um processo de vacinação em massa não frear a disseminação do coronavírus. Uma questão que remete também ao risco fiscal. A queda de receita do governo, pela redução de arrecadação de impostos com a economia travada, agrava o desarranjo das contas públicas, já abaladas pelas ações de combate às consequências sociais e econômicas da crise da pandemia.

Ainda no plano doméstico, têm dado fôlego ao dólar os seguidos ruídos políticos, derivados principalmente das tensas relações entre os Poderes. Uma incerteza que também leva o investidor a procurar refúgio no dólar.

Fora as pressões internas, a valorização do dólar vem também do exterior, já que esse movimento é global.  E tem muito a ver com as expectativas otimistas em relação à economia americana. Dados divulgados, sobretudo relacionados ao aumento de vagas de trabalho, têm apontado uma retomada mais forte da atividade.

Uma recuperação que encontra suporte no processo acelerado de vacinação contra o coronavírus e nos seguidos pacotes trilionários de estímulos econômicos lançados pelo governo do presidente Joe Biden.

Atividade em alta redunda, em geral, em inflação mais elevada, o que, por sua vez, leva também à subida dos juros, que já estão em alta nos EUA. Principalmente nas taxas de curto prazo, o que atrai capitais do mercado global investimento em títulos do Tesouro americano. Uma movimentação de recursos que igualmente fortalece o dólar.

Embora a acomodação das cotações nos níveis atuais seja a aposta majoritária, parte dos analistas prevê que o dólar ganhe mais tração se aumentar a desconfiança em torno do equilíbrio fiscal. O formato final do Orçamento 2021, ainda em negociação entre governo e Congresso, pode dar uma sinalização de como poderão caminhar as contas públicas.

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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