Mercado Financeiro

Mercado: Bolsa abre atenta ao exterior, após ‘mini rali’ de valorização de 2,64% da semana passada

A expectativa de especialistas é que o mercado financeiro dê continuidade nesta semana à jornada positiva dos últimos dias. Na semana passada, a primeira de maio,…

Data de publicação:10/05/2021 às 08:00 - Atualizado 7 meses atrás
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A expectativa de especialistas é que o mercado financeiro dê continuidade nesta semana à jornada positiva dos últimos dias.

Bolsa tem reagido bem à perspectiva de que juros americanos não devem subir de imediato - Foto: Arquivo

Na semana passada, a primeira de maio, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, colecionou quatro pregões no azul e acumulou valorização de 2,64% no período. A ela se soma a alta de 1,94% em abril e de 6,00% em março, o que dá uma valorização acumulada de 10,91% nesse período.

O Índice Bovespa, que mede a evolução das ações de maior liquidez, alcançou os 122.038,11 pontos na última sexta-feira, nível mais alto desde o dia 14 de janeiro, quando atingiu 123.480,52 pontos. No ano, o índice apresenta valorização de 2,68%.

Já o dólar andou na contramão. Com queda em quatro dos cinco dias, fechou a semana com desvalorização de 3,68%, cotado a R$ 5,2375, ponto mais baixo também desde o dia 14 de janeiro, quando foi comercializado a R$ 5,2097. No ano, a queda é de 0,58%.

Influência do cenário externo na bolsa

A reação da última semana reflete o sentimento de animação dos mercados tanto em relação a fatos como a expectativas, principalmente do cenário externo, mais do que sobre o doméstico. O principal ponto de interesse, que orienta as decisões dos investidores locais, são notícias e dados sobre a economia americana, sempre presentes e acompanhadas no radar do mercado.

Os últimos dados apontam para um crescimento firme, mas em ritmo moderado, da economia nos Estados Unidos, o que, para o mercado, deixa fora do radar a possibilidade de aceleração da inflação e de alta dos juros por lá.

Uma elevação dos juros, especialmente dos títulos do Tesouro americano de dez anos, os Treasuries, provoca em geral um movimento de capitais com efeitos baixistas sobre o mercado de ações e de alta do dólar. A recente valorização da bolsa de valores e a persistente queda do dólar refletem em boa medida o sentimento de que a inflação e os juros nos Estados Unidos permanecerão onde estão, sem maiores surpresas.

A contínua valorização das commodities no exterior também gera reflexos positivos no mercado doméstico, analisa Ariane Benedito, economista da CM Capital.

A alta das commodities beneficia as empresas exportadoras, que dão suporte ao Ibovespa, já que as ações das companhias que vendem minério de ferro, petróleo e proteína animal, dentre outros, lá fora têm forte participação na carteira desse índice. E contribui com um efeito colateral de baixa do dólar, porque commodities mais caras significam mais dólares que ingressam no mercado doméstico.

CPI e ata do Copom no radar

Se o cenário externo parece confortável, o doméstico permanece desafiador, ainda que o mercado financeiro esteja apenas monitorando os eventos que mais atraem atenção, como o andamento do trabalho da CPI que investiga a ação do governo no combate à pandemia do coronavírus.

A agenda da semana tem ainda, na terça-feira, dia 11, a divulgação da ata da última reunião do Copom, que elevou 0,75 ponto porcentual a Selic, para 3,50% ao ano, e do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

A economista da CM Capital diz não esperar surpresas nem na ata, que deve reafirmar os termos do comunicado divulgado após o encontro do Copom, nem no IPCA.

Mas lembra que, como a bolsa vem colecionando seguidas altas, os investidores podem estar à procura de pretextos para vender as ações mais valorizadas para pôr o lucro no bolso. À elevação de 2,64% na primeira semana de maio se soma a alta de 1,94% em abril e de 6,00% em março, o que dá uma valorização acumulada de 10,91% nesse período.

Balanços corporativos: semana intensa

A semana também começa com mais uma forte temporada de divulgação de balanços trimestrais das empresas, com destaque para companhias dos setores varejistas, construção civil, papel e celulose, commodities, entre outros.

Nesta segunda-feira, o mercado conhecerá os resultados do período das empresas Hering, Banco Pan, Itaúsa, Locamerica, Linx, Log-In,  Direcional, entre outras.

Ao longo dos dias, a lista de empresas que divulgação seus números é significativa. No setor varejistas, empresas como Hering, Arezzo, Raia Drogasil, Via, Carrefour, Vivara, Lojas Reener, Magazine Luiza, Guararapes, entre outras, tem seus resultados aguardados pelos analistas.

Na construção civil, o mercado deve olhar com cuidado o desempenho do período de incorporadoras como Trisul, Gafisa, Helbor, Cyrela, Eztec, entre outras.

