Mercado Financeiro

O foco de interesse do mercado no último dia útil da semana, concentrado nesta virada de setembro a pontos da agenda doméstica, como os dados do PIB e os da indústria, deve deslocar-se ao exterior, à divulgação do relatório de emprego nos Estados Unidos, o payroll.

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Investidores querem sinais de quando o Fed começará a reduzir os estímulos monetários à economia americana - Foto: Envato

São dados que, dependendo de sua variação em relação às expectativas, podem dar uma sinalização dos próximos passos do Fed. O que os mercados querem saber é que com base no comportamento dos indicadores, dentre eles o de nível de emprego, quando o banco central americano começará a reduzir o lote de compra de títulos, que despeja US$ 120 bilhões mensalmente no sistema financeiro dos EUA.

Mercado não gostou no novo IR

O mercado de ações reagiu mal à aprovação, pela Câmara, do texto substitutivo da reforma do Imposto de Renda que prevê a cobrança de 15% (inicialmente de 20%, mas reduzido para 15% por meio de destaque) de imposto sobre lucros e dividendos, isentos deste 1995. O texto, que precisa ser aprovado pelo Senado, desagradou ao mercado também ao extinguir o pagamento de juros sobre capital próprio (JCP).

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, encerrou o pregão com forte desvalorização de 2,28% e o dólar fechou praticamente estável.

Especialistas afirmam que as alterações nas regras do JCP afetam empresas de setores como o bancário, têm a possibilidade de deduzir, do valor do imposto a pagar, esse tipo de remuneração pago ao acionista.

As ações dos principais bancos tiveram forte queda ontem: Santander recuou 5,23%, para R$ 39,48; Banco do Brasil, 4,14%, para R$ 29,20; Itaú, 3,61%, para R$ 29,94, e Bradesco, 3,52%, para R$ 22,28.

Os bancos têm forte participação na composição da carteira do Ibovespa (Índice Bovespa), o que fez com que a queda das ações do setor aprofundasse a desvalorização do principal índice da B3, ontem. A expectativa de analistas é que a possível continuidade da correção de ações de bancos permaneça como fator inibidor ao avanço da bolsa.

De acordo ainda com os analistas, outra mudança no texto de reforma do IR aprovado, a taxação de dividendos, poderá estimular as empresas a antecipar a distribuição de lucros, do estoque acumulado ou do próximo ano, como forma de evitar a tributação prevista nas novas regras.

7 de Setembro

Os investidores seguem acompanhando a movimentação política em relação ao feriado de 7 de setembro.

Na abertura da sessão de julgamento da tese "marco temporal" das terras indígenas, na véspera, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, fez um duro discurso sobre as manifestações bolsonaristas convocadas para o feriado, quando se comemora o aniversário da Independência do Brasil.

O ministro enfatizou que a Corte está vigilante aos movimentos, e não vai tolerar atos atentatórios à democracia.

"Num ambiente democrático, manifestações públicas são pacíficas; por sua vez, a liberdade de expressão não comporta violências e ameaças. O exercício de nossa cidadania pressupõe respeito à integridade das instituições democráticas e de seus membros", afirmou o ministro.

O ato desperta receio nas autoridades e está no foco das agências de inteligência diante da possibilidade de manifestantes armados, muitos deles policiais, serem insuflados a invadir o Congresso Nacional e o STF.

Oficiais das Polícias Militares de diversos estados atuam ativamente nas redes sociais na convocação de parceiros de corporação para participarem dos eventos.

CPI da Covid

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve a decisão que obrigou Marconny Faria, apontado como lobista da Precisa Medicamentos, a prestar depoimento como testemunha na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado. Ela rejeitou um pedido da defesa para reconsiderar parecer dado ontem.

Os advogados voltaram a argumentar que ele é investigado pelo Ministério Público Federal por fatos sob apuração na comissão parlamentar e, portanto, deveria ser desobrigado a se apresentar diante dos senadores.

Após uma troca na agenda de depoentes, o colegiado ouviu o ex-secretário de Saúde do Distrito Federal Francisco Araújo Filho.

