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Estar de olho nas tendências globais é um dos trunfos que o investidor tem na busca por boas oportunidades. E um desses setores que vêm ganhando espaço no mercado financeiro ao longo dos últimos anos é o de biotecnologia.

Infelizmente, no Brasil ainda é um segmento de poucas alternativas, de modo que as melhores empresas estão localizadas em outras geografias — em especial nos Estados Unidos. Além disso, o cenário de biotecnologia é bastante competitivo, algo que pode dificultar a seleção dos melhores ativos.

Desta forma, um bom caminho para se expor à tese de biotecnologia é por meio dos ETFs (Exchange Traded Funds), que são os fundos de investimentos negociados na B3, a nossa bolsa de valores. Vamos entender melhor como funciona esse tipo de investimento.

O que é um ETF de biotecnologia?

A biotecnologia é a área da ciência que se responsabiliza pelo desenvolvimento de novas tecnologias utilizando organismos vivos. Com base em células e moléculas, as empresas desenvolvem pesquisas e testes de modo a oferecer soluções para a saúde humana. É o caso das vacinas, por exemplo, uma temática que ganhou destaque durante a pandemia da COVID-19.

É claro que, para investir nesse setor, você não precisa ser um especialista em biotecnologia, algo que exigiria um conhecimento técnico muito aprofundado e específico. É aqui que surgem os ETFs como uma forma de facilitar a exposição do seu capital a um dos segmentos mais relevantes da atualidade.

Os Exchange Traded Funds são, em resumo, fundos de investimentos que buscam replicar um índice. No caso do ETF de biotecnologia, esse índice deve estar relacionado ao setor, refletindo o desempenho de companhias que atuam nesse segmento.

Por que a tese de biotecnologia ganhou relevância?

De tempos em tempos, é comum que setores ganhem destaque e se tornem uma "modinha" no mercado financeiro. É o caso da biotecnologia. No entanto, quais são os fatores que tornam essa tese tão atrativa para investimentos?

O principal ponto se baseia no envelhecimento populacional. Justamente por conta do desenvolvimento tecnológico e científico, a expectativa de vida das pessoas é cada vez maior. Assim, o segmento de saúde ganha um papel de enorme importância na medida em que, quanto mais anos vivemos, maior se torna a dependência da medicina.

Não por acaso, o setor de Health Care é um dos mais representativos do S&P 500, que é um dos principais índices acionários globais. Neste setor temos diversas categorias de empresas, entre as quais estão as companhias de biotecnologia, mas também farmacêuticas, equipamentos médicos ou plano de saúde. Todas elas se beneficiam do aumento da longevidade.

Além disso, a pandemia que explodiu em 2020 despertou atenção e interesse no desenvolvimento da biotecnologia. Vale lembrar, contudo, que a atuação não se restringe ao desenvolvimento de vacinas, mas envolve também a criação de antibióticos, fertilização e até mesmo clonagens.

Há, portanto, uma contribuição para diversas pontas como a saúde humana, redução de custos, aumento de produtividade industrial e prevenção de doenças que justifica o destaque para o setor de biotecnologia.

Quais são os riscos de investir em biotecnologia?

Apesar de ser uma tese promissora, esse cenário favorável à biotecnologia não representa que os riscos são inexistentes. Há, inclusive, diversas situações que demandam atenção por parte do investidor.

A primeira delas está na competição. O setor de saúde como um todo é extremamente pulverizado, com muitas empresas disputando o seu espaço no market share. Ademais, por conta da importância para a vida humana, existe uma forte regulação setorial. Isso sem entrar em outras disputas como o registro de patentes.

Outro ponto relevante em termos de riscos é que o desenvolvimento de novas tecnologias de saúde acaba por exigir um grande investimento de tempo e dinheiro. E a verdade é que não há, inicialmente, qualquer garantia de que a solução vai funcionar. É necessário, portanto, ter paciência para encontrar bons resultados.

Para finalizar, por ser uma questão de saúde, muitos dos produtos possuem forte influência governamental. É o que temos nas vacinas, gerando um cenário de margens apertadas para as empresas. É até negativo do ponto de vista de imagem da companhia cobrar caro demais por uma solução relacionada à vida das pessoas.

