Economia

A demissão do secretário de Fazenda do Ministério da Economia, hoje, é apenas a ponta do icerberg das pressões políticas que a área vem sendo alvo. Waldery Rodrigues atuou firme na defesa de contenção de despesas, de modo a preservar o teto de gastos, imposto pelo Emenda Constitucional nº 95/2016.

Do outro lado da corda, está a base de apoio político do presidente Bolsonaro, interessada em cargos no Executivo e no controle de verbas. A novela do Orçamento 2021 mal terminou, e tudo indica que a cabeça do secretário foi posta a prêmio para eliminar o que os políticos consideram como “entraves” na política econômica.

ministério da economia
Ministério poderá ser desmembrado para atender pressões de parlamentares - Foto: Agência Brasil

Mas não é só isso. Segundo informações do "O Globo" de hoje, o impacto pode ser bem maior no Ministério da Economia. O governo pensa em ressuscitar pastas que foram extintas para a formação do atual ministério de Paulo Guedes.

Vale lembrar que o Ministério da Economia criado em 2019 foi resultado da fusão da Fazenda, Planejamento, Trabalho, Previdência e Indústria e Comércio Exterior. Com uma possível reformulação, Guedes poderia perder seus superpoderes, deixando de controlar quatro ou cinco áreas que hoje estão sob sua batuta.

A maior preocupação, no entanto, seria com o Planejamento, responsável por organizar as despesas e direcionar recursos da União no Orçamento. E, por isso mesmo, o setor mais cobiçado pelos políticos. Uma vez fora de sua alçada, Guedes deixaria de ser o gestor dos recursos para ser apenas o pagador das despesas do governo federal.

Segundo a reportagem, Bolsonaro está decidido a aumentar a representatividade dos senadores no Executivo. A mais recente indicação teria sido a de Flávia Arruda para a Secretaria de Governo.

Ao mesmo tempo, segundo interlocutores de Guedes, o ministro não estaria disposto a abrir mão das áreas que atualmente administra. Evidentemente porque o fatiamento vai resultar em perda de poder, em um momento que ele está sob pressão por causa da crise entre governo e Congresso durante o processo de discussão do Orçamento.

O texto proposto pelo Ministério foi alvo de impasse após parlamentares
aumentarem o valor de emendas por meio de manobras que reduziriam a previsão de gastos obrigatórios na Previdência.

Resta saber qual será a leitura do mercado, diante da sinalização de mudanças relevantes na condução da economia no País.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Visualizar Comentários

Veja mais Ver mais