Francisco foi preso em agosto de 2020 durante a Operação Falso Negativo. A investigação abarcou ilicitudes na aquisição de testes rápidos para detecção da covid-19 para a rede pública de saúde local.

O depoente optou por não fazer o juramento de dizer a verdade ao responder todos os questionamentos dos senadores, e disse que iria seguir os limites do habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Na bateria de perguntas iniciais do relator da CPI, senador Renan Calheiros, Francisco declarou que foi convidado pelo próprio governador de Brasília, Ibaneis Rocha (MDB), para assumir o cargo de secretário de saúde, alegando ter sido indicado ao cargo de forma técnica.

O ex-secretário também negou ter conhecido outros personagens que estão na mira da CPI, como o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), e descartou ter qualquer relação com o Partido Progressista, embora conheça pessoas da sigla.

NY: contratos futuros sem direção única

A atenção dos investidores está voltada para os Estados Unidos nesta sexta-feira por conta da divulgação do payroll de agosto, que acontece logo mais, e que pode ser um sinalizador para o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) sobre o momento de retirada de estímulos da economia. Enquanto isso, os futuros negociados nas bolsas de Nova York operam mistas.

Na véspera, os mercados locais fecharam em alta e mais uma vez os índices S&P 500 e Nasdaq bateram recordes históricos de fechamento. O índice Dow Jones avançou 0,37%, aos 35.443,82 pontos, o S&P 500 teve alta de 0,28%, aos 4.536,95 pontos, e o Nasdaq acumulou ganhos de 0,14%, aos 15.331,18 pontos.

Responsável por apostar em uma das menores estimativas para o payroll, o TD Securities prevê geração de 400 mil vagas nos EUA, enquanto a maioria dos analistas apostam na criação de 725 mil novos postos de trabalho – um ritmo mais moderado em relação aos dois meses anteriores, porém, mais forte do que no início de 2021.

Segundo o banco de investimentos canadense, isso não seria suficiente para que o Fed recue no seu plano de começar a retirar gradualmente os estímulos monetários em breve, mas provavelmente adiará um anúncio formal da redução dos estímulos para a reunião de novembro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês).

Bolsas asiáticas fecham mistas

As bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta sexta-feira, reagindo à notícia de que o primeiro-ministro japonês deixará o cargo em breve e a dados fracos da atividade econômica chinesa. Investidores da região também aguardam o relatório de emprego dos EUA.

Em Tóquio, o Nikkei teve expressiva alta de 2,05% hoje, aos 29.128,11 pontos, após anúncio de que o primeiro-ministro do Japão, Yoshihide Suga, não se candidatará à reeleição a líder do partido do governo, o que na prática fará com que ele deixe o posto de premiê até o final do mês.

No cargo há apenas um ano, Suga enfrenta uma crescente onda de impopularidade em meio a um novo surto de casos de covid-19 no país.

Também ficaram no azul o mercado sul-coreano, com avanço de 0,79% do Kospi em Seul, aod 3.201,06 pontos, e o de Taiwan, onde o Taiex se valorizou 1,14%, aos 17.516,92 pontos.

Por outro lado, as bolsas chinesas e de Hong Kong tiveram desempenho negativo. Na China continental, o Xangai Composto recuou 0,43%, aos 3.581,73 pontos, e o Shenzhen Composto caiu 0,55%, aos 2.414,30 pontos. O Hang Seng, por sua vez, teve queda de 0,72% em Hong Kong, aos 25.901,99 pontos.

Pesquisa da IHS Markit em parceria com a Caixin Media mostrou que o índice de gerentes de compras (PMI) composto da China, que engloba os setores industrial e de serviços, caiu de 53,1 em julho para 47,2 em agosto, ficando abaixo da marca de 50 que indica contração de atividade pela primeira vez desde abril de 2020. Apenas o PMI de serviços chinês diminuiu de 54,9 para 46,7 no mesmo período.

Os números são os últimos a evidenciar a tendência de desaceleração da economia chinesa, a segunda maior do mundo.

Na Oceania, a bolsa australiana terminou o pregão em alta, favorecida por ações de mineradoras e petrolíferas. O S&P/ASX 200 avançou 0,50% em Sydney, aos 7.522,90 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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