Os melhores ETFs de biotecnologia para investir no setor

Como mencionamos no começo do artigo, o investidor brasileiro pode se deparar com uma dificuldade ao buscar por investimentos em empresas nacionais de biotecnologia.

O que acontece é que, por aqui, ainda temos um cenário bem abaixo de outras geografias, como os Estados Unidos. Até mesmo os estudos desenvolvidos por empresas nacionais são, geralmente, solicitados por companhias internacionais. Ou seja, vale mais a pena investir no mercado estrangeiro.

Neste contexto, os ETFs são uma boa solução para a exposição de capital ao segmento de biotecnologia. Vamos conhecer algumas das oportunidades para esse objetivo, lembrando que nenhuma das sugestões abaixo se configura como recomendação de investimento, ok?

IBB

O primeiro ETF de biotecnologia que você pode considerar é o iShares Nasdaq Biotechnology ETF, negociado na bolsa americana com o ticker de IBB. São mais de dez bilhões de dólares sob gestão, número que o torna o maior produto da categoria.

Um ponto importante a considerar é que 90% da sua carteira está nos Estados Unidos, algo normal já que o país concentra as melhores companhias do setor. Ao mesmo tempo, o ETF representa uma baixa diversificação do ponto de vista do segmento (estamos falando, afinal, de uma concentração em farmacêuticas e empresas de biotecnologia).

Os custos não são baixos para um ETF, com taxa de administração de 0,46% ao ano. Para o investidor brasileiro, a boa notícia é que você pode comprá-lo na própria B3 por meio de um BDR de ETF: o BIBB39.

ARKG

Outro ETF de biotecnologia bem conhecido é o ARKG, ticker utilizado na bolsa americana para o ARK Genomic Revolution ETF. A proposta do fundo é investir em empresas relacionadas com diagnóstico molecular e células-tronco. A taxa de administração é ainda maior: 0,75% ao ano.

A concentração do ETF não tem como fugir dos Estados Unidos, assim como vimos no caso do IBB. Praticamente 90% do portfólio está no país norte americano, seguido pela Suíça, com cerca de 7% da carteira. Em termos setoriais, a concentração é em Health Care, com 92% do patrimônio do fundo.

XBI

Ainda está em busca de mais opções de ETFs para o setor de biotecnologia? O SPDR S&P Biotech ETF, negociado com o ticker de XBI, é mais uma oportunidade. 

A proposta está em replicar o S&P Biotechnology Select Industry Index. Aqui, você terá uma concentração total nos Estados Unidos, com 100% do patrimônio investido no país. Não há, portanto, diversificação geográfica.

Por outro lado, o portfólio de empresas é bem amplo, com mais de 100 organizações. As dez maiores posições do ETF não chegam a 10% do seu patrimônio. Apenas como comparativo, as dez maiores posições do IBB e do ARKG chegam próximo a 50% do capital investido.

Vale a pena investir em ETFs de biotecnologia?

Como vimos, existem boas oportunidades de ETFs de biotecnologia, especialmente para quem tem recursos para aportes diretamente em corretoras globais. Além dos três fundos que vimos neste artigo, existem mais de quinze ETFs do setor de Health Care nos Estados Unidos.

O investimento em biotecnologia, contudo, deve ser feito com consciência dos riscos do segmento. O desenvolvimento de soluções de saúde, afinal, precisa de um tempo de maturação que pode não funcionar para investidores mais ansiosos. A estratégia das companhias desse setor exige paciência para produzir resultados.

Para quem aplica uma estratégia de longo prazo, essa pode ser sim uma boa oportunidade de diversificação. Lembrando que os ativos utilizados pelos ETFs da categoria possuem foco em crescimento, não sendo recomendáveis como reserva de valor. No curto prazo, as oscilações do capital serão frequentes.

De qualquer forma, a expectativa é positiva para empresas de biotecnologia, em especial considerando o cenário de importância cada vez maior das companhias de saúde para a vida humana.

Imagem do autor

Formado em Administração pela PUC-SP. Trabalhou em empresas do segmento financeiro (Itaú BBA) e varejo (BRMALLS) até 2016, quando iniciou a jornada de produção de conteúdo para a internet com foco em finanças.

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