NY: futuros sem sinal único

Os contratos futuros negociados nas bolsas de Nova York seguem com sinais mistos nesta segunda-feira, após os investidores se mostrarem animados na última sexta-feira com a divulgação do payroll de abril nos Estados Unidos – número abaixo do esperado pelo mercado - o que reforçou a percepção de que os apoios à economia continuarão no país.

Além disso, com uma expectativa de que nos próximos meses a criação de vagas seja mais robusta no país, os índices Dow Jones e S&P renovaram recordes.

O índice Dow Jones avançou 0,66%, em 34.777,76 pontos, o S&P 500 subiu 0,74%, a 4.232,60 pontos, e o Nasdaq teve ganho de 0,88%, a 13.752,24 pontos. Na comparação semanal, os ganhos foram de 2,67%, 1,23%, respectivamente, e, no último caso, recuo de 1,51%.

O ING aponta que o relatório validou a cautela do Fed no processo de retirada de estímulos. "Estamos prontos para ver os EUA recuperarem toda a produção perdida durante a pandemia no trimestre atual, mas a devolução de todos os empregos perdidos levará muitos mais meses", prevê.

Em entrevista à Bloomberg, o presidente da distrital de Minneapolis do Fed, Neel Kashkari, também destacou que a criação fraca de empregos expõe a importância da contínua acomodação monetária. No entanto, durante o dia, o movimento diminuiu, e os rendimentos de longo prazo dos Treasuries avançaram.

CPI da Covid: Pazuello e Queiroga

No ambiente doméstico, os investidores mantêm o radar no andamento da CPI da Covid no Senado. O depoimento do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, era aguardado para esta semana, porém, o general do Exército alegou que ele estava com suspeita de Covid e a participação dele foi reagendada para o dia 19 de maio.

No último sábado, o senador Renan Calheiros, relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), disse que Pazuello usa o Exército como “biombo” para não depor à comissão e que, com isso está criando uma “crise” nas Forças Armadas.

Em um movimento inédito, o ex-ministro da Saúde passou a ser assessorado pela Advocacia-Geral da União (AGU) para traçar sua estratégia de defesa na CPI da Covid.

O general da ativa já se reuniu ao menos duas vezes com advogados da equipe da AGU que estão coletando documentos sobre aquisição de respiradores e fabricação de cloroquina para subsidiá-lo na CPI, no próximo dia 19.

O depoimento de Pazuello é considerado crucial porque, ao deixar o cargo, ele ligou sua demissão a um complô de políticos interessados em verba pública e "pixulé". Para senadores, Pazuello sabe de escândalos que podem comprometer o governo.

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid do Senado, Omar Aziz, classificou no último domingo como uma "grande decepção" a postura do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que depôs à comissão nesta semana e se esquivou de declarar sua posição sobre o uso da cloroquina em pacientes com covid-19.

Segundo Aziz, Queiroga "com certeza" será reconvocado para falar mais uma vez à CPI, diante das contradições expostas entre a política do governo Bolsonaro na pandemia e as diretrizes do Ministério da Saúde.

Mercado financeiro asiático fecha em alta

As bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam majoritariamente em alta nesta segunda-feira, seguindo o tom positivo de Wall Street na última sexta-feira.

O índice acionário japonês Nikkei subiu 0,55% em Tóquio hoje, aos 29.518,34 pontos, impulsionado por ações de siderúrgicas e montadoras, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 1,63% em Seul, ao nível recorde de 3.249,30 pontos, ajudado por papéis de varejistas e companhias aéreas.

Em discurso televisionado, o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, disse que seu governo fará o possível para que o Produto Interno Bruto (PIB) local cresça mais de 4% este ano.

O dia foi de ganhos também na China continental, cujos mercados haviam acumulado perdas nos dois pregões anteriores, depois de voltarem de um longo feriado nacional.

O Xangai Composto teve alta de 0,27%, aos 3.427,99 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto se valorizou 0,19%, aos 2.243,93 pontos.

Por outro lado, o Hang Seng apresentou perda marginal de 0,05% em Hong Kong, aos 28.595,66 pontos, e o Taiex caiu 0,29% em Taiwan, aos 17.235,61 pontos.

A questão da covid-19, no entanto, permanece no radar. Nas últimas semanas, a Índia tem registrado sucessivos recordes de contágios e mortes em 24 horas.

O Japão, por sua vez, será anfitrião dos Jogos Olímpicos a partir de julho, num momento em que a vacinação contra a doença no país está em ritmo extremamente lento, com apenas cerca de 3% da população imunizada.

Na Oceania, a bolsa australiana terminou a sessão em patamar recorde, o primeiro desde o início da pandemia, graças principalmente ao bom desempenho do setor minerador, que é favorecido por um salto nos preços do minério de ferro. O S&P/ASX 200 avançou 1,3% em Sydney, a 7.172,80 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

Sobre o autor
Tom Morooka
Tom MorookaColaborador do Portal Mais Retorno